Sociologia 2ª série Prova
Gênero e sociedade: papéis, trabalho e direitos
Prova com 11 questões sobre gênero nas Ciências Sociais: divisão sexual do trabalho, direitos das mulheres no Brasil, Lei Maria da Penha, violência simbólica e desigualdades.
- 11 questões
- cerca de 60 minutos
Sociologia, 2ª série: Gênero e sociedade: papéis, trabalho e direitos
Nas Ciências Sociais, o conceito de gênero costuma ser usado para:
- classificar os seres vivos em espécies, gêneros e famílias, como na biologia
- analisar papéis e expectativas atribuídos socialmente a homens e mulheres
- descrever apenas as características anatômicas dos corpos humanos
- indicar o estilo de uma obra literária, como gênero lírico ou dramático
- medir a renda média das famílias brasileiras em diferentes regiões
Segundo a PNAD Contínua do IBGE, em 2022 as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, contra 11,7 horas dos homens, quase o dobro. Esse dado evidencia:
- a divisão sexual do trabalho, que gera uma dupla jornada para muitas mulheres
- que as mulheres não trabalham fora de casa e, por isso, têm mais tempo livre
- que os homens realizam a maior parte das tarefas domésticas no país
- que o trabalho doméstico é remunerado igualmente para todos os membros da família
- que a divisão das tarefas domésticas é igual em todas as famílias brasileiras
Considere alguns marcos dos direitos das mulheres no Brasil e assinale a alternativa correta.
- O voto feminino foi garantido apenas em 1988, pela mesma Constituição que criou a Lei Maria da Penha.
- A Lei do Divórcio é de 1932, e o voto feminino só foi aprovado na década de 1970.
- A Constituição de 1988 manteve a mulher casada como relativamente incapaz para os atos civis.
- A Lei Maria da Penha é de 1962 e foi revogada pelo Estatuto da Mulher Casada.
- O voto feminino foi garantido em 1932, e a Constituição de 1988 afirma a igualdade entre homens e mulheres.
Marcela é casada. O marido controla todo o salário dela, esconde seus documentos pessoais e quebrou o celular que ela usa para trabalhar. Segundo a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), essas condutas configuram, principalmente, violência:
- moral
- sexual
- simbólica
- patrimonial
- institucional
A expressão "teto de vidro" é usada para descrever:
- a proibição legal de que mulheres trabalhem em prédios comerciais e escritórios
- o aumento de salários das mulheres acima dos homens em todos os setores
- barreiras pouco visíveis que dificultam o acesso de mulheres aos cargos mais altos
- uma técnica de construção civil usada em edifícios de grandes empresas
- a garantia de que homens e mulheres ocupam igualmente os cargos de chefia
A legislação eleitoral brasileira (Lei nº 9.504/1997, art. 10) determina que cada partido preencha, nas eleições proporcionais, um mínimo de 30% e um máximo de 70% de candidaturas de cada sexo. Essa regra tem como objetivo:
- garantir que 30% das cadeiras legislativas sejam ocupadas exclusivamente por mulheres
- impedir que as mulheres representem mais de 30% de todos os eleitores do país
- proibir a candidatura de homens em partidos que já tenham parlamentares eleitos
- ampliar a participação das mulheres na política, historicamente sub-representadas
- eliminar o voto obrigatório para as eleitoras com mais de 30 anos de idade
Propagandas que mostram sempre mulheres limpando a casa e homens dirigindo carros potentes, ou piadas que ridicularizam mulheres no volante, podem ser analisadas com o conceito de violência simbólica, formulado pelo sociólogo Pierre Bourdieu. Esse conceito se refere a:
- uma dominação exercida por símbolos e significados, aceita como natural pelos dominados
- agressões físicas graves, que deixam marcas visíveis e são registradas em boletins de ocorrência
- um tipo de violência que só ocorre em guerras e conflitos armados entre países
- a violência praticada exclusivamente por meio de símbolos religiosos em templos
- um crime previsto no Código Penal, punido com prisão em regime fechado
Expressões como "homem não chora" e "isso é coisa de menina" são comuns na educação de muitos meninos. Uma análise sociológica dessas normas indica que:
- os homens não são afetados pelas normas de gênero, que se aplicam apenas às mulheres e às meninas
- normas de gênero também impõem expectativas aos homens, o que pode dificultar pedir ajuda
- a proibição de chorar é uma característica biológica e universal do sexo masculino
- essas expressões não têm nenhum efeito sobre o comportamento ou a saúde das pessoas
- as normas de gênero são iguais em todas as culturas e em todas as épocas da história
Observe a tabela, com dados hipotéticos que reproduzem um padrão observado pelo IBGE.
Escolaridade Rendimento médio dos homens (R$) Rendimento médio das mulheres (R$) Ensino médio completo 2.500 1.900 Ensino superior completo 7.000 4.500 Com base na tabela, é correto afirmar que:
- as mulheres recebem menos porque têm, em média, menor escolaridade que os homens
- a diferença entre homens e mulheres desaparece entre as pessoas com ensino superior
- as mulheres com ensino superior recebem mais que os homens com o mesmo nível de estudo
- a escolaridade não altera o rendimento de nenhum dos dois grupos apresentados
- a diferença de rendimento entre homens e mulheres persiste mesmo com igual escolaridade
A jurista estadunidense Kimberlé Crenshaw propôs, em 1989, o termo interseccionalidade. No Brasil, pensadoras como Lélia Gonzalez, já nos anos 1980, e Sueli Carneiro analisaram de forma próxima a articulação entre racismo, sexismo e classe. Esse conceito destaca que:
- todas as mulheres vivem exatamente as mesmas formas de discriminação em qualquer lugar
- a desigualdade de gênero é a única relevante, e as demais devem ser ignoradas
- gênero, raça e classe se combinam e produzem experiências específicas de desigualdade
- as desigualdades de raça e de classe desapareceram nas sociedades contemporâneas
- a sociologia deve estudar cada desigualdade separadamente, sem relacioná-las
Leia o caso fictício.
Na família de Bianca, ela, a mãe e a irmã cuidam da limpeza, da comida e do irmão caçula. O pai e o irmão mais velho trabalham fora, assim como a mãe, mas dizem que "não levam jeito" para tarefas de casa.
a) Analise o caso usando os conceitos de divisão sexual do trabalho e de dupla jornada. b) Explique por que a frase "não levam jeito" pode ser analisada como uma naturalização de papéis sociais. c) Proponha duas atitudes, uma na família e outra na escola, que contribuiriam para uma divisão mais equilibrada das responsabilidades.
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