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Língua Portuguesa 3ª série Prova

Romance de 30: regionalismo e denúncia social

Prova com 12 questões sobre o romance de 30: A Bagaceira, O Quinze, Vidas Secas, São Bernardo, o ciclo da cana de José Lins do Rego e Capitães da Areia, com foco em contexto e poder.

  • 12 questões
  • cerca de 70 minutos

Língua Portuguesa, 3ª série: Romance de 30: regionalismo e denúncia social

  1. Os romances brasileiros produzidos a partir de 1930 deram destaque à seca, à migração, ao latifúndio e à miséria. Contribuiu para essa orientação

    1. o período de estabilidade política e econômica, que permitiu aos escritores viajar pelo interior.
    2. a determinação da Academia Brasileira de Letras de premiar apenas romances sobre a seca.
    3. o contexto da crise de 1929, da Revolução de 1930 e do debate ideológico da década.
    4. a censura do Estado Novo, que obrigava os autores a tratar apenas de temas regionais.
    5. a influência do Parnasianismo, que privilegiava a descrição objetiva das paisagens.
  2. A Bagaceira (1928), de José Américo de Almeida, é costumeiramente apontada como obra inaugural do romance de 30 porque

    1. traz para o centro da narrativa a seca, os retirantes e a vida no engenho, com olhar crítico.
    2. foi o primeiro romance escrito em versos livres no Brasil, seguindo a Semana de 22.
    3. é um livro de contos fantásticos, sem relação com a realidade social do Nordeste.
    4. retoma o indianismo de José de Alencar, com heróis indígenas idealizados.
    5. narra a vida urbana de São Paulo, antecipando o romance psicológico de Clarice Lispector.
  3. Em O Quinze (1930), Rachel de Queiroz narra, em paralelo, a história de Conceição e Vicente e a da família do vaqueiro Chico Bento. O título refere-se

    1. ao número de capítulos do romance, todos narrados pela protagonista Conceição.
    2. à Revolução de 1930, ocorrida quinze dias depois da publicação do livro.
    3. à grande seca de 1915 no Ceará, que obriga a família de Chico Bento a migrar.
    4. aos quinze anos de trabalho de Chico Bento em uma fábrica de tecidos em Fortaleza.
    5. à idade de Conceição, uma adolescente que deixa a escola para se casar.
  4. Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos, tem 13 capítulos que podem ser lidos quase de forma independente; o primeiro, "Mudança", mostra a família chegando a uma fazenda abandonada, e o último, "Fuga", mostra a família partindo novamente por causa da seca. Essa estrutura sugere

    1. a vitória final da família, que enriquece e se instala definitivamente na cidade.
    2. a falta de planejamento do autor, que reuniu textos sem relação entre si.
    3. a influência do romance policial, com mistério resolvido no último capítulo.
    4. o caráter cômico do romance, que termina com uma festa e um casamento.
    5. a circularidade do destino dos retirantes, presos a um ciclo de seca e migração.
  5. Em Vidas Secas, as personagens falam pouco, e o narrador, em terceira pessoa, frequentemente mistura sua voz aos pensamentos de Fabiano, sinha Vitória e dos meninos, sem usar travessão ou verbos como "disse" e "pensou". Esse recurso, chamado discurso indireto livre,

    1. impede o leitor de conhecer os sentimentos das personagens, que ficam totalmente ocultos.
    2. transforma o romance em uma peça de teatro, composta apenas de diálogos entre as personagens.
    3. imita a linguagem dos documentos oficiais, impessoal e sem marcas de subjetividade.
    4. faz de Fabiano o narrador da história, contada em primeira pessoa desde o início.
    5. revela a interioridade de personagens quase sem palavras, aproximando o leitor delas.
  6. Em Vidas Secas, a cachorra Baleia sonha, sente e é tratada como membro da família, enquanto Fabiano se compara a um bicho e tem dificuldade de se expressar. Essa inversão contribui para

