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Língua Portuguesa 3ª série Atividade

Literatura e artes visuais: diálogos no século XX

Atividade com 10 questões sobre diálogos entre literatura e pintura: Anita Malfatti, Semana de 22, Tarsila, Portinari e Segall, com fruição, contexto e análise de composição.

  • 10 questões
  • cerca de 50 minutos

Língua Portuguesa, 3ª série: Literatura e artes visuais: diálogos no século XX

  1. Em 1917, Anita Malfatti expôs em São Paulo telas com cores fortes e formas deformadas, influenciadas pelas vanguardas europeias. Monteiro Lobato publicou um artigo duríssimo contra a exposição, e parte do público devolveu quadros já comprados. O episódio, mais tarde visto como marco do Modernismo, revela

    1. a disputa entre o gosto acadêmico dominante e uma nova linguagem que buscava legitimidade.
    2. a ausência de qualquer relação entre a pintura e o movimento modernista literário.
    3. a recusa de Anita Malfatti em estudar fora do Brasil, para evitar influências estrangeiras.
    4. a defesa, por Monteiro Lobato, de que a arte deveria abandonar a representação realista.
    5. o apoio unânime da crítica brasileira às vanguardas europeias desde o início do século XX.
  2. A tela Operários (1933), de Tarsila do Amaral, mostra dezenas de rostos de homens e mulheres de diferentes origens étnicas, lado a lado, diante de chaminés de fábricas. Relacionando a obra ao contexto, conclui-se que ela

    1. ilustra um poema indianista do século XIX, com guerreiros tupis e paisagem de mata.
    2. representa a classe trabalhadora diversa da industrialização paulista, num olhar social.
    3. segue o modelo acadêmico de retratos individuais encomendados por famílias ricas.
    4. abandona a figura humana e propõe uma pintura totalmente abstrata, sem referências reais.
    5. retrata a aristocracia do café em uma festa, celebrando o luxo das elites rurais.
  3. Em Retirantes (1944), Candido Portinari pinta uma família magra e de olhos fundos atravessando uma paisagem seca, sob um céu escuro, com urubus ao fundo. A obra dialoga com romances como Vidas secas (1938), de Graciliano Ramos, porque ambos

    1. narram a viagem de imigrantes europeus para as fazendas de café.
    2. seguem o ideal parnasiano de arte pela arte, sem preocupação social.
    3. celebram a vida no sertão como lugar de abundância e alegria.
    4. retratam a vida da elite urbana do Rio de Janeiro nos anos 1940.
    5. denunciam a miséria e a migração forçada provocadas pela seca no Nordeste.
  4. A Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro de 1922 no Theatro Municipal de São Paulo, reuniu exposição de artes plásticas, recitais de poesia, conferências e concertos com obras de Heitor Villa-Lobos. Essa programação mostra que o evento

    1. apresentou apenas obras de artistas europeus convidados para a ocasião.
    2. teve como objetivo celebrar a arte acadêmica e os mestres do século XIX.
    3. integrou várias linguagens artísticas em torno da renovação estética.
    4. aconteceu no Rio de Janeiro, então capital da República, por iniciativa do governo federal.
    5. foi exclusivamente literário, sem a participação de pintores ou músicos.
  5. O Cubismo, vanguarda europeia do início do século XX, decompõe os objetos em planos e os mostra de vários ângulos ao mesmo tempo. Na poesia modernista brasileira, um efeito semelhante aparece quando

    1. o eu lírico expressa, de forma linear, a saudade da infância no campo.
    2. o poema justapõe fragmentos simultâneos, sem narrativa linear.
    3. o texto narra uma história em ordem cronológica, com começo, meio e fim.
    4. o poeta usa sonetos rimados com vocabulário raro, seguindo modelos clássicos.
    5. o poema imita as cantigas medievais, com refrão e paralelismo.
  6. Em Café (1935), de Portinari, os trabalhadores de uma fazenda aparecem em primeiro plano, com pés e mãos enormes, carregando sacas, enquanto o horizonte fica baixo e a plantação se estende ao fundo. A composição e as proporções da cena produzem o efeito de

    1. dar monumentalidade ao trabalhador, destacando a força física do trabalho braçal.
    2. ridicularizar os trabalhadores, retratados como figuras minúsculas.
    3. criar uma paisagem vazia e abstrata, sem figuras humanas.
    4. esconder os trabalhadores, que quase não aparecem na tela.
    5. valorizar o fazendeiro, que ocupa o centro da composição.
  7. A obra de Portinari tematiza o café, a seca, o trabalho e a infância no interior. Em 1957, os painéis Guerra e Paz, pintados por ele e oferecidos pelo Brasil, foram inaugurados na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York. A trajetória do pintor permite relacionar a arte

    1. à defesa da guerra como forma de progresso das nações.
    2. apenas à decoração de ambientes, sem relação com temas sociais ou políticos.
    3. exclusivamente ao mercado europeu, já que suas obras nunca foram expostas no Brasil.
    4. à vida econômica, social e política de seu tempo.
    5. à imitação fiel de pintores renascentistas, sem temas brasileiros.
  8. Durante uma visita a um museu, uma turma tem uma hora para conhecer uma exposição de arte moderna. A atitude que mais favorece a fruição estética das obras é

    1. ler apenas as etiquetas com nomes e datas, sem observar as pinturas.
    2. fotografar todas as obras rapidamente, sem olhar para elas, para ver depois em casa.
    3. procurar a obra mais cara da exposição e ignorar as outras.
    4. decidir antes da visita que arte moderna não tem valor e não precisa ser vista.
    5. observar algumas obras com calma e conversar sobre as impressões.
  9. Navio de emigrantes (1939-1941), de Lasar Segall, artista nascido na Lituânia e radicado no Brasil, mostra um convés lotado de pessoas amontoadas, com rostos cansados, em tons sombrios. Considerando o contexto de produção, a obra pode ser lida como

    1. reflexão sobre o deslocamento forçado de pessoas em tempo de guerra.
    2. propaganda de uma companhia de navegação que oferecia viagens de luxo.
    3. celebração alegre da chegada de turistas aos portos brasileiros.
    4. ilustração de um poema épico português sobre as navegações do século XVI.
    5. estudo puramente técnico de embarcações, sem interesse pelas figuras humanas.
  10. Escolha uma das pinturas descritas abaixo e escreva um texto de seis a oito linhas relacionando-a a uma obra literária brasileira do século XX que você conheça, como Vidas secas, O Quinze, Morte e vida severina ou outra. Explique o tema comum e uma diferença entre a linguagem da pintura e a da literatura.

    I. Retirantes (1944), de Portinari: família magra atravessando uma paisagem seca, com urubus ao fundo.
    II. Operários (1933), de Tarsila do Amaral: dezenas de rostos de trabalhadores de diferentes origens diante de fábricas.

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