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Descritores SAEB de Língua Portuguesa do 5º ano, com exemplos
Os 15 descritores SAEB de Língua Portuguesa do 5º ano explicados, com questões originais comentadas, relação com a BNCC e o que mudou nas matrizes do Inep.
Por Albert. Publicado em . Leitura de 10 min.

Os descritores SAEB de Língua Portuguesa do 5º ano são as 15 habilidades de leitura, de D1 a D15, que a matriz de referência de 2001 do Inep usa para elaborar as questões da prova. Eles estão organizados em seis tópicos, de procedimentos de leitura a variação linguística, e todos tratam de compreensão de texto: a matriz de 2001 não avalia produção escrita nem regras gramaticais isoladas. A seguir, cada descritor explicado, com questões originais e a ligação com a BNCC.
Qual matriz do SAEB está em vigor no 5º ano
O Inep mantém duas matrizes na página de matrizes e escalas: a matriz de referência de 2001, com tópicos e descritores (D1, D2…), e uma matriz de Linguagens alinhada à BNCC. O próprio Inep informa que, desde 2019, as matrizes de 2001 vêm sendo substituídas progressivamente, e que em 2023 a matriz antiga ainda foi usada no 5º ano para garantir a comparação com 2021.
Na edição de 2025, a Portaria Inep nº 435/2025 indicou para Língua Portuguesa do 5º ano matrizes “alinhadas à BNCC e 2001”. Ou seja, o SAEB está em transição e a matriz clássica continua sendo referência. Na prática: os descritores abaixo seguem úteis para diagnosticar a turma, e trabalhar bem as habilidades de leitura da BNCC prepara para as duas versões. Antes de cada edição, confira a portaria do ano na página do Saeb no Inep para ver se houve mudança.
Os 15 descritores SAEB de Língua Portuguesa do 5º ano
| Tópico | Descritores |
|---|---|
| I. Procedimentos de leitura | D1 Localizar informações explícitas em um texto; D3 Inferir o sentido de uma palavra ou expressão; D4 Inferir uma informação implícita em um texto; D6 Identificar o tema de um texto; D11 Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato |
| II. Implicações do suporte, do gênero e/ou do enunciador | D5 Interpretar texto com o auxílio de material gráfico diverso (propagandas, quadrinhos, fotos etc.); D9 Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros |
| III. Relação entre textos | D15 Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema |
| IV. Coerência e coesão | D2 Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições; D7 Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos da narrativa; D8 Estabelecer relação causa/consequência entre partes e elementos do texto; D12 Estabelecer relações lógico-discursivas marcadas por conjunções, advérbios etc. |
| V. Recursos expressivos e efeitos de sentido | D13 Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados; D14 Identificar o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações |
| VI. Variação linguística | D10 Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto |
A numeração não segue a ordem dos tópicos; é assim no documento original. A matriz do 9º ano usa os mesmos seis tópicos, com 21 descritores e numeração diferente, e inclui habilidades que não aparecem no 5º ano, como identificar a tese de um texto. Elas estão no guia de descritores do SAEB do 9º ano.
Descritores explicados com questões de exemplo
As questões a seguir foram escritas para este guia. Use-as como modelo para criar as suas, trocando os textos por outros do repertório da turma.
Texto 1
Tainá ganhou uma muda de ipê e plantou perto do muro do quintal. Todos os dias ela regava a planta antes de ir para a escola. Num sábado, o vizinho cortou a grama e passou o cortador por cima da muda. Tainá chorou baixinho no quarto. Na segunda-feira, viu dois brotinhos verdes saindo do caule machucado.
— Teimosa como eu — disse, sorrindo.
Procedimentos de leitura: D1, D3, D4, D6 e D11
D1 (informação explícita). “Onde Tainá plantou a muda?” A resposta, “perto do muro do quintal”, está escrita no texto. Parece fácil, mas o erro comum é o aluno responder com o que acha provável (“no jardim”) em vez de voltar ao texto.
D4 (informação implícita). “Por que Tainá chorou baixinho?” (A) Porque o vizinho brigou com ela. (B) Porque achou que tinha perdido a muda. (C) Porque não queria ir à escola. (D) Porque estava com sono. Gabarito: B. O texto não diz o motivo; o leitor deduz pela sequência dos fatos. Quem marca A inventou uma informação que não está no texto.
