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Língua Portuguesa 3ª série Prova

Pré-Modernismo: Euclides, Lima Barreto, Lobato e Augusto

Prova com 11 questões sobre o Pré-Modernismo: Os Sertões, Policarpo Quaresma, Jeca Tatu, Canaã e a poesia de Augusto dos Anjos, com foco em contexto e denúncia social.

  • 11 questões
  • cerca de 60 minutos

Língua Portuguesa, 3ª série: Pré-Modernismo: Euclides, Lima Barreto, Lobato e Augusto

  1. Sobre o chamado Pré-Modernismo brasileiro (c. 1902-1922), é correto afirmar que ele

    1. designa um período de transição, sem programa estético comum, marcado pelo olhar crítico sobre a realidade do país.
    2. concentrou-se na poesia de forma fixa, com temas mitológicos e o ideal da arte pela arte, longe da vida social.
    3. retomou o idealismo romântico, apresentando o sertanejo como herói nacional puro e livre de conflitos sociais.
    4. adotou o verso livre e o poema-piada como regra, rompendo com todas as formas literárias tradicionais.
    5. foi uma escola literária organizada em torno de um manifesto publicado por Graça Aranha no início do século.
  2. Leia o texto a seguir.

    O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.

    Euclides da Cunha, Os Sertões (1902).

    O trecho revela a influência, sobre o autor, de

    1. valores parnasianos, que buscavam descrever o ser humano de forma neutra e impessoal.
    2. concepções religiosas de Antônio Conselheiro, adotadas por Euclides durante a guerra.
    3. ideais da Semana de Arte Moderna, que valorizavam a linguagem coloquial e o humor.
    4. princípios do Romantismo, que apresentavam o homem do litoral como modelo de civilização.
    5. teorias deterministas do século XIX, que associavam o caráter humano ao meio e à ideia de raça.
  3. Os Sertões está dividido em três partes: "A Terra", "O Homem" e "A Luta". Essa organização indica que o autor pretendia

    1. explicar o conflito de Canudos a partir do meio físico e do tipo humano, seguindo um método determinista.
    2. produzir um romance de ficção em três capítulos, com narrador-personagem e enredo amoroso.
    3. narrar a vida de Antônio Conselheiro em ordem cronológica, do nascimento até a morte no arraial.
    4. defender o governo republicano, mostrando a guerra como vitória da civilização sem críticas ao massacre.
    5. registrar lendas do sertão baiano, sem relação com fatos históricos ou com dados científicos.
  4. Os Sertões tem origem no trabalho de Euclides da Cunha como correspondente de um jornal paulista. O acontecimento que o autor acompanhou e que deu origem ao livro foi

    1. a Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro, contra a vacinação obrigatória imposta pelo governo.
    2. a Revolução Farroupilha, conflito de estancieiros gaúchos contra o governo imperial.
    3. a Revolta da Chibata, em que marinheiros protestaram contra castigos físicos na Marinha.
    4. a Guerra de Canudos, no sertão da Bahia, que terminou com a destruição do arraial em 1897.
    5. a Guerra do Contestado, entre Paraná e Santa Catarina, em disputa por terras com uma ferrovia.
  5. Em Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, o protagonista envia ao Congresso um requerimento para que o tupi se torne a língua oficial do Brasil, é ridicularizado e acaba internado. Esse episódio contribui para

    1. defender que o português deveria ser abandonado no Brasil, tese central do autor no romance.
    2. mostrar que o Congresso da época acolhia com seriedade as propostas de valorização das línguas indígenas.
    3. exaltar o indianismo romântico, apresentado como o único caminho para uma verdadeira cultura nacional.
    4. provar que o narrador considera Policarpo um vilão, responsável pelos problemas políticos do país.
    5. criticar o patriotismo ingênuo e idealizado, que se choca com a realidade do país e é punido por ela.
  6. Lima Barreto foi, em vida, pouco reconhecido pela crítica oficial. Entre os aspectos de sua obra que explicam essa recepção está

