Avaliações externas
SAEB: o que é, quais anos fazem e como preparar a turma
Guia do SAEB conferido no Inep: anos e disciplinas avaliados, matrizes em vigor, relação com o Ideb e um cronograma de preparação de fevereiro a outubro.
Por Albert. Publicado em . Leitura de 9 min.

O SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) é o conjunto de avaliações externas do Inep que mede o que os estudantes brasileiros aprenderam em Língua Portuguesa e Matemática, além de Ciências em parte das turmas, e coleta informações sobre as condições das escolas. Ele é aplicado a cada dois anos, no 2º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e no fim do Ensino Médio. A preparação que funciona não é treinar gabarito: é trabalhar leitura e resolução de problemas o ano inteiro e usar simulados para descobrir onde a turma tropeça.
O que é o SAEB e para que serve
Segundo o Inep, o SAEB é um conjunto de avaliações em larga escala que permite fazer um diagnóstico da Educação Básica e de fatores que podem interferir no desempenho dos estudantes. Ele combina testes, que medem a proficiência, e questionários respondidos por alunos, professores, diretores e secretários de educação.
A avaliação existe desde 1990, quando a primeira edição avaliou uma amostra de escolas públicas. Em 2005 ela foi dividida em duas avaliações, uma amostral e outra censitária, que ficou conhecida como Prova Brasil. Em 2019, as siglas antigas deixaram de existir, tudo passou a se chamar SAEB, a alfabetização começou a ser avaliada no 2º ano e entraram testes de Ciências da Natureza e Ciências Humanas no 9º ano (histórico do Saeb).
Os resultados servem a redes e escolas para acompanhar a aprendizagem e decidir onde investir. O aluno não recebe nota: o próprio Inep informa que “não há boletim individual de desempenho no Saeb”.
Quais anos fazem o SAEB e o que é avaliado
A edição mais recente foi a de 2025, regulamentada pela Portaria Inep nº 435, de 3 de julho de 2025 (republicada em outubro do mesmo ano). O quadro abaixo resume o que a portaria definiu para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental:
| Etapa | Testes | Como participa | Matriz de referência |
|---|---|---|---|
| Educação Infantil (creche e pré-escola) | Não há testes; só questionários para diretores e professores | Amostral | Não se aplica |
| 2º ano | Língua Portuguesa e Matemática | Amostral (públicas e privadas) | Alinhada à BNCC |
| 5º ano | Língua Portuguesa e Matemática | Censitário nas públicas, amostral nas privadas | “Alinhadas à BNCC e 2001” |
| 5º ano | Ciências da Natureza e Ciências Humanas | Amostral | Alinhadas à BNCC |
| 9º ano | Língua Portuguesa e Matemática | Censitário nas públicas, amostral nas privadas | “Alinhadas à BNCC e 2001” |
| 9º ano | Ciências da Natureza e Ciências Humanas | Amostral | Alinhadas à BNCC |
No Ensino Médio, a 3ª e a 4ª séries fizeram Língua Portuguesa e Matemática com a matriz de 2001. Em outras palavras: se você dá aula no 5º ou no 9º ano de escola pública, a tendência é que sua turma faça as provas de Língua Portuguesa e de Matemática, porque a aplicação é censitária nessa rede (turmas multisseriadas ficam de fora); se dá aula no 2º ano, sua escola pode ou não ser sorteada para a amostra.
Como funciona a aplicação
- Periodicidade: a cada dois anos, na rede pública e em uma amostra da rede privada. As últimas edições foram em 2023 e 2025; pela regra bienal, a próxima edição regular é esperada para 2027, com datas definidas em nova portaria.
- Formato: em 2025, os testes foram impressos e aplicados a partir de 20 de outubro. Os questionários de diretores, professores e secretários foram eletrônicos.
- Quem aplica: uma instituição contratada pelo Inep agenda a data com a escola e envia os aplicadores.
- Turmas que não entram: turmas multisseriadas não são avaliadas pelo SAEB.
- Resultado por escola: só sai quando há pelo menos 10 alunos presentes e participação mínima de 80% dos matriculados, segundo as perguntas frequentes do Inep. Escolas que entram por amostragem não recebem resultado próprio.
O ponto da participação é prático e muitas vezes esquecido: faltas no dia da prova podem deixar a escola sem resultado. Avisar as famílias com antecedência faz diferença.
Matrizes de referência do SAEB: a de 2001 e as alinhadas à BNCC
A matriz de referência é o documento que diz o que a prova avalia. O SAEB tem duas gerações de matrizes, ambas disponíveis na página de matrizes e escalas do Inep:
- Matriz de 2001: organizada em tópicos (Língua Portuguesa) e temas (Matemática), com descritores numerados, como D1 (“localizar informações explícitas em um texto”). É a base da série histórica e a mais conhecida nas escolas.
- Matrizes alinhadas à BNCC: já usadas no 2º ano e em Ciências. Em Matemática, cruzam as cinco unidades temáticas da BNCC com eixos cognitivos, e as habilidades recebem códigos próprios, diferentes dos da Base.
A página do Inep informa que, desde 2019, as matrizes de 2001 estão sendo substituídas progressivamente. Para 2025, a portaria indicou para o 5º e o 9º ano de Língua Portuguesa e Matemática a fórmula “alinhadas à BNCC e 2001”, o que mostra uma fase de transição. Na sala, isso tem uma consequência simples: trabalhar bem as habilidades da BNCC cobre as duas matrizes. Os descritores clássicos continuam úteis como lista de verificação, e estão explicados nos guias de descritores de Língua Portuguesa do 5º ano, descritores de Matemática do 5º ano e descritores do 9º ano.