D3 (sentido de palavra ou expressão). “Na fala ‘Teimosa como eu’, a palavra teimosa indica que a planta…” (A) era difícil de regar. (B) continuou viva apesar do estrago. (C) não gostava da menina. (D) cresceu torta. Gabarito: B. O sentido vem do contexto, não do dicionário.
D6 (tema). Peça o assunto em uma frase. “Uma planta que resiste” ou “não desistir” são boas respostas. “Uma menina chamada Tainá” é um detalhe, não o tema.
D11 (fato e opinião). Use frases curtas: “A feira de ciências aconteceu no sábado. Foi a feira mais divertida de todos os tempos.” Pergunte qual trecho é opinião e por quê. A pista está em palavras de avaliação, como “mais divertida”, “melhor”, “chato”.
Suporte, gênero e enunciador: D5 e D9
Texto 2: “AVISO. A biblioteca ficará fechada na quarta-feira, dia 12, para a troca das prateleiras. Os livros emprestados podem ser devolvidos na quinta-feira, até as 11 horas, na sala da coordenação.”
D9 (finalidade). “Esse texto foi escrito para…” (A) contar uma história. (B) informar uma mudança no funcionamento da biblioteca. (C) ensinar a montar prateleiras. (D) convidar para uma festa. Gabarito: B. Treine com gêneros variados: receita, convite, bilhete, notícia, anúncio.
D5 (texto com material gráfico). Nas provas, aparecem tirinhas, cartazes e infográficos em que o sentido depende da imagem. Em sala, leve uma tirinha e pergunte algo que só pode ser respondido olhando o desenho, como a expressão do personagem no último quadrinho. Se a resposta sai só do balão, o item não mede D5.
Relação entre textos: D15
Dois textos sobre o mesmo fato, escritos para públicos diferentes. Exemplo: um bilhete da escola às famílias informando que a festa junina foi adiada por causa da chuva e uma mensagem de um aluno no grupo da turma (“Galera, a festa ficou pro outro sábado, ninguém merece!”). Pergunte o que muda: a linguagem, o nível de formalidade, as informações que cada um traz. Como D15 costuma receber menos atenção nas aulas de leitura, vale reservar tempo para ele.
Coerência e coesão: D2, D7, D8 e D12
D2 (repetições e substituições). “No trecho ‘Todos os dias ela regava a planta’, a palavra ela se refere a…” (A) a muda. (B) Tainá. (C) a escola. (D) a vizinha. Gabarito: B. Aproveite para mostrar que “a planta” também retoma “muda de ipê”.
D7 (conflito gerador). “O problema que movimenta a história é…” (A) Tainá ganhar uma muda. (B) o cortador passar por cima da muda. (C) Tainá ir para a escola. (D) a menina sorrir. Gabarito: B. Ensine a turma a perguntar: “o que dá errado na história?”.
D8 (causa e consequência). “O caule ficou machucado porque…” A causa está no texto (o cortador), mas o aluno precisa ligar dois trechos.
D12 (conectivos). “Choveu muito, mas o jogo aconteceu. A palavra mas indica…” (A) adição. (B) oposição. (C) tempo. (D) lugar. Gabarito: B. Troque o conectivo (“Choveu muito, por isso o jogo foi adiado”) e peça para a turma explicar a diferença de sentido.
Efeitos de sentido: D13 e D14
D13 (humor e ironia). “Na fila da vacina, a enfermeira avisa: — Quem tem medo de agulha, levante a mão. Pedro levanta as duas mãos e, em seguida, esconde os braços atrás das costas.” Pergunte onde está a graça. O humor nasce da contradição: ele admite o medo e já tenta escapar da vacina.
D14 (pontuação). “No texto 1, o travessão antes de ‘Teimosa como eu’ indica…” (A) uma pergunta. (B) a fala de uma personagem. (C) o título do texto. (D) uma lista. Gabarito: B. Explore também reticências, exclamação e aspas.
Variação linguística: D10
D10 (locutor e interlocutor). Bilhete: “Vó, deixei o bolo no forno. Não esquece de desligar às 5! Beijo, Lu.” Pergunte quem escreveu, para quem e que palavras mostram isso (“Vó”, “Beijo, Lu”, o “não esquece” informal). O descritor pede que o aluno reconheça marcas de quem fala e de quem ouve, não que corrija a linguagem.
