Língua Portuguesa 3ª série Atividade
Antropofagia e Pau-Brasil: nacionalismo crítico
Atividade com 11 questões sobre os manifestos Pau-Brasil e Antropófago, o Abaporu, o grupo Verde-Amarelo e as paródias da Canção do exílio, com produção de uma paródia autoral.
- 11 questões
- cerca de 50 minutos
Língua Portuguesa, 3ª série: Antropofagia e Pau-Brasil: nacionalismo crítico
O Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924), de Oswald de Andrade, propunha uma "poesia de exportação". O nome do manifesto remete
- a um grupo de poetas parnasianos do Rio de Janeiro que se reunia sob uma árvore centenária.
- a uma dança indígena descrita pelos cronistas, que Oswald pretendia reproduzir nos poemas.
- a um jornal oficial do governo, no qual o manifesto foi publicado com apoio da Academia.
- ao primeiro produto exportado pelo Brasil, sugerindo uma arte nacional que circule lá fora.
- a uma árvore europeia trazida pelos portugueses, símbolo da cópia de modelos estrangeiros.
O Manifesto Antropófago (1928) toma como metáfora o ritual de povos tupis que devoravam o inimigo para absorver suas qualidades. Aplicada à cultura, essa metáfora propõe
- copiar fielmente os modelos europeus, já que a cultura brasileira seria incapaz de criar.
- absorver criticamente as influências estrangeiras e transformá-las em criação original brasileira.
- rejeitar toda influência estrangeira, cultivando apenas tradições indígenas anteriores a 1500.
- abandonar a literatura escrita e retornar exclusivamente à transmissão oral das narrativas.
- defender a prática literal da antropofagia como forma de resistência ao colonizador.
O quadro Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral, mostra uma figura humana de pés e mãos enormes e cabeça pequena, ao lado de um cacto, sob um sol. A obra se relaciona com a Antropofagia porque
- inspirou o movimento, e seu nome tupi foi associado à ideia de "homem que come gente".
- reproduz uma pintura renascentista europeia sem modificações, como exercício de cópia.
- foi pintada como resposta contrária ao manifesto, ridicularizando as ideias de Oswald.
- foi exposta na Semana de 22 e motivou a criação da revista Klaxon.
- retrata de forma realista um ritual indígena, com base em documentos dos cronistas.
No Manifesto Antropófago, Oswald de Andrade faz um célebre trocadilho com a fala mais conhecida de Hamlet, personagem de Shakespeare, trocando o verbo "to be" pela palavra "tupi". Esse recurso exemplifica
- a apropriação paródica de um clássico europeu para afirmar a questão da identidade brasileira.
- o uso de citação literal, sem alteração de sentido, para homenagear o teatro inglês.
- uma paráfrase que reafirma o sentido original da fala, sem intenção crítica ou humorística.
- a rejeição do inglês, que Oswald considerava a língua dos colonizadores portugueses.
- a tradução fiel de Shakespeare para o português, com o objetivo de divulgá-lo no Brasil.
Leia o texto a seguir.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.Gonçalves Dias, "Canção do exílio" (1843).
No poema "Canto de regresso à pátria" (1925), Oswald de Andrade retoma esses versos trocando "palmeiras" por "palmares". A troca produz o efeito de
- trocar o ufanismo romântico pela memória da resistência negra no quilombo de Palmares.
- reforçar a saudade romântica da natureza, mantendo o mesmo sentido do poema original.
- homenagear as palmeiras do litoral paulista, onde Oswald morava quando escreveu o poema.
- corrigir um erro de grafia do poema de Gonçalves Dias, que havia sido publicado com falhas.
- demonstrar que o poeta desconhecia o texto romântico e o citou de memória, com lapsos.
