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Filosofia 2ª série Prova

Iluminismo: tolerância, progresso e paz perpétua

Prova com 11 questões sobre o Iluminismo: a Enciclopédia, Voltaire e Locke sobre a tolerância, Montesquieu, Rousseau e Condorcet, Beccaria, os direitos da mulher e a paz perpétua de Kant.

  • 11 questões
  • cerca de 60 minutos

Filosofia, 2ª série: Iluminismo: tolerância, progresso e paz perpétua

  1. O filósofo francês Denis Diderot e o matemático Jean le Rond d'Alembert dirigiram a Enciclopédia, publicada a partir de 1751, que reunia verbetes sobre ciências, artes e ofícios e criticava, muitas vezes de forma indireta, a intolerância religiosa e os privilégios.

    Esse projeto expressa uma característica central do Iluminismo, que é

    1. a defesa de que o conhecimento deve ficar restrito ao clero e aos nobres.
    2. a recusa das ciências naturais em favor da revelação religiosa como única fonte.
    3. a valorização da tradição como critério suficiente para decidir o que é verdadeiro.
    4. a confiança na razão e no saber como instrumentos de crítica e de emancipação.
    5. o desprezo pelos ofícios manuais, considerados indignos de estudo pelos filósofos.
  2. Em 1762, o comerciante protestante Jean Calas foi executado em Toulouse, na França, acusado, sem provas consistentes, de ter matado o próprio filho para impedir que ele se convertesse ao catolicismo. Voltaire reagiu publicando, em 1763, o Tratado sobre a tolerância e mobilizou a opinião pública até que o caso fosse revisto.

    A atuação de Voltaire nesse episódio tinha como objetivo principal

    1. defender que o protestantismo se tornasse a religião oficial da França.
    2. justificar a condenação de Calas como exemplo de justiça imparcial.
    3. propor que os tribunais fossem controlados pelas autoridades religiosas.
    4. exigir a proibição de qualquer manifestação religiosa em público.
    5. denunciar o fanatismo religioso e defender a tolerância entre as crenças.
  3. Na Carta sobre a tolerância (1689), John Locke argumenta que o governo civil existe para proteger bens como a vida, a liberdade, a saúde e as posses, enquanto o cuidado da alma cabe a cada pessoa. Ele acrescenta que a fé não pode ser imposta pela força, pois a crença verdadeira depende da persuasão interior.

    Desse raciocínio decorre que

    1. o governante deve escolher a religião correta e obrigar todos a segui-la.
    2. o Estado não deve usar a força para impor uma religião aos cidadãos.
    3. as igrejas devem administrar os tribunais e cobrar os impostos do reino.
    4. a fé sincera pode ser produzida por meio de leis e de punições severas.
    5. a liberdade religiosa ameaça a paz e deve ser suprimida pelo magistrado.
  4. Nas Cartas persas (1721), Montesquieu imagina dois viajantes persas que visitam a França e escrevem cartas descrevendo, com espanto, os costumes, a religião e o governo franceses.

    Esse recurso literário permitia ao autor

    1. provocar estranhamento diante dos próprios costumes e criticar o absolutismo.
    2. comprovar que a cultura persa era inferior aos hábitos da corte francesa.
    3. defender que os costumes europeus deveriam ser impostos a todos os povos.
    4. descrever com precisão etnográfica a vida cotidiana na Pérsia do século XVIII.
    5. elogiar o rei e a nobreza da França como modelos de virtude e de moderação.
  5. Leia as duas posições.

    I. No Discurso sobre as ciências e as artes (1750), Rousseau sustenta que o progresso das ciências e das artes não tornou os seres humanos mais virtuosos; ao contrário, acompanhou o luxo, a vaidade e o gosto pelas aparências.

    II. No Esboço de um quadro histórico dos progressos do espírito humano (publicado em 1795), Condorcet defende que a humanidade é capaz de aperfeiçoamento indefinido, impulsionado pela difusão do conhecimento.

    A comparação entre os textos mostra que

    1. os dois autores rejeitam a razão e defendem a volta à vida na natureza.
    2. Rousseau e Condorcet concordam que o progresso moral é automático.
    3. o Iluminismo comportava divergências, inclusive sobre o valor do progresso.
    4. os iluministas eram unânimes na defesa do luxo como sinal de civilização.
    5. Condorcet considera as ciências as grandes responsáveis pela corrupção dos costumes.
  6. Em Dos delitos e das penas (1764), o italiano Cesare Beccaria criticou a justiça penal de seu tempo, marcada por julgamentos secretos, confissões obtidas sob tortura e punições cruéis.

