Língua Portuguesa 2ª série Atividade
Gonçalves Dias e o indianismo romântico
Atividade com 10 questões sobre Gonçalves Dias e a primeira geração romântica: nacionalismo, Canção do exílio, I-Juca-Pirama, indianismo e as releituras desse projeto literário.
- 10 questões
- cerca de 55 minutos
Língua Portuguesa, 2ª série: Gonçalves Dias e o indianismo romântico
Leia as estrofes.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.Gonçalves Dias, "Canção do exílio", Primeiros cantos. O poema é datado de Coimbra, julho de 1843.
Considerando que o poema foi escrito em Coimbra, em Portugal, as palavras "aqui" e "lá" referem-se, respectivamente,
- ao Brasil e a Portugal.
- a Portugal e ao Brasil.
- à cidade do Rio de Janeiro e ao interior do Maranhão.
- ao céu estrelado e às várzeas floridas do sertão.
- ao passado da infância e ao futuro sonhado pelo poeta.
Leia a segunda estrofe da "Canção do exílio", de Gonçalves Dias.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.A repetição de "Nosso" e "Nossas" e o uso de "mais" produzem o efeito de
- criticar a natureza do Brasil, considerada pobre se comparada à de Portugal.
- descrever de forma científica e neutra a fauna e a flora da colônia.
- lamentar a destruição das matas brasileiras pelos colonizadores europeus.
- exaltar a natureza brasileira, apresentada como superior à europeia.
- mostrar que o poeta prefere viver em Portugal a voltar para o Brasil.
A primeira geração romântica brasileira, à qual pertence Gonçalves Dias, desenvolveu-se nas décadas seguintes à Independência (1822). Nesse contexto, a valorização da natureza e do indígena atendia ao projeto de
- defender o retorno do Brasil à condição de colônia de Portugal e de suas leis.
- imitar fielmente a poesia árcade, com pastores gregos e ninfas.
- construir uma identidade nacional própria, distinta da portuguesa.
- denunciar a escravidão africana, tema central dessa geração.
- aproximar a literatura brasileira dos modelos do Barroco espanhol.
Leia os versos.
No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos — cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d'altiva nação;Gonçalves Dias, "I-Juca-Pirama", Últimos cantos (1851). Tabas: aldeias; alteiam-se: erguem-se.
A expressão "altiva nação", referida ao povo indígena, revela
- o desprezo do poeta pelos povos indígenas, vistos como inferiores.
- a descrição realista e documental de uma aldeia, baseada em pesquisa de campo.
- a crítica aos indígenas por não aceitarem a catequese dos jesuítas.
- o desconhecimento do poeta sobre a existência de povos no Brasil.
- a idealização heroica do indígena, apresentado como povo nobre e orgulhoso.
Em "I-Juca-Pirama", um guerreiro tupi capturado pelos Timbiras chora diante da morte, pedindo para cuidar do pai cego. É libertado como covarde, mas o pai o amaldiçoa, e ele volta para lutar e provar seu valor. O conflito central do poema envolve
- a tensão entre o amor filial e o código de honra guerreiro.
- a disputa entre jesuítas e colonos pela posse das terras indígenas.
- a viagem de navegadores portugueses em busca de riquezas no Oriente.
- o amor proibido entre um guerreiro indígena e uma jovem portuguesa.
- a fuga de pessoas escravizadas para um quilombo no sertão.
A crítica atual costuma observar que o indígena dos poemas românticos se parece com o cavaleiro medieval europeu. Essa observação significa que
- os poetas românticos conheciam profundamente as línguas e os costumes indígenas do Brasil.
- os povos indígenas brasileiros usavam armaduras e espadas como os europeus.
- o herói indígena foi construído com valores europeus, e não das culturas indígenas.
- o Romantismo brasileiro rejeitou qualquer influência da literatura europeia.
- os indígenas eram retratados como vilões, sempre derrotados pelos cavaleiros.
A Canção do exílio é um dos textos mais retomados da literatura brasileira: inspirou versos do Hino Nacional e inúmeras paródias, inclusive de poetas modernistas, que trocaram a exaltação por ironia e crítica social. Esse fenômeno exemplifica
- o plágio, pois os autores posteriores copiaram o poema sem indicar a fonte.
- a intertextualidade, pela qual um texto dialoga com outro e o ressignifica.
- a variação linguística regional, pois o poema foi escrito no Maranhão.
- a função fática da linguagem, que testa o canal de comunicação.
- o fim do Romantismo, que deixou de ser lido depois de 1922.
No verso "Onde canta o Sabiá", da "Canção do exílio", de Gonçalves Dias, a escolha do sabiá, ave típica do Brasil, e a grafia com inicial maiúscula, adotada em várias edições do poema,
- indicam que Sabiá é o nome próprio de um amigo do poeta que ficou no Brasil.
- mostram um erro de ortografia corrigido nas edições mais recentes.
- revelam que o poeta desconhecia as aves que vivem em Portugal.
- sugerem que o canto do pássaro incomoda o eu lírico no exílio.
- transformam o pássaro em símbolo da pátria distante.
Julgue a afirmação: o nacionalismo da primeira geração romântica se manifesta, entre outros aspectos, na exaltação da natureza brasileira e na escolha do indígena como herói nacional.
( ) Verdadeiro ( ) Falso
Escreva uma estrofe de quatro versos que dialogue com a Canção do exílio, mas falando de um "exílio" atual: por exemplo, alguém que se mudou do interior para a capital, ou de um estado para outro. Mantenha a oposição entre "aqui" e "lá". Depois, explique em duas linhas que relação de intertextualidade (homenagem, paródia ou crítica) você estabeleceu com o poema de Gonçalves Dias.
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