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Língua Portuguesa 1ª série Prova

Gregório de Matos: poesia satírica, lírica e sacra

Prova com 11 questões sobre Gregório de Matos e o Barroco: sátira à Bahia colonial, poesia lírico-filosófica, poesia sacra, antítese, paradoxo, cultismo e conceptismo.

  • 11 questões
  • cerca de 60 minutos

Língua Portuguesa, 1ª série: Gregório de Matos: poesia satírica, lírica e sacra

  1. Leia a estrofe.

    A cada canto um grande conselheiro,
    Que nos quer governar cabana e vinha;
    Não sabem governar sua cozinha,
    E podem governar o mundo inteiro.

    Gregório de Matos, primeira estrofe de soneto (século XVII), ortografia atualizada.

    O alvo da crítica nesses versos são

    1. os camponeses que não sabiam cultivar as vinhas plantadas nas fazendas do Recôncavo baiano.
    2. os cozinheiros dos conventos, que desperdiçavam alimentos.
    3. os navegadores que queriam conquistar o mundo inteiro.
    4. os que se metem a dar ordens em tudo sem capacidade nem para cuidar da própria casa.
    5. os indígenas que se recusavam a obedecer aos jesuítas.
  2. Nos versos "Não sabem governar sua cozinha, / E podem governar o mundo inteiro", o efeito irônico nasce principalmente

    1. do contraste entre a pequena cozinha e o mundo inteiro.
    2. da rima entre palavras de sentidos idênticos.
    3. do uso de termos em latim que o leitor comum da época não entende.
    4. da descrição realista de uma cozinha colonial.
    5. da comparação entre a Bahia e Portugal.
  3. Leia a estrofe.

    Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
    Depois da Luz se segue a noite escura,
    Em tristes sombras morre a formosura,
    Em contínuas tristezas a alegria.

    Gregório de Matos, primeira estrofe de soneto (século XVII), ortografia atualizada.

    A ideia central desse quarteto é

    1. a certeza de que a alegria dura para sempre.
    2. a descrição científica do movimento diário do Sol no céu.
    3. a crítica aos governantes da Bahia colonial.
    4. a brevidade da vida e de tudo o que é belo e alegre.
    5. o pedido de perdão do pecador a Deus.
  4. Em "Depois da Luz se segue a noite escura", a aproximação entre "Luz" e "noite escura" constitui

    1. uma onomatopeia, que imita o som do anoitecer.
    2. uma antítese, que reforça a passagem do claro para o escuro.
    3. uma metonímia, que substitui o dia pelo nome do poeta e de sua cidade natal.
    4. um pleonasmo vicioso, sem efeito expressivo.
    5. uma gradação crescente de alegria.
  5. Leia a estrofe.

    Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
    Da vossa alta clemência me despido;
    Porque quanto mais tenho delinquido,
    Vos tenho a perdoar mais empenhado.

    Gregório de Matos, primeira estrofe de soneto (século XVII), ortografia atualizada. Delinquido: cometido faltas.

    O raciocínio do eu lírico pode ser resumido assim:

    1. quanto mais ele peca, mais Deus se empenha em perdoá-lo.
    2. ele nunca pecou e, por isso, não precisa do perdão divino.
    3. ele desistiu de pedir perdão porque Deus não perdoa grandes pecadores.
    4. ele critica Deus por ser injusto com os pecadores humildes.
    5. ele deseja continuar pecando para se afastar definitivamente de Deus.
  6. O modo de construir o soneto "Pequei, Senhor", com argumentos encadeados e jogos de raciocínio, está ligado ao

    1. cultismo, que valoriza o vocabulário raro e o excesso de imagens sensoriais.
    2. bucolismo, que valoriza a vida simples dos pastores no campo.
    3. conceptismo, que valoriza o jogo de ideias e a argumentação engenhosa.
    4. nacionalismo, que exalta a natureza e o herói indígena.
    5. realismo, que analisa a sociedade com objetividade científica.
  7. Gregório de Matos recebeu o apelido de "Boca do Inferno". O apelido se deve

    1. aos sermões religiosos e às ameaças de castigo que ele pregava nas igrejas da Salvador colonial.
    2. aos poemas épicos em que narrava guerras contra os holandeses.
    3. à sua participação na Inconfidência Mineira.
    4. aos romances de terror que publicou no século XVIII.
    5. à poesia satírica, que atacava sem piedade autoridades, clérigos e costumes da Bahia.
  8. A contradição entre o poeta que satiriza com violência e o que pede perdão a Deus em tom de arrependimento pode ser explicada

    1. pela existência de dois poetas diferentes com o mesmo nome.
    2. pela mudança de estilo do poeta ao aderir ao Romantismo.
    3. pela influência da poesia parnasiana, que valorizava a forma.
    4. pelo conflito barroco entre o apego aos prazeres terrenos e a angústia religiosa.
    5. pelo fato de a sátira ser escrita em prosa e a poesia sacra, em versos rimados e metrificados.
  9. A sátira de Gregório de Matos contra a Bahia do século XVII dialoga com o leitor de hoje porque

    1. descreve tecnologias digitais que só seriam inventadas muitos séculos depois de sua morte.
    2. trata de temas que permanecem, como a corrupção, a hipocrisia e o abuso de poder.
    3. foi escrita em linguagem idêntica à usada nas redes sociais atuais.
    4. defende o fim da monarquia e a criação de uma república democrática.
    5. não faz nenhuma referência à sociedade em que o poeta vivia.
  10. Considere as afirmações sobre o Barroco no Brasil.

    I. Desenvolveu-se no contexto da Contrarreforma e da sociedade açucareira colonial.
    II. Usou com frequência antíteses, paradoxos e inversões sintáticas.
    III. Rejeitou temas religiosos e valorizou apenas o racionalismo científico.

    Está correto o que se afirma em

    1. I e II, apenas.
    2. I, apenas.
    3. II e III, apenas.
    4. III, apenas.
    5. I, II e III.
  11. Reescreva em ordem direta e com vocabulário atual os dois primeiros versos do soneto "Pequei, Senhor" ("Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, / Da vossa alta clemência me despido"). Em seguida, explique em poucas linhas por que a inversão da ordem das palavras (hipérbato) é característica do estilo barroco.

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