Língua Portuguesa 3ª série Simulado
Simulado de literatura brasileira do século XX
Simulado com 15 questões de literatura brasileira, do Pré-Modernismo à produção contemporânea: Lima Barreto, Augusto dos Anjos, modernistas, romance de 30, Rosa, Clarice, Cabral, teatro e Um defeito de cor.
- 15 questões
- cerca de 60 minutos
Língua Portuguesa, 3ª série: Simulado de literatura brasileira do século XX
Em Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), de Lima Barreto, um jovem mestiço do interior vai ao Rio de Janeiro em busca de ascensão, enfrenta o preconceito racial e acaba trabalhando em um grande jornal. O romance se destaca por
- exaltar a imprensa carioca, apresentada como modelo de ética e de independência política.
- denunciar o racismo e expor, com ironia, os bastidores e os interesses da imprensa da época.
- narrar uma história de amor idealizada, nos moldes do romance urbano romântico.
- descrever o sertão nordestino com linguagem científica e determinista.
- celebrar a República, mostrada como regime que eliminou as desigualdades sociais.
Leia o texto a seguir.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!Augusto dos Anjos, "Versos íntimos", em Eu (1912).
Nos tercetos, o eu lírico aconselha o interlocutor a
- abandonar o cigarro, por causa dos males que ele causa à saúde.
- retribuir com carinho os gestos de afeto, confiando na bondade dos amigos.
- desconfiar do afeto, prenúncio de traição, e reagir com agressividade.
- valorizar o amor romântico, capaz de curar todas as feridas da alma.
- procurar a religião como consolo diante da solidão e da tristeza.
Leia o texto a seguir.
Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto relevo
Faz de uma flor.Olavo Bilac, "Profissão de fé".
Os poetas da Semana de 22 se opuseram ao ideal expresso nesses versos porque
- consideravam a poesia uma arte inferior à ourivesaria e às artes plásticas.
- rejeitavam qualquer reflexão sobre o fazer poético dentro do próprio poema.
- defendiam a liberdade formal e a fala cotidiana contra o culto à forma.
- também consideravam o poeta um artesão do verso perfeito, como o ourives.
- queriam retomar o soneto parnasiano como única forma legítima de poesia.
No poema "Pronominais", Oswald de Andrade contrapõe a colocação pronominal ensinada pela gramática ("dê-me") à usada pelo povo brasileiro no dia a dia ("me dá"), concluindo a favor desta. O poema
- mostra que não há nenhuma diferença entre o português do Brasil e o de Portugal.
- critica os falantes brasileiros por não saberem colocar os pronomes corretamente.
- propõe que a língua portuguesa seja abolida e substituída pelo tupi.
- defende a obediência estrita às regras da gramática portuguesa tradicional.
- valoriza a língua efetivamente falada no Brasil, contra a imitação do padrão lusitano.
Mário de Andrade viajou pelo Norte e pelo Nordeste do Brasil nos anos 1920, registrando músicas, danças, festas e modos de falar populares, e estudou a fundo o folclore brasileiro. Esse trabalho se relaciona com sua produção literária porque
- a pesquisa da cultura popular nutriu uma literatura nacional não idealizada, como Macunaíma.
- o contato com o Norte e o Nordeste o levou a escrever romances policiais ambientados em Paris.
- as anotações das viagens foram publicadas como sonetos parnasianos sobre a natureza.
- o autor passou a defender que a cultura popular não deveria aparecer em obras literárias.
- as viagens o convenceram a abandonar a literatura e a se dedicar apenas à música erudita europeia.
No poema "A flor e a náusea", de A Rosa do Povo (1945), Carlos Drummond de Andrade apresenta um eu lírico angustiado com o mundo e, no final, uma flor feia que nasce e rompe o asfalto da rua. Essa imagem simboliza
- o desprezo do poeta pela natureza, considerada inferior ao progresso urbano.
- a indiferença do eu lírico diante dos problemas sociais de seu tempo.
- a esperança que resiste e se afirma em meio à opressão e à desumanização da vida moderna.
- a beleza perfeita e clássica, que o poeta deseja reproduzir em sonetos parnasianos.
- a vitória definitiva da natureza sobre a cidade, que é abandonada pelos seus habitantes.
A prosa de Graciliano Ramos, em obras como Vidas Secas e São Bernardo, é marcada por frases curtas, vocabulário preciso e economia de adjetivos. Esse estilo
- contradiz os temas tratados, que são alegres e cheios de aventuras exóticas.
- imita o estilo ornamental dos parnasianos, com períodos longos e palavras raras.
- combina com a aridez dos temas e das personagens, reforçando a denúncia.
- revela falta de vocabulário do autor, que não dominava a norma-padrão.
- foi adotado apenas para facilitar a leitura por crianças em fase de alfabetização.