    Entre as ideias defendidas por Beccaria, está a de que

    1. a confissão obtida sob tortura é a prova mais segura da culpa do acusado.
    2. as penas devem ser proporcionais aos delitos e a tortura deve ser rejeitada.
    3. a crueldade da pena é a melhor garantia de que os crimes não voltarão a se repetir.
    4. o juiz pode criar penas novas conforme sua vontade, sem previsão em lei.
    5. os acusados pobres devem receber punições mais duras que os nobres.
  7. Em 1791, Olympe de Gouges publicou a Declaração dos direitos da mulher e da cidadã, reescrevendo, artigo por artigo, a Declaração de 1789. Em 1792, Mary Wollstonecraft publicou Reivindicação dos direitos da mulher, argumentando que a aparente inferioridade feminina resultava da falta de acesso à educação.

    Essas obras revelam que

    1. as mulheres já tinham os mesmos direitos políticos que os homens em 1789.
    2. as duas autoras rejeitavam a razão como fundamento legítimo dos direitos humanos.
    3. a educação das mulheres era vista como desnecessária pelas duas autoras.
    4. a universalidade proclamada pelo Iluminismo excluía as mulheres na prática.
    5. a Revolução Francesa garantiu o voto feminino logo após a Declaração.
  8. Em À paz perpétua (1795), Kant propõe três artigos definitivos para uma paz duradoura: a constituição de cada Estado deve ser republicana; o direito internacional deve fundar-se em uma federação de Estados livres; o direito cosmopolita deve limitar-se às condições da hospitalidade universal.

    O segundo artigo é frequentemente apontado como uma inspiração para

    1. organizações de Estados como a Liga das Nações e a ONU.
    2. a criação de um império mundial governado por um único soberano.
    3. a extinção das fronteiras e a fusão de todos os povos em um só Estado.
    4. as alianças militares secretas entre monarcas para dividir territórios.
    5. a substituição dos governos nacionais por companhias de comércio.
  9. Leia o texto.

    Desde 1945, a ONU e suas agências promoveram tratados de direitos humanos, coordenaram ajuda humanitária e enviaram missões de paz. Mas esses organismos dependem da vontade dos Estados-membros, não dispõem de exército próprio, podem ter decisões bloqueadas e, em alguns casos, tiveram sua atuação criticada pelas populações dos países em que intervieram.

    Uma avaliação coerente com o texto e com o projeto de Kant é a de que os organismos internacionais

    1. realizaram plenamente a paz perpétua, pois não houve mais guerras desde a criação da ONU.
    2. são inúteis e deveriam ser extintos, já que não conseguem impedir todos os conflitos.
    3. devem ter poder absoluto sobre os Estados, que precisariam abandonar sua soberania.
    4. só se justificam quando substituem os governos locais na administração dos países.
    5. aproximam-se da federação kantiana de Estados, mas têm limites a ser avaliados.
  10. Ao tratar do direito cosmopolita em À paz perpétua, Kant afirma que todo estrangeiro tem o direito de não ser tratado com hostilidade ao chegar a outro território, mas não o direito de ali se instalar como dono. Em seguida, critica a conduta dos Estados comerciais europeus que, ao visitar a América, a África e outras regiões, trataram essas terras como se não pertencessem a ninguém e contaram seus habitantes como nada.

    Com essa crítica, Kant

    1. defende o direito dos europeus de ocupar livremente as terras que eles consideravam vazias.
    2. afirma que os povos da América e da África não tinham direito à hospitalidade.
    3. recusa que a visita ou o comércio sirvam de pretexto para a conquista colonial.
    4. propõe que a hospitalidade inclua o direito de cada visitante tomar terras.
    5. elogia as companhias de comércio por levarem a civilização a outros povos.
  11. Kant escreveu À paz perpétua em 1795, pouco depois de um tratado de paz entre a Prússia e a França revolucionária.

    a) Explique, com suas palavras, os três artigos definitivos propostos por Kant.

    b) Avalie em que medida a ONU realiza esse projeto, apontando um avanço e um limite da atuação dos organismos internacionais.

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