O Hino Nacional Brasileiro traz os versos "Nossos bosques têm mais vida, / 'Nossa vida' no teu seio 'mais amores'", com aspas que remetem à "Canção do exílio", de Gonçalves Dias. Comparando esse uso com as versões modernistas do poema, conclui-se que o hino
- cita o poema e mantém sua exaltação da pátria, ao passo que os modernistas o parodiam.
- traduz o poema para uma linguagem coloquial, seguindo o programa da Semana de 22.
- parodia o poema de modo crítico, assim como fizeram Oswald de Andrade e Murilo Mendes.
- inverte o sentido do poema, transformando a saudade da pátria em crítica ao país.
- plagia o poema sem nenhuma indicação de fonte, o que foi denunciado pelos modernistas.
Na década de 1920, o grupo Verde-Amarelo (depois chamado Anta), de Plínio Salgado, Menotti Del Picchia e Cassiano Ricardo, também defendeu uma arte nacional. A diferença central entre esse grupo e a Antropofagia está no fato de que o Verde-Amarelo
- era formado apenas por artistas plásticos, sem participação de escritores ou poetas.
- foi fundado antes da Semana de 22 e se opôs à realização do evento no Theatro Municipal.
- defendia a cópia das vanguardas europeias, sem nenhuma preocupação com temas brasileiros.
- adotava um nacionalismo ufanista e conservador, avesso à assimilação crítica do estrangeiro.
- rejeitava qualquer forma de nacionalismo, propondo uma literatura universal e sem pátria.
Nas telas da chamada fase Pau-Brasil (anos 1920), Tarsila do Amaral pintou paisagens do interior e da cidade com formas geométricas simplificadas e cores que ela chamou de "caipiras", como rosas e azuis vivos. Essas obras realizam, na pintura, o projeto modernista de
- reproduzir com exatidão fotográfica a natureza brasileira, à maneira dos pintores acadêmicos.
- abandonar a figuração, produzindo apenas composições abstratas sem relação com o Brasil.
- imitar a pintura barroca colonial, com temas religiosos e muito douramento.
- unir técnicas aprendidas com as vanguardas europeias a temas, cores e paisagens brasileiras.
- recusar as cores vivas, consideradas pelos modernistas um sinal de mau gosto popular.
No fim dos anos 1960, o movimento tropicalista, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, retomou explicitamente as ideias de Oswald de Andrade, misturando guitarra elétrica, ritmos nordestinos, referências da cultura de massa e da tradição. Essa retomada mostra que
- a música popular brasileira sempre recusou instrumentos e influências vindos do exterior.
- os tropicalistas rejeitaram a mistura entre o nacional e o estrangeiro, ao contrário de Oswald.
- a proposta antropofágica seguiu produtiva décadas depois, também em outras linguagens.
- a Antropofagia ficou restrita à literatura dos anos 1920, sem influência em outras épocas.
- o movimento de 1928 defendia o uso exclusivo de instrumentos indígenas na música.
Leia a primeira estrofe da "Canção do exílio", de Gonçalves Dias.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.Um estudante escreveu: "Minha terra tem antenas, / onde pousa o urubu; / os ônibus que aqui circulam / não circulam como em Bauru." O texto do estudante é
- um plágio, pois copia o poema original e o apresenta como se fosse do estudante.
- uma paródia, pois mantém a estrutura do original para tratar com humor de uma realidade urbana.
- uma paráfrase, pois reafirma com outras palavras a exaltação da natureza feita pelo poeta romântico.
- um resumo, pois condensa as ideias principais de todo o poema em apenas quatro versos.
- uma citação direta, pois reproduz literalmente os versos sem alterar nenhuma palavra.
Leia a primeira estrofe da "Canção do exílio" (1843), de Gonçalves Dias.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.Produza uma paródia de 4 a 8 versos dessa estrofe, tratando de um problema ou de uma característica atual da sua cidade ou do seu bairro. Depois, em duas ou três linhas, explique que elementos do original você manteve e qual efeito crítico ou humorístico pretendeu criar.
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