SAEB e Ideb: como um alimenta o outro
O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) foi criado em 2007 e junta, em um número de 0 a 10, duas informações: o fluxo escolar, medido pela taxa de aprovação do Censo Escolar, e as médias de desempenho no SAEB (Ideb no Inep). Por isso uma escola não melhora o Ideb só aprovando mais, nem só subindo a nota com retenção alta: as duas partes contam.
Os resultados do SAEB 2025 e do Ideb 2025 foram divulgados em 5 de agosto de 2026. Considerando todas as redes, o Ideb dos anos iniciais passou de 6,0 para 6,3; o dos anos finais, de 5,0 para 5,3; e o do Ensino Médio, de 4,3 para 4,5, os maiores valores da série iniciada em 2005, segundo a Agência Gov.
Como preparar a turma para o SAEB sem treinar para a prova
Treinar gabarito nas três últimas semanas cansa a turma e rende pouco. O que move a proficiência é leitura frequente, resolução de problemas com textos de verdade e retomada do que não foi aprendido. Os simulados entram como ferramenta de diagnóstico, não como fim.
Cronograma para turmas de 5º e 9º ano em ano de SAEB
| Período | O que fazer |
|---|---|
| Fevereiro e março | Diagnóstico com um simulado curto (10 a 12 itens por disciplina). Corrija por descritor ou habilidade, não só por acerto total. |
| Abril a junho | Ataque os três descritores com menor acerto, dentro das sequências normais do currículo. Leitura diária de 15 minutos com perguntas de inferência. |
| Julho e agosto | Segundo simulado, agora completo. Compare com o diagnóstico e reorganize os grupos de retomada. |
| Setembro | Familiarização com o formato: cartão-resposta, leitura do enunciado antes do texto, gestão do tempo. Uma aula basta. |
| Outubro | Comunicado às famílias sobre a data, reforço da presença, combinados para o dia (lanche, sono, chegar cedo). |
Como é um item no estilo do SAEB
Os itens são de múltipla escolha, com um texto ou situação-problema de suporte, um comando e alternativas em que os erros são plausíveis. Veja um exemplo original, no formato do 5º ano de Matemática:
Lucas saiu de casa às 7h40 e chegou à escola 25 minutos depois. A que horas Lucas chegou à escola?
(A) 7h15
(B) 7h65
(C) 8h05
(D) 8h15
A resposta é C. Quem marca B somou os minutos sem transformar 60 minutos em uma hora; quem marca A subtraiu os 25 minutos em vez de somar. Cada distrator conta uma história sobre o raciocínio do aluno, e é por isso que a análise das alternativas erradas vale mais do que a contagem de acertos.
Como analisar um simulado em 30 minutos
- Monte uma tabela com os alunos nas linhas e os itens nas colunas, marcando acerto e erro.
- Calcule o percentual de acerto de cada item. Itens abaixo de 50% são prioridade.
- Para cada item prioritário, olhe qual alternativa errada foi mais marcada. Ela mostra o raciocínio equivocado: em Matemática, quem marca a soma em vez da diferença; em Língua Portuguesa, quem escolhe a informação explícita quando a pergunta pedia inferência.
- Planeje uma retomada curta para cada erro dominante e reaplique um item parecido duas semanas depois.
Os simulados de Língua Portuguesa do 5º ano, os simulados de Matemática do 5º ano e os simulados de Matemática do 9º ano do acervo trazem gabarito comentado, o que ajuda a entender o erro de cada alternativa.
Erros comuns na preparação para o SAEB
- Começar em setembro. Proficiência em leitura não se constrói em um mês. O diagnóstico de fevereiro é o que dá tempo de agir.
- Usar só itens de múltipla escolha. Eles servem para o diagnóstico, mas a aprendizagem acontece quando o aluno explica, escreve e discute.
- Esquecer os anos anteriores. O resultado do 5º ano depende do trabalho do 3º e do 4º. O SAEB é uma responsabilidade da escola, não só do professor do ano avaliado.
- Deixar alunos de fora. Pedir que alguns alunos faltem para “não baixar a média” é antiético e ainda pode derrubar a participação abaixo do mínimo exigido.
- Ignorar os questionários. As respostas de professores e diretores ajudam a explicar o resultado. Responda com atenção quando chegar a sua vez.
Perguntas frequentes
Alunos com deficiência fazem o SAEB?
Sim. Estudantes público-alvo da educação especial matriculados nas turmas selecionadas participam. Segundo a portaria de 2025, o atendimento especializado, como tempo adicional ou prova ampliada, depende de a condição estar registrada na matrícula do Censo Escolar.
O resultado do SAEB conta para a nota do aluno ou para a aprovação?
Não. O SAEB não gera nota individual e não interfere na aprovação. O resultado é calculado para a escola, o município, o estado e o país.
Quanto tempo depois da prova saem os resultados?
Os resultados costumam sair no ano seguinte à aplicação. Os da edição de 2025, aplicada a partir de 20 de outubro, foram divulgados em agosto de 2026, junto com o Ideb.
Escola particular faz o SAEB?
Participa por amostragem. Algumas escolas privadas são sorteadas para compor a amostra nacional, e o resultado dessas escolas não é divulgado individualmente.
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