Língua Portuguesa 1ª série Atividade
Trovadorismo: cantigas de amor, de amigo e satíricas
Atividade com 10 questões sobre o Trovadorismo: cantigas de amor, de amigo, de escárnio e de maldizer, paralelismo, refrão, vassalagem amorosa e cancioneiros.
- 10 questões
- cerca de 55 minutos
Língua Portuguesa, 1ª série: Trovadorismo: cantigas de amor, de amigo e satíricas
Leia a cantiga.
Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?D. Dinis, cantiga de amigo (século XIII). Vocabulário: pino: pinheiro; sabedes: sabeis; u é: onde está.
O texto pertence ao gênero cantiga de amigo porque
- o eu lírico é masculino e declara sua submissão a uma dama nobre e inalcançável, a quem chama de senhora.
- o eu lírico é feminino e lamenta a ausência do amado, dirigindo-se a elementos da natureza.
- o trovador critica de forma indireta um conhecido seu, usando palavras ambíguas.
- o poema narra uma aventura de cavaleiros em busca do Santo Graal.
- o eu lírico ataca nominalmente uma pessoa, com linguagem agressiva e direta.
Na cantiga de amigo "Ai flores, ai flores do verde pino", de D. Dinis, a repetição dos versos com pequenas variações ("verde pino" / "verde ramo"; "meu amigo" / "meu amado") e a retomada de "Ai Deus, e u é?" ao fim de cada estrofe são, respectivamente,
- metáfora e hipérbole, recursos que exageram o sofrimento da moça diante da natureza.
- rima interna e enjambement, recursos típicos do soneto clássico.
- antítese e paradoxo, recursos que revelam o conflito entre fé e razão.
- paralelismo e refrão, recursos ligados à origem musical e oral das cantigas.
- aliteração e assonância, recursos criados pelos poetas simbolistas.
Na cantiga de amor, o trovador chama a amada de "mia senhor", coloca-se como seu servo e sofre a "coita", isto é, a dor de amar sem ser correspondido. Essa relação amorosa reproduz
- a relação entre o comerciante burguês e seus clientes na cidade.
- a igualdade entre homens e mulheres na nobreza medieval.
- a relação entre o padre e os fiéis durante a missa.
- o contrato de casamento combinado entre famílias camponesas.
- a relação de vassalagem entre o vassalo e o senhor feudal.
Um trovador compõe uma cantiga em que, sem dizer o nome do alvo, zomba de um cavaleiro que se gaba de coragem, usando palavras de duplo sentido para sugerir que ele foge das batalhas. Essa cantiga é classificada como
- de escárnio, pois a crítica é indireta e construída por ambiguidade e ironia.
- de maldizer, pois toda crítica feita nas cantigas medievais era direta e nomeava o alvo.
- de amigo, pois trata de um homem ausente que a mulher espera.
- de amor, pois o cavaleiro é tratado como senhor do trovador.
- épica, pois narra feitos heroicos de um cavaleiro histórico.
As cantigas trovadorescas chegaram até nós porque foram copiadas em grandes coletâneas manuscritas, como o Cancioneiro da Ajuda, o Cancioneiro da Vaticana e o Cancioneiro da Biblioteca Nacional. Esses cancioneiros são importantes porque
- provam que as cantigas eram lidas em silêncio pelos camponeses alfabetizados das aldeias portuguesas.
- foram impressos por Gutenberg para divulgar a poesia na corte portuguesa.
- preservaram como patrimônio uma produção que nasceu para ser cantada e transmitida oralmente.
- reúnem os sermões barrocos que circulavam nas igrejas portuguesas.
- registram as regras do soneto trazidas da Itália por Sá de Miranda.
As cantigas trovadorescas foram compostas em galego-português. Esse dado revela que
- os trovadores escreviam em latim clássico, a única língua aceita nas cortes medievais.
- o português daquela época já tinha exatamente a mesma forma do português falado hoje no Brasil e em Portugal.
- as cantigas eram traduções de poemas escritos originalmente em espanhol moderno.
- a poesia medieval era escrita em francês para agradar à nobreza da Provença.
- a língua literária era comum à Galiza e ao norte de Portugal, antes da separação entre galego e português.
Leia o comentário de um estudante: "Na cantiga de amigo, a moça fala da saudade do namorado, mas quem escreveu foi um homem. Isso me lembra canções de hoje compostas por homens e gravadas por cantoras, com a voz de uma mulher apaixonada." A comparação feita pelo estudante é
- inadequada, pois na cantiga de amigo quem fala é sempre o próprio autor, sem a criação de um eu lírico.
- pertinente, pois a voz feminina criada por um autor homem é uma permanência da cantiga de amigo.
- inadequada, pois as cantigas medievais não tinham relação com a música.
- pertinente, pois as cantigas de amigo eram compostas apenas por mulheres da nobreza.
- inadequada, pois a canção atual não pode ser comparada a textos de outras épocas.
Além da poesia, o Trovadorismo conheceu a prosa das novelas de cavalaria, como A demanda do Santo Graal. Essas narrativas
- criticavam duramente a Igreja e defendiam uma visão de mundo sem nenhuma religião.
- retratavam o cotidiano de operários nas fábricas das cidades medievais.
- eram peças teatrais encenadas para criticar os vícios da sociedade.
- exaltavam cavaleiros cristãos, unindo aventura, honra e valores religiosos.
- descreviam as terras do Brasil para informar o rei de Portugal.
Julgue a afirmação: nas cantigas de maldizer, a crítica é feita de maneira direta, muitas vezes com a nomeação da pessoa satirizada e uso de linguagem grosseira.
( ) Verdadeiro ( ) Falso
Componha duas estrofes de uma cantiga de amigo ambientada nos dias de hoje (por exemplo, uma jovem que espera notícias de alguém que foi trabalhar em outra cidade). Mantenha três traços do gênero: eu lírico feminino, paralelismo entre as estrofes e um refrão. Depois, explique em duas linhas onde cada traço aparece no seu texto.
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