Descritores do SAEB e habilidades da BNCC
Os descritores de 2001 são anteriores à BNCC, mas quase todos têm uma habilidade próxima na Base. A tabela abaixo é uma correspondência aproximada, feita pelo ProvaPiloto para ajudar no planejamento; não é um documento oficial do Inep.
| Descritor | Habilidade da BNCC próxima |
|---|---|
| D1 | EF15LP03 Localizar informações explícitas em textos |
| D3 | EF35LP05 Inferir o sentido de palavras ou expressões desconhecidas |
| D4 | EF35LP04 Inferir informações implícitas nos textos lidos |
| D6 | EF35LP03 Identificar a ideia central do texto |
| D5 | EF15LP04 Efeito de sentido de recursos gráfico-visuais em textos multissemióticos |
| D9 | EF15LP01 Identificar a função social de textos |
| D15 | EF05LP16 Comparar informações sobre um mesmo fato em diferentes mídias |
| D2 | EF35LP06 Recuperar relações entre partes do texto por substituições lexicais e pronominais |
| D7 | EF35LP29 Identificar cenário, personagem central, conflito gerador e resolução |
| D12 | EF05LP07 Identificar o uso de conjunções e a relação que estabelecem |
| D14 | EF05LP04 Efeito de sentido de reticências, aspas e parênteses |
| D8, D10, D11, D13 | Sem habilidade equivalente exata nos anos iniciais; aparecem dentro das habilidades de leitura de gêneros (como EF05LP10, sobre anedotas e cartuns) e ganham habilidade própria nos anos finais, como EF67LP04 (fato e opinião) |
Como trabalhar os descritores na rotina, sem virar treino
- Leitura diária com pergunta de inferência. Quinze minutos, um texto curto, duas perguntas: uma explícita (D1) e uma implícita (D4). Em quatro semanas, a turma aprende a diferença.
- Uma semana, um tópico. Em vez de 15 descritores soltos, trabalhe por tópico. O tópico IV (coerência e coesão) rende uma sequência inteira com narrativas.
- Justificativa obrigatória. Em toda questão de múltipla escolha corrigida em grupo, peça o trecho do texto que comprova a resposta.
- Simulado como diagnóstico. Aplique os simulados de Língua Portuguesa do 5º ano, corrija por descritor e escolha os três mais fracos para o mês seguinte. O passo a passo da análise está no guia sobre o SAEB e a preparação da turma.
Para atividades fora do formato de prova, veja as atividades de Língua Portuguesa do 5º ano e as provas do 4º ano, úteis para retomar descritores com quem ainda não consolidou a leitura.
Erros comuns ao preparar a turma
- Textos longos demais no começo. Comece com textos de 5 a 8 linhas e aumente aos poucos.
- Corrigir só o gabarito. A conversa sobre por que cada alternativa errada está errada é onde a aprendizagem acontece.
- Esquecer os gêneros não literários. Avisos, notícias, verbetes e infográficos aparecem com frequência nas provas de leitura.
- Ler sempre em voz alta para a turma. Na prova, o aluno lê sozinho. Alterne leitura compartilhada com leitura silenciosa e autônoma.
Perguntas frequentes
Quantas questões de Língua Portuguesa tem a prova do SAEB do 5º ano?
O SAEB usa blocos de itens distribuídos em cadernos diferentes, então nem todos os alunos respondem às mesmas questões. Por isso o número exato por aluno varia conforme o desenho de cada edição, definido pelo Inep.
O SAEB do 5º ano cobra gramática?
Na matriz de 2001, não de forma isolada. Conhecimentos como pontuação e conectivos aparecem a serviço da compreensão do texto, como nos descritores D12 e D14.
Os descritores do SAEB são os mesmos das avaliações estaduais?
Nem sempre. Várias avaliações estaduais usam matrizes inspiradas na do SAEB, mas com numeração e descritores próprios. Confira sempre o documento oficial da avaliação da sua rede.
A partir de quando o SAEB do 5º ano será só pela matriz da BNCC?
O Inep não divulgou uma data única para a substituição completa. A orientação é acompanhar a portaria de cada edição, que indica as matrizes usadas em cada ano e disciplina.
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