    1. denunciar a desumanização provocada pela miséria e pela exploração no sertão.
    2. criar um efeito cômico, típico das fábulas destinadas ao público infantil.
    3. justificar a violência contra os animais, comum na cultura sertaneja da época.
    4. mostrar que os animais são mais inteligentes que os seres humanos em qualquer situação.
    5. exaltar a vida no campo, onde pessoas e animais vivem em perfeita harmonia.
  7. Em Vidas Secas, Fabiano é preso e espancado por um "soldado amarelo" após uma discussão banal. Mais tarde, ao encontrar o mesmo soldado sozinho e perdido na caatinga, Fabiano poderia vingar-se, mas recua e acaba ensinando-lhe o caminho. A atitude de Fabiano revela

    1. o desejo de ser promovido a soldado, motivo pelo qual decide ajudar o rival.
    2. o perdão cristão consciente, resultado de longa reflexão religiosa do personagem.
    3. a submissão interiorizada à autoridade, que o impede de reagir mesmo podendo.
    4. a covardia natural do sertanejo, que o romance apresenta como traço biológico.
    5. a amizade antiga entre os dois, revelada pelo narrador no último capítulo.
  8. Em São Bernardo (1934), de Graciliano Ramos, o narrador-protagonista Paulo Honório conta como se tornou dono da fazenda que dá nome ao livro e como seu ciúme destruiu o casamento com Madalena. Uma marca central dessa personagem é

    1. a visão de tudo e de todos como propriedade, o que o leva a tratar pessoas como coisas.
    2. a timidez extrema, que o impede de lutar por qualquer bem material.
    3. a fé religiosa intensa, que orienta todas as decisões que toma ao longo da vida.
    4. a vocação literária desde a infância, que o fez abandonar a fazenda pela escrita.
    5. a generosidade com os empregados, a quem divide os lucros da fazenda igualmente.
  9. José Lins do Rego, em romances como Menino de Engenho (1932) e Fogo Morto (1943), compôs o chamado ciclo da cana-de-açúcar. Nessas obras, um tema recorrente é

    1. a guerra entre gaúchos e castelhanos nas fronteiras do Sul do Brasil.
    2. a decadência dos engenhos tradicionais da Paraíba, substituídos pelas usinas modernas.
    3. a exploração da borracha na Amazônia e o drama dos seringueiros nordestinos.
    4. a expansão do café no Vale do Paraíba e a chegada da ferrovia ao litoral.
    5. a vida de operários imigrantes nas fábricas de São Paulo, no início do século XX.
  10. Em Capitães da Areia (1937), de Jorge Amado, um grupo de meninos liderado por Pedro Bala vive num trapiche abandonado, em Salvador, sobrevivendo de pequenos furtos. O romance

    1. denuncia o abandono da infância pobre e a violência das instituições.
    2. trata da seca no sertão cearense e da migração de famílias para Fortaleza.
    3. elogia o reformatório da época, mostrado como espaço de educação e de cuidado.
    4. narra a vida de jovens ricos da capital baiana em férias no litoral.
    5. apresenta os meninos como vilões, defendendo punições mais severas para eles.
  11. Compare duas formas de regionalismo na prosa brasileira.

    I. No Romantismo, em obras como O Sertanejo, de José de Alencar, o homem do interior aparece como herói valente e puro, em cenários exuberantes.
    II. No romance de 30, o homem do interior aparece marcado pela fome, pela exploração e pela violência das relações de poder.

    A diferença entre I e II indica que o regionalismo de 30

    1. abandonou o interior como tema e concentrou-se apenas na vida nas capitais.
    2. manteve integralmente a visão romântica, mudando apenas o cenário da narrativa.
    3. substituiu a prosa pela poesia, gênero que se tornou dominante no período.
    4. recusou qualquer compromisso com a realidade, em favor da fantasia pura.
    5. trocou a visão idealizada e pitoresca por uma abordagem crítica da sociedade.
  12. Explique, em um parágrafo de 8 a 12 linhas, como o contexto histórico dos anos 1930 ajuda a compreender a denúncia social presente no romance de 30. Use como exemplo uma das obras estudadas (O Quinze, Vidas Secas, São Bernardo, Fogo Morto ou Capitães da Areia).

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