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Língua Portuguesa 2ª série Simulado

Simulado de Linguagens: cultura digital, remix e autoria

Simulado com 12 questões no estilo ENEM sobre adaptação entre mídias, narrativa transmídia, fanfic, licenças Creative Commons, roteiro, videominuto, memes, deepfakes e lives.

  • 12 questões
  • cerca de 50 minutos

Língua Portuguesa, 2ª série: Simulado de Linguagens: cultura digital, remix e autoria

  1. Leia o texto, escrito para este simulado.

    Quando um romance vira série, não basta “passar o livro para a tela”. O narrador que comentava tudo precisa ser substituído por imagens, trilha e atuação; capítulos inteiros podem virar uma única cena, e personagens secundárias às vezes ganham episódios próprios. A adaptação é, ao mesmo tempo, leitura e reinvenção da obra.

    O texto defende que a adaptação de uma obra para outra mídia

    1. é sempre inferior ao original, porque elimina o narrador.
    2. só é possível quando o livro foi escrito pensando na televisão, como acontece com as novelas em folhetim.
    3. deve reproduzir fielmente cada capítulo, sem alterar nenhum elemento.
    4. dispensa a leitura da obra original, que perde a razão de existir.
    5. transforma a obra ao traduzi-la para os recursos da nova linguagem.
  2. Uma produtora lançou uma série de mistério e, ao mesmo tempo, criou perfis nas redes sociais para as personagens, um podcast com “depoimentos” de testemunhas e um jogo on-line com pistas que só aparecem ali. Esse modo de contar uma história em várias plataformas, cada uma acrescentando algo ao enredo, é chamado de

    1. narrativa oral tradicional.
    2. resenha crítica.
    3. plágio coletivo.
    4. narrativa transmídia.
    5. tradução literal.
  3. Em uma plataforma de escrita, uma estudante publica histórias em que personagens de uma saga famosa vivem aventuras inéditas, e os leitores comentam e sugerem rumos. Essa prática, chamada fanfic, revela que, na cultura digital,

    1. os fãs são proibidos de escrever sobre personagens criados por outros autores, em qualquer situação.
    2. a leitura passou a ser uma atividade solitária, sem troca entre os leitores.
    3. leitores se tornam também autores, recriando universos ficcionais de forma colaborativa.
    4. o autor original é obrigado a seguir as sugestões dos fãs em seus próximos livros.
    5. as obras de ficção são sempre de domínio público assim que são lançadas.
  4. Um estudante quer usar, em um vídeo para a escola, uma música publicada com a licença Creative Commons CC BY-NC (atribuição, não comercial). Ele pode usar a música desde que

    1. dê crédito ao autor e não use o vídeo para fins comerciais.
    2. não diga quem é o autor, para evitar problemas de direitos autorais.
    3. pague direitos ao autor, mesmo que o vídeo seja apenas escolar e não tenha nenhum fim lucrativo.
    4. altere o nome da música e a apresente como composição própria.
    5. venda o vídeo, já que a licença permite qualquer uso.
  5. Leia o trecho de um roteiro de vídeo escolar.

    CenaImagemSom
    1Plano aberto do portão da escola às 6h50; alunos chegando.Ruído de ônibus; música baixa.
    2Close de um relógio marcando 7h.Sinal da escola.

    A organização em colunas de imagem e som indica que o roteiro

    1. dispensa a gravação, porque a tabela já substitui o vídeo final.
    2. registra uma notícia, com lide e pirâmide invertida.
    3. é um texto literário, escrito para ser lido em voz alta e não para ser filmado.
    4. organiza um questionário de pesquisa, com perguntas fechadas.
    5. planeja juntos o que será visto e ouvido em cada cena, orientando a gravação.
  6. Um festival escolar de videominutos exige que cada filme tenha, no máximo, 60 segundos, incluindo os créditos. Para produzir um videominuto narrativo eficiente, a equipe deve

