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Língua Portuguesa 2ª série Atividade

Machado de Assis: narrador, ironia e Realismo

Atividade com 10 questões sobre Machado de Assis e o Realismo: Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba, o narrador não confiável, a ironia e a análise psicológica.

  • 10 questões
  • cerca de 55 minutos

Língua Portuguesa, 2ª série: Machado de Assis: narrador, ironia e Realismo

  1. As Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) abrem com a dedicatória: "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas." O efeito dessa abertura é

    1. provocar o leitor com humor macabro e anunciar um narrador já morto.
    2. emocionar o leitor com uma homenagem sincera à família do autor.
    3. informar de modo objetivo a causa da morte do narrador do romance.
    4. anunciar uma história de amor idealizado, típica dos romances do Romantismo brasileiro.
    5. criticar a falta de cemitérios no Rio de Janeiro do século XIX.
  2. Brás Cubas afirma não ser "um autor defunto, mas um defunto autor". A diferença entre as expressões indica que ele

    1. foi um escritor famoso em vida e publicou muitos livros antes de morrer.
    2. está vivo e apenas finge estar