    1. a escrita em língua estrangeira, que dificultava a circulação de seus romances no Brasil.
    2. a defesa aberta da elite carioca, o que desagradava aos escritores ligados aos subúrbios.
    3. a linguagem simples e próxima da fala, vista como descuidada por quem valorizava o estilo ornamental.
    4. a adesão ao indianismo, que já era considerado ultrapassado desde a geração de Gonçalves Dias.
    5. o uso de sonetos parnasianos com rimas raras, considerados difíceis demais pelos leitores comuns.
  7. Ao publicar Urupês (1918), Monteiro Lobato apresentou Jeca Tatu, caboclo indolente e acomodado à miséria. Em relação à tradição literária anterior, essa personagem

    1. retoma o herói indígena de José de Alencar, valente e nobre, transportado para o interior paulista.
    2. repete o modelo do sertanejo forte de Euclides, elogiado por sua resistência ao meio hostil.
    3. reproduz fielmente a visão dos próprios caboclos, já que o livro foi escrito por um deles.
    4. inaugura a poesia modernista, pois Jeca Tatu aparece em poemas em versos livres e sem rima.
    5. rompe com a idealização romântica do homem do campo, mostrando-o de modo caricatural e crítico.
  8. Leia o texto a seguir.

    Vês! Ninguém assistiu ao formidável
    Enterro de tua última quimera.
    Somente a Ingratidão — esta pantera —
    Foi tua companheira inseparável!

    Acostuma-te à lama que te espera!
    O Homem, que, nesta terra miserável,
    Mora, entre feras, sente inevitável
    Necessidade de também ser fera.

    Augusto dos Anjos, "Versos íntimos", em Eu (1912).

    As duas estrofes iniciais do soneto expressam

    1. a crítica ao uso de formas fixas, já que o poeta abandona a métrica e a rima nas estrofes.
    2. um tom humorístico e leve, típico do poema-piada que o autor ajudou a criar.
    3. a exaltação da natureza brasileira, com feras e paisagens que simbolizam a força do país.
    4. uma visão pessimista do ser humano, que, no convívio social, é levado a se tornar cruel.
    5. a esperança de que o amor e a amizade salvem o eu lírico da solidão e da ingratidão alheia.
  9. Leia o texto a seguir.

    Eu, filho do carbono e do amoníaco,
    Monstro de escuridão e rutilância,
    Sofro, desde a epigênese da infância,
    A influência má dos signos do zodíaco.

    Augusto dos Anjos, "Psicologia de um vencido", em Eu (1912).

    O emprego de palavras como "carbono", "amoníaco" e "epigênese" evidencia

    1. a influência do Arcadismo, que buscava palavras simples ligadas à vida pastoril e ao campo.
    2. a recusa da forma fixa, já que termos técnicos não cabem em versos com métrica regular.
    3. a adesão ao Modernismo de 1922, que exigia termos científicos em todos os poemas.
    4. o uso de vocabulário científico, raro na poesia da época, para falar da matéria e da dor.
    5. a intenção de ensinar Química ao leitor, função principal da poesia para o autor.
  10. Em Canaã (1902), de Graça Aranha, os imigrantes alemães Milkau e Lentz, recém-chegados ao Espírito Santo, discutem o futuro do Brasil: um defende a convivência e a mistura entre os povos; o outro, a dominação dos "mais fortes". O romance tematiza

    1. a seca nordestina e a migração de famílias de retirantes para as capitais do Sudeste.
    2. o debate racial da época, opondo uma visão de integração a outra de supremacia.
    3. o cotidiano dos estudantes de Direito em São Paulo, à maneira do Ultrarromantismo.
    4. a vida nos subúrbios cariocas e o racismo enfrentado por um jovem jornalista negro.
    5. a Guerra do Paraguai e a formação do Exército brasileiro no fim do Império.
  11. Euclides da Cunha, em Os Sertões, e Monteiro Lobato, em Urupês, representaram o homem do interior do Brasil de maneiras diferentes. Em um parágrafo de 8 a 10 linhas, compare essas duas representações e explique por que ambas se afastam da imagem do sertanejo idealizado do Romantismo.

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