O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, publicado em três partes entre 1949 e 1962 (O Continente, O Retrato e O Arquipélago), acompanha as famílias Terra e Cambará ao longo de cerca de dois séculos. A obra
- conta a vida de meninos de rua em Salvador nos anos 1930.
- trata da decadência dos engenhos de açúcar na Paraíba no início do século XX.
- descreve a seca do Ceará em 1915 e a migração de retirantes para Fortaleza.
- é um livro de poemas concretos sobre a vida urbana em São Paulo.
- narra a formação histórica do Rio Grande do Sul por meio da saga de várias gerações.
Em "A hora e vez de Augusto Matraga", conto de Sagarana (1946), de Guimarães Rosa, Nhô Augusto, homem violento e prepotente, é espancado e dado como morto. Recuperado, muda de vida e, no final, enfrenta um bando de jagunços para defender uma família. O conto tem como eixo
- a busca de redenção e o encontro do protagonista com seu destino, sua "hora e vez".
- o amor romântico entre Nhô Augusto e uma jovem da capital mineira.
- a vingança contra todos os que o espancaram, realizada com crueldade crescente.
- a crítica à religião, ridicularizada pelo narrador em todo o conto.
- a mudança de Nhô Augusto para a cidade grande, onde se torna comerciante rico.
Em A Paixão segundo G.H. (1964), de Clarice Lispector, a narradora, uma escultora de classe média, entra no quarto da antiga empregada e encontra uma barata. O encontro desencadeia uma longa crise interior. Esse romance exemplifica
- a crônica humorística, que narra episódios engraçados do cotidiano doméstico.
- a ficção introspectiva de Clarice, em que um fato banal leva ao autoconhecimento.
- o romance histórico, que reconstitui com documentos a história do Rio de Janeiro.
- o romance regionalista de 30, centrado na seca e na migração de famílias nordestinas.
- a poesia concreta, que dispõe palavras no espaço da página sem enredo.
Em O cão sem plumas (1950), João Cabral de Melo Neto compara o rio Capibaribe, que atravessa o Recife, a um cão sem plumas. A imagem
- retoma o indianismo romântico, com o rio como herói de uma epopeia nacional.
- associa o rio à pobreza e à lama, como a vida despojada dos ribeirinhos.
- descreve com objetividade científica a fauna e a flora do rio Capibaribe.
- transforma o rio em símbolo de riqueza e de progresso industrial da cidade.
- exalta a beleza das aves que vivem às margens do rio, cobertas de plumas coloridas.
O Auto da Compadecida (1955), de Ariano Suassuna, acompanha as trapaças de João Grilo e Chicó no sertão e termina com o julgamento das almas, em que Nossa Senhora intercede pelos personagens. A peça dialoga com
- a poesia concreta paulista, que abolia o verso e a narrativa.
- o romance naturalista, que explicava as personagens pela hereditariedade.
- o teatro do absurdo europeu, sem nenhuma relação com tradições populares brasileiras.
- o romance psicológico de Clarice Lispector, centrado no fluxo de consciência.
- os autos medievais, como os de Gil Vicente, e com a literatura de cordel.
Vestido de Noiva (1943), de Nelson Rodrigues, é considerado um marco do teatro moderno brasileiro. A peça se passa em três planos simultâneos no palco, a realidade, a memória e a alucinação de uma mulher atropelada. Essa estrutura
- segue o modelo das comédias de costumes do século XIX, com enredo simples e linear.
- transforma a peça em um romance, já que o texto não pode ser encenado.
- retoma o teatro grego clássico, com coro, máscaras e deuses do Olimpo.
- elimina os conflitos psicológicos, concentrando-se em cenas de humor físico.
- rompe com a linearidade e mostra no palco o funcionamento da mente da protagonista.
Poema Sujo (1976), de Ferreira Gullar, foi escrito em Buenos Aires, onde o poeta vivia exilado durante a ditadura militar. No longo poema, o eu lírico
- escreve apenas haicais de três versos sobre as estações do ano.
- recria pela memória a infância em São Luís, unindo vida pessoal e história.
- descreve a paisagem dos pampas argentinos, sem nenhuma referência ao Brasil.
- celebra o regime militar, mostrado como período de liberdade para os artistas.
- narra a conquista da Lua pelos astronautas, com linguagem técnica e objetiva.
Um defeito de cor (2006), de Ana Maria Gonçalves, é narrado por Kehinde, mulher africana escravizada ainda criança e trazida para a Bahia, que reconstrói sua trajetória ao se dirigir a um filho de quem foi separada. Em relação à tradição literária brasileira, o romance
- coloca uma mulher africana escravizada como narradora e protagonista da própria história.
- trata da imigração italiana no Sul do Brasil no início do século XX.
- repete o modelo dos romances românticos, em que o escravizado é personagem secundário e mudo.
- é um livro de poemas concretos sem enredo nem personagens.
- narra a vida de um senhor de engenho, com o ponto de vista dos proprietários.
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