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Língua Portuguesa 2ª série Atividade

O cortiço e o romance naturalista

Atividade com 10 questões sobre o Naturalismo e O cortiço, de Aluísio Azevedo: determinismo, zoomorfização, o cortiço como personagem coletivo, crítica social e os limites da visão naturalista.

  • 10 questões
  • cerca de 55 minutos

Língua Portuguesa, 2ª série: O cortiço e o romance naturalista

  1. Leia o trecho.

    E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco.

    Aluísio Azevedo, O cortiço (1890).

    No trecho, o crescimento da população do cortiço é descrito com palavras ligadas a

    1. sentimentos elevados, como o amor idealizado e a fé religiosa dos moradores.
    2. máquinas industriais, como engrenagens e motores de fábricas a vapor.
    3. processos biológicos e animais, como larvas, minhocas e fermentação.
    4. elementos da nobreza, como palácios, coroas e salões da corte imperial.
    5. termos jurídicos, como contratos, leis e processos nos tribunais.
  2. Em O cortiço, a habitação coletiva cresce, se transforma e parece ter vida própria. Por isso, a crítica costuma afirmar que o cortiço

    1. é apenas um cenário decorativo, sem importância para o enredo do romance.
    2. representa a elite carioca e seus salões luxuosos do Segundo Reinado.
    3. é um lugar imaginário, sem qualquer relação com o Rio de Janeiro real.
    4. funciona como um personagem coletivo, mais importante que qualquer indivíduo.
    5. simboliza a vida tranquila e harmoniosa do campo em oposição à cidade.
  3. O Naturalismo foi influenciado por teorias científicas do século XIX, como o determinismo, segundo o qual o comportamento humano seria determinado pelo meio, pela herança biológica e pelo momento histórico. No romance, isso aparece quando

    1. os personagens são apresentados como produtos do ambiente em que vivem.
    2. os personagens agem sempre por livre escolha, sem qualquer influência externa.
    3. o narrador apresenta a vida no cortiço como um paraíso de harmonia social.
    4. a religião explica todos os acontecimentos como vontade divina e milagre.
    5. o amor romântico vence todos os obstáculos e garante o final feliz.
  4. Jerônimo, imigrante português trabalhador e disciplinado, muda seus hábitos depois de se apaixonar por Rita Baiana e de viver no cortiço: abandona a esposa e adota costumes locais. O narrador apresenta essa mudança como

    1. consequência de uma escolha racional e planejada pelo próprio Jerônimo.
    2. efeito do meio tropical e do convívio, segundo a lógica determinista.
    3. castigo divino por ter deixado Portugal sem a autorização da família.
    4. resultado de uma doença contagiosa que atingiu os moradores do cortiço.
    5. exemplo de ascensão social, já que Jerônimo se torna um rico comerciante.
  5. João Romão enriquece explorando trabalhadores e enganando Bertoleza, mulher escravizada que trabalha para ele acreditando estar alforriada. No fim, quando Romão a denuncia aos antigos donos, ela tira a própria vida. Esse desfecho evidencia

    1. a generosidade de João Romão com os moradores pobres do cortiço, a quem sempre ajudou em silêncio.
    2. a felicidade de Bertoleza, que finalmente conquista a liberdade.
    3. a ausência de conflitos sociais no Rio de Janeiro do século XIX.
    4. a vitória dos trabalhadores sobre o patrão no final do romance.
    5. a violência da ascensão de Romão, construída sobre a exploração de uma mulher negra.
  6. O romance mostra o contraste entre o cortiço de João Romão e o sobrado do comendador Miranda, vizinho rico. Esse contraste representa

    1. a igualdade de condições entre ricos e pobres no Rio de Janeiro.
    2. a desigualdade social e a disputa entre grupos no espaço urbano.
    3. a convivência pacífica e sem interesses entre os dois vizinhos.
    4. a superioridade da vida no campo sobre a vida na cidade.
    5. a ausência de ambição social entre os personagens do livro.
  7. Leia o comentário de uma estudante: "O cortiço denuncia a miséria, mas o narrador descreve as pessoas pobres, negras e mestiças como bichos, e isso também é preconceito." Esse comentário

    1. é incorreto, pois o romance não faz nenhuma referência à pobreza.
    2. é incorreto, pois o Naturalismo descrevia as pessoas de forma idealizada.
    3. prova que o romance não tem valor literário e deve ser abandonado.
    4. reconhece a crítica social do romance e aponta os limites de sua visão de mundo.
    5. confirma que as teorias raciais do século XIX estavam cientificamente certas.
  8. O Naturalismo literário, que teve Émile Zola como principal referência na França, propunha que o romancista agisse como

    1. um poeta que transforma a realidade em sonho e fantasia idealizada.
    2. um sacerdote que ensina a moral cristã por meio de parábolas.
    3. um cientista que observa e experimenta, descrevendo a realidade sem idealizar.
    4. um cronista da corte que exalta os feitos da nobreza e do rei.
    5. um músico que compõe versos para ser cantados com instrumentos.
  9. Julgue a afirmação: o romance O mulato (1881), também de Aluísio Azevedo, é considerado o marco inicial do Naturalismo no Brasil.

    (   ) Verdadeiro   (   ) Falso

  10. Imagine o cortiço de Aluísio Azevedo nos dias de hoje, como uma ocupação ou um conjunto de moradias precárias em uma grande cidade brasileira. Escreva um parágrafo narrativo (8 a 10 linhas) descrevendo o lugar e seus moradores, mas sem recorrer à zoomorfização: apresente as pessoas com nomes, desejos e escolhas próprias. Depois, explique em duas linhas como sua escolha muda a visão do narrador em relação ao romance de 1890.

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