    1. dividir o filme em capítulos de dez minutos, publicados separadamente em uma plataforma de vídeos.
    2. concentrar a história em um único conflito, com poucas cenas e personagens.
    3. incluir muitas personagens e subtramas para mostrar criatividade.
    4. deixar os créditos de fora, já que eles não contam no tempo.
    5. usar longas falas explicativas, para que o espectador entenda tudo.
  7. Uma vlogueira de ciências começa seus vídeos sempre com uma pergunta curiosa, como “Por que o céu é azul, e não roxo?”, antes de se apresentar. Essa escolha de roteiro tem a função de

    1. informar a duração do vídeo e o horário em que foi gravado.
    2. testar se o microfone está funcionando antes de começar a gravação.
    3. prender a atenção do público nos primeiros segundos com um gancho.
    4. esconder o tema do vídeo para que o público desista de assistir até o final da explicação.
    5. dispensar a explicação científica, já que a pergunta é suficiente.
  8. Em uma enciclopédia colaborativa on-line, qualquer pessoa pode editar os verbetes, mas as alterações ficam registradas, outros editores revisam o conteúdo e afirmações sem fonte podem ser marcadas ou removidas. Esse funcionamento mostra que a produção colaborativa em ambientes digitais

    1. depende de regras compartilhadas e de verificação mútua para manter a qualidade.
    2. impede qualquer erro, já que muitas pessoas leem os textos.
    3. dispensa o uso de fontes, pois o conhecimento é construído pela opinião da maioria.
    4. torna impossível saber quem alterou o conteúdo e quando.
    5. permite apenas a participação de especialistas com diploma universitário, previamente cadastrados pela plataforma.
  9. Um meme muito compartilhado usa a cena de um filme famoso, em que uma personagem olha assustada para uma porta, com a legenda: “Eu quando a professora diz ‘pegue uma folha’”. O efeito humorístico do meme depende

    1. de o leitor desconhecer a cena original, para ser surpreendido.
    2. da leitura do roteiro completo do filme, sem o qual o meme não faz sentido.
    3. da informação de que o filme foi gravado em uma escola.
    4. da imparcialidade da legenda, que descreve objetivamente a imagem.
    5. do reconhecimento da imagem original e de sua aplicação a uma situação nova e cotidiana.
  10. Circulou nas redes um vídeo em que um político parece dizer frases que nunca pronunciou, com voz e movimentos da boca criados por inteligência artificial. Esse tipo de conteúdo, conhecido como deepfake, exige do público

    1. aceitação, desde que o vídeo tenha boa qualidade de imagem e som.
    2. compartilhamento imediato, para alertar o maior número possível de pessoas.
    3. indiferença, porque montagens não têm consequências na vida real.
    4. desconfiança diante de vídeos chocantes e busca por confirmação em fontes confiáveis.
    5. confiança total, já que vídeos são provas incontestáveis de que algo aconteceu.
  11. Durante uma transmissão ao vivo, um escritor responde às perguntas que os espectadores escrevem no chat, cumprimenta quem chega e muda o rumo da conversa conforme os comentários. Essa situação mostra que, na live,

    1. não há relação entre o que o escritor diz e o que os espectadores escrevem.
    2. o público interfere em tempo real na construção do conteúdo.
    3. o conteúdo é gravado com antecedência e editado antes de ir ao ar.
    4. a interação só é possível depois que a transmissão termina, nos comentários do vídeo gravado.
    5. o público apenas assiste, sem possibilidade de interação.
  12. Leia o texto, escrito para este simulado.

    A cultura do remix não nasceu com a internet. Os poetas sempre reescreveram poetas, a música popular sempre misturou ritmos, e o cordel sempre recontou histórias antigas. O que a rede mudou foi a escala: hoje, milhões recombinam imagens, sons e textos todos os dias. Por isso, mais do que proibir a cópia, é preciso ensinar a diferença entre recriar com crédito e se apropriar sem reconhecer.

    A tese defendida pelo autor é a de que

    1. a escala da internet torna impossível distinguir criação de cópia, por isso não vale a pena discutir o assunto.
    2. o cordel e a música popular são cópias sem valor, que deveriam ser esquecidas.
    3. o remix é prática antiga, ampliada pela rede, e precisa ser feito com reconhecimento das fontes.
    4. a internet inventou o remix, que antes era desconhecido na literatura e na música.
    5. toda cópia deve ser proibida, porque o remix destrói a criatividade dos artistas.

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