Pular para o conteúdo

Língua Portuguesa 3ª série Prova

Prosa e poesia pós-45: Rosa, Clarice e João Cabral

Prova com 11 questões sobre a terceira fase modernista: a linguagem de Guimarães Rosa, a introspecção e a epifania em Clarice Lispector e a poesia de construção de João Cabral.

  • 11 questões
  • cerca de 70 minutos

Língua Portuguesa, 3ª série: Prosa e poesia pós-45: Rosa, Clarice e João Cabral

  1. A prosa e a poesia brasileiras produzidas a partir de meados da década de 1940 caracterizam-se, em linhas gerais, por

    1. a recusa de qualquer experimentação formal, em favor de uma linguagem jornalística.
    2. um retorno ao indianismo romântico, com heróis idealizados e paisagens exuberantes.
    3. a exclusividade da poesia-piada, herdada da fase heroica de 1922.
    4. intensa pesquisa de linguagem: invenção verbal, introspecção e rigor construtivo.
    5. o abandono do regionalismo, tema que deixou de aparecer na literatura do período.
  2. Na obra de Guimarães Rosa, a linguagem é marcada por

    1. uso exclusivo da norma-padrão lusitana, para afastar o texto da oralidade brasileira.
    2. frases curtas e secas, sem adjetivos, à maneira de Graciliano Ramos em Vidas Secas.
    3. vocabulário científico, herdado de Augusto dos Anjos, e temas ligados à química.
    4. transcrição fiel e documental da fala de vaqueiros mineiros, sem nenhuma criação do autor.
    5. neologismos, arcaísmos e sintaxe inventiva, a partir da fala sertaneja recriada.
  3. Em Grande Sertão: Veredas (1956), Riobaldo, ex-jagunço já idoso, conta sua vida a um visitante da cidade, a quem chama de "o senhor" e que nunca fala no livro. Essa forma de narrar

    1. transforma o romance em peça teatral, com rubricas e falas de várias personagens.
    2. elimina a subjetividade, já que o narrador apenas registra fatos sem opinar.
    3. alterna capítulos narrados pelo visitante e por Riobaldo, em diálogo equilibrado.
    4. cria um longo monólogo oral e não linear, em que o narrador relembra e reflete.
    5. organiza os fatos em ordem cronológica rigorosa, como num relatório policial.
  4. Entre os temas centrais de Grande Sertão: Veredas estão o amor de Riobaldo por Diadorim, cuja identidade só é revelada ao fim, e a dúvida sobre ter feito um pacto com o diabo. Esses temas mostram que, no romance,

    1. a religiosidade é ridicularizada, pois o diabo é tratado como simples piada.
    2. a história amorosa é secundária e desaparece na primeira metade do livro.
    3. o sertão é também travessia existencial, onde se discutem o amor, o bem e o mal.
    4. o sertão é apenas cenário de batalhas, sem espaço para conflitos interiores.
    5. o narrador tem certeza de todos os fatos e não demonstra dúvidas sobre sua vida.
  5. No conto "A terceira margem do rio", de Primeiras Estórias (1962), um pai manda fazer uma canoa e passa a viver no meio do rio, sem jamais voltar à margem; o filho narra a história anos depois. O título sugere

    1. o fim feliz da narrativa, quando o pai retorna e reconstrói a família.
    2. um lugar impossível, que simboliza o mistério e uma ruptura com a lógica comum da vida.
    3. a intenção de ensinar técnicas de pesca e de navegação aos leitores.
    4. um erro de geografia do narrador, que não sabia que rios têm apenas duas margens.
    5. a descrição de um rio real de Minas Gerais, famoso por ter três margens.
  6. A crítica costuma apontar a "epifania" como recurso central da ficção de Clarice Lispector. Nesse contexto, epifania é

    1. uma aparição sobrenatural que salva a personagem de um perigo físico imediato.
    2. o resumo moral da história, apresentado pelo narrador no último parágrafo.
    3. a descrição objetiva de uma paisagem, sem relação com o mundo interior das personagens.
    4. o desfecho em que o detetive revela o culpado, como nos romances policiais clássicos.
    5. uma revelação súbita de si e do mundo, despertada na personagem por um fato banal.
  7. No conto "Amor", de Laços de Família (1960), Ana, dona de casa de vida organizada, vê do bonde um cego mascando chiclete. A cena a abala profundamente e a leva a vagar pelo Jardim Botânico. Na estrutura do conto, o cego

    1. é o narrador da história, que conta em primeira pessoa como conheceu Ana.
    2. funciona como gatilho da epifania que leva Ana a questionar a própria rotina.
    3. simboliza a felicidade conjugal plena, que Ana finalmente alcança no final.
    4. é um personagem secundário, sem nenhuma importância para o conflito de Ana.
    5. representa um vilão, que persegue Ana até o Jardim Botânico para assaltá-la.
  8. Em A Hora da Estrela (1977), de Clarice Lispector, o narrador Rodrigo S.M. conta a história de Macabéa, jovem alagoana pobre que trabalha como datilógrafa no Rio de Janeiro, e comenta o tempo todo suas próprias dificuldades para escrevê-la. Esse procedimento

    1. afasta o romance de qualquer tema social, concentrando-o na vida de um escritor rico.
    2. esconde a origem nordestina da protagonista, que só é revelada no último capítulo.
    3. transforma o livro em manual de redação, com regras para escrever romances.
    4. une a metalinguagem sobre o ato de narrar à questão social da personagem excluída.
    5. elimina a presença do narrador, para que Macabéa conte sua história sem intermediários.
  9. João Cabral de Melo Neto é chamado, às vezes, de "poeta engenheiro". Essa expressão se refere

    1. à preferência por temas tecnológicos, como máquinas, computadores e foguetes.
    2. à construção racional do poema, com imagens concretas e sem sentimentalismo.
    3. ao uso de fórmulas matemáticas escritas no meio dos versos dos poemas.
    4. à inspiração espontânea, sem revisão, que o poeta defendia como método.
    5. à profissão de engenheiro civil exercida pelo poeta durante toda a vida.
  10. Morte e Vida Severina (1955), de João Cabral, é um "auto de Natal pernambucano": o retirante Severino segue o rio Capibaribe do sertão até o Recife, encontrando a morte por todo o caminho, até presenciar o nascimento de uma criança. No título, o nome próprio "Severino" transformado em adjetivo ("severina") sugere

    1. que Severino é um herói excepcional, diferente de todos os outros sertanejos.
    2. que a morte é celebrada como acontecimento feliz durante toda a obra.
    3. que o poeta errou a concordância do nome, deixando-o no feminino.
    4. que a vida dura e anônima do retirante é uma condição partilhada por muitos.
    5. que a obra narra a biografia real e documentada de um migrante famoso.
  11. Compare o foco narrativo de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, e de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. Em um parágrafo de 8 a 12 linhas, explique quem narra em cada obra e que efeito de sentido essa escolha produz.

ProvaPiloto · provapiloto.com.br

Já usou com a sua turma?

Conte com um toque. Isso ajuda outros professores a escolher.

Usei em sala Entre na sua conta para contar.

Para continuar o assunto