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Língua Portuguesa 2ª série Prova

Simbolismo: musicalidade, sinestesia e espiritualidade

Prova com 11 questões sobre o Simbolismo: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens, musicalidade, aliteração, sinestesia, maiúsculas alegorizantes, misticismo e o contraste com o Parnasianismo.

  • 11 questões
  • cerca de 60 minutos

Língua Portuguesa, 2ª série: Simbolismo: musicalidade, sinestesia e espiritualidade

  1. Leia a estrofe.

    Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
    De luares, de neves, de neblinas!
    Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
    Incensos dos turíbulos das aras...

    Cruz e Sousa, "Antífona", Broquéis (1893). Turíbulos: vasos em que se queima incenso; aras: altares.

    A insistência em palavras como "alvas", "brancas", "claras", "luares", "neves" e "neblinas" cria

    1. uma descrição precisa e objetiva de uma paisagem de inverno europeu.
    2. uma atmosfera vaga e espiritual, marcada pela obsessão pela brancura.
    3. uma crítica social às condições de trabalho nas cidades industriais.
    4. um ambiente alegre e festivo, típico das celebrações populares.
    5. uma narrativa com personagens, conflito e desfecho bem definidos.
  2. No poema "Antífona", palavras como "Formas" aparecem com inicial maiúscula no meio do verso. Esse recurso, frequente no Simbolismo,

    1. indica que são nomes próprios de pessoas conhecidas do poeta.
    2. corrige um erro de impressão presente nas primeiras edições.
    3. marca o início de cada frase, conforme as regras de pontuação.
    4. transforma termos comuns em entidades abstratas e quase sagradas.
    5. assinala palavras estrangeiras que o leitor deve traduzir.
  3. Leia a estrofe.

    Vozes veladas, veludosas vozes,
    Volúpias dos violões, vozes veladas,
    Vagam nos velhos vórtices velozes
    Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

    Cruz e Sousa, "Violões que choram", Faróis (1900).

    A repetição do som /v/ em quase todas as palavras é um caso de

    1. aliteração, que imita o som vibrante e lamentoso dos violões.
    2. antítese, que opõe ideias contrárias no mesmo verso.
    3. metonímia, que troca o instrumento pelo nome do músico que o toca.
    4. hipérbato, que inverte a ordem direta das palavras.
    5. pleonasmo, que repete a mesma ideia de modo redundante.
  4. Em "Vozes veladas, veludosas vozes", o adjetivo "veludosas" (macias como veludo) atribui às vozes uma qualidade do tato. Essa mistura de sensações caracteriza

    1. a hipérbole.
    2. o eufemismo.
    3. a catacrese.
    4. a sinestesia.
    5. a prosopopeia.
  5. Leia as estrofes.

    Quando Ismália enlouqueceu,
    Pôs-se na torre a sonhar...
    Viu uma lua no céu,
    Viu outra lua no mar.

    [...]

    As asas que Deus lhe deu
    Ruflaram de par em par...
    Sua alma subiu ao céu,
    Seu corpo desceu ao mar...

    Alphonsus de Guimaraens, "Ismália" (primeira e última estrofes).

    A imagem das duas luas, uma no céu e outra no mar, representa

    1. um fenômeno astronômico raro observado pela personagem do alto da torre.
    2. a alegria de Ismália ao contemplar a paisagem marítima.
    3. a divisão de Ismália entre o mundo espiritual e o mundo material.
    4. a lembrança de uma viagem de navio feita na infância.
    5. o desejo de Ismália de se tornar uma pescadora.
  6. Leia a última estrofe de "Ismália", de Alphonsus de Guimaraens.

    As asas que Deus lhe deu
    Ruflaram de par em par...
    Sua alma subiu ao céu,
    Seu corpo desceu ao mar...

    Nessa estrofe, a morte da personagem é apresentada

    1. de modo sugestivo e espiritualizado, sem descrição realista da queda.
    2. com detalhes objetivos e científicos da queda, ao modo dos naturalistas.
    3. como castigo divino pela loucura da personagem.
    4. como cena cômica, para aliviar a tensão do poema.
    5. por meio de um diálogo entre Ismália e o narrador.
  7. O Simbolismo é considerado uma reação ao Parnasianismo e ao cientificismo do Realismo e do Naturalismo porque

    1. defende que a poesia deve descrever objetos e paisagens com precisão de fotografia.
    2. valoriza o mistério, o inconsciente e o espiritual, em vez da descrição objetiva.
    3. rejeita a musicalidade e prefere a linguagem seca dos relatórios.
    4. retoma o indianismo como projeto de identidade nacional brasileira.
    5. propõe uma literatura de denúncia baseada em teorias deterministas.
  8. Cruz e Sousa (1861-1898), filho de pessoas escravizadas, nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Apesar do talento reconhecido, enfrentou o racismo: chegou a ser impedido de assumir um cargo público por ser negro. Esse dado biográfico

    1. mostra que o racismo não existia no Brasil do século XIX.
    2. prova que ele foi um poeta pouco lido e sem importância.
    3. indica que ele escreveu somente sobre temas alegres e leves.
    4. revela que ele viveu toda a vida longe do Brasil, em diferentes cidades da Europa.
    5. ajuda a compreender a dor e a revolta presentes em parte de sua obra.
  9. O poeta francês Paul Verlaine escreveu que a poesia deveria buscar "a música antes de tudo". No Simbolismo brasileiro, essa ideia se concretiza

    1. na preferência por textos em prosa, sem ritmo nem sonoridade.
    2. na eliminação das rimas e da métrica regular dos poemas.
    3. no uso intenso de aliterações, assonâncias, ritmo e repetições sonoras.
    4. na inclusão de partituras musicais impressas ao lado dos versos.
    5. no uso exclusivo de palavras de origem estrangeira.
  10. Julgue a afirmação: o Simbolismo brasileiro tem como marco inicial a publicação de Missal e Broquéis, de Cruz e Sousa, em 1893.

    (   ) Verdadeiro   (   ) Falso

  11. Releia a estrofe de "Violões que choram", de Cruz e Sousa: "Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes veladas, / Vagam nos velhos vórtices velozes / Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas." Em um parágrafo de 8 a 10 linhas, explique como os recursos sonoros e as imagens da estrofe produzem sentido. Depois, compare-a com o ideal parnasiano de descrição nítida e objetiva, indicando uma diferença.

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