Pular para o conteúdo

Filosofia 2ª série Atividade

Filosofia da ciência: Popper, Kuhn e o consenso científico

Atividade com 11 questões de filosofia da ciência: falseabilidade em Popper, paradigmas em Kuhn, obstáculos de Bachelard, normas de Merton, princípio da precaução, IPCC e negacionismo.

  • 11 questões
  • cerca de 55 minutos

Filosofia, 2ª série: Filosofia da ciência: Popper, Kuhn e o consenso científico

  1. Para Karl Popper, em A lógica da pesquisa científica (1934), uma teoria é científica quando é falseável, isto é, quando pode, em princípio, ser contrariada por alguma observação ou experimento.

    Segundo esse critério, qual enunciado é científico?

    1. "Algum dia, em algum lugar, algo extraordinário acontecerá."
    2. "Tudo o que acontece tem um sentido que não podemos conhecer."
    3. "Talvez chova amanhã, ou talvez não chova em lugar nenhum."
    4. "Ao nível do mar, a água pura ferve a 100 °C."
    5. "Existem forças invisíveis que nunca deixam qualquer vestígio."
  2. A teoria da relatividade geral, de Einstein, previa que a luz das estrelas seria desviada ao passar perto do Sol. Em 1919, durante um eclipse, expedições lideradas por Arthur Eddington mediram esse desvio. Popper admirava o episódio porque a teoria

    1. foi aceita sem testes, apenas pelo prestígio de seu autor entre os físicos.
    2. explicava qualquer resultado possível, de modo que não poderia falhar.
    3. dispensava a matemática e se apoiava somente na intuição do cientista.
    4. foi comprovada de forma definitiva, sem possibilidade de revisão futura.
    5. fez uma previsão arriscada, que poderia ter sido desmentida pela observação.
  3. Um horóscopo publicado em uma rede social diz: "Neste mês, você enfrentará desafios, mas poderá superá-los se confiar em si". Muitos leitores afirmam que a previsão se confirmou.

    Do ponto de vista de Popper, o fato de a previsão parecer sempre confirmada

    1. é um defeito, porque um enunciado compatível com tudo não pode ser testado.
    2. prova que a astrologia tem o mesmo método da física e da química.
    3. mostra que quanto mais confirmações uma teoria tem, mais científica ela é.
    4. indica que os leitores interpretaram mal uma teoria rigorosa e precisa.
    5. garante que a previsão é verdadeira, já que ninguém conseguiu refutá-la.
  4. Em A estrutura das revoluções científicas (1962), Thomas Kuhn chama de ciência normal a atividade dos cientistas que trabalham dentro de um paradigma. Nesse período, os pesquisadores

    1. questionam diariamente os fundamentos da disciplina e os substituem com frequência.
    2. resolvem problemas usando teorias, métodos e exemplos aceitos pela comunidade.
    3. trabalham isolados, sem compartilhar critérios com outros cientistas da área.
    4. abandonam o paradigma assim que surge o primeiro resultado inesperado.
    5. rejeitam qualquer teoria e se dedicam apenas a coletar dados sem interpretação.
  5. Leia as duas descrições do trabalho científico.

    I. O cientista deve tentar refutar suas teorias e abandonar aquelas que falham nos testes.

    II. Historicamente, os cientistas tendem a manter o paradigma mesmo diante de anomalias; só quando elas se acumulam surge uma crise, que pode levar a uma revolução científica.

    As descrições I e II correspondem, respectivamente, às posições de

    1. Kuhn, que defende a falseabilidade, e Popper, que descreve a ciência normal.
    2. Bacon, que defende a indução, e Descartes, que defende a dúvida metódica.
    3. Popper, que propõe um critério normativo, e Kuhn, que parte da história da ciência.
    4. Popper e Kuhn, que concordam que uma anomalia basta para mudar a teoria.
    5. Kuhn, que rejeita a história da ciência, e Popper, que nega o valor dos testes empíricos.
  6. Para o filósofo francês Gaston Bachelard, em A formação do espírito científico (1938), o conhecimento científico avança superando obstáculos epistemológicos. Um desses obstáculos é a experiência imediata: aquilo que parece evidente aos sentidos e ao senso comum.

    Qual situação ilustra esse obstáculo?

    1. Repetir um experimento várias vezes para verificar se o resultado se mantém.
    2. Supor que objetos mais pesados sempre caem mais rápido porque é o que parece.
    3. Submeter um artigo à avaliação de outros pesquisadores antes de publicá-lo.
    4. Usar instrumentos de medida para corrigir as impressões dos sentidos.
    5. Formular uma hipótese e planejar um teste que possa contrariá-la.
  7. O sociólogo Robert Merton descreveu, em 1942, algumas normas que orientam a comunidade científica. Uma delas é o ceticismo organizado: as afirmações científicas devem passar pelo exame crítico de outros pesquisadores antes de serem aceitas.

    Uma prática que expressa essa norma é

    1. a aceitação imediata de uma descoberta anunciada por um cientista famoso.
    2. a divulgação de resultados apenas em redes sociais, sem descrição do método.
    3. a recusa em compartilhar dados para que ninguém possa conferir a pesquisa.
    4. a escolha de conclusões de acordo com o interesse de quem financiou o estudo.
    5. a revisão por pares e a tentativa de outros grupos de replicar um resultado.
  8. A Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, aprovada em 1992, estabelece em seu Princípio 15 que, quando houver ameaça de danos graves ou irreversíveis, a ausência de certeza científica absoluta não deve ser usada como razão para adiar medidas eficazes de prevenção da degradação ambiental.

    Um novo agrotóxico apresentou, em estudos preliminares, indícios de prejudicar abelhas, mas as pesquisas ainda não são conclusivas. A conduta coerente com esse princípio é

    1. liberar o uso sem restrições até que exista prova definitiva de dano.
    2. proibir para sempre qualquer pesquisa sobre agrotóxicos e polinizadores.
    3. ignorar os estudos preliminares, porque toda ciência é mera opinião.
    4. adotar medidas de proteção enquanto se aprofundam as pesquisas sobre o risco.
    5. deixar que cada agricultor decida sozinho, sem nenhum tipo de regulação pública.
  9. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, não realiza pesquisas próprias: milhares de cientistas avaliam a literatura científica publicada e elaboram relatórios periódicos.

    Do ponto de vista da filosofia da ciência, o consenso expresso nesses relatórios se distingue de uma simples opinião da maioria porque

    1. resulta da avaliação sistemática de evidências e continua aberto a revisão.
    2. é uma verdade definitiva, que nenhuma nova evidência poderá modificar.
    3. é obtido por votação das preferências pessoais de cada pesquisador.
    4. é imposto pelos governos aos cientistas, que apenas assinam os textos.
    5. dispensa dados e se apoia somente na autoridade dos cientistas mais velhos.
  10. Em Contra o método (1975), Paul Feyerabend argumentou que não existe um método científico único e fixo e que a história da ciência mostra avanços obtidos por caminhos muito variados.

    (   ) Verdadeiro   (   ) Falso

  11. Duvidar faz parte da ciência. Mas há diferença entre o ceticismo científico e o negacionismo, que rejeita conclusões bem estabelecidas sem apresentar evidências de mesmo nível.

    a) Explique essa diferença, usando pelo menos uma ideia de Popper ou de Kuhn.

    b) Dê um exemplo de como um cidadão pode avaliar se uma crítica a uma conclusão científica é legítima.

ProvaPiloto · provapiloto.com.br

Já usou com a sua turma?

Conte com um toque. Isso ajuda outros professores a escolher.

Usei em sala Entre na sua conta para contar.

Para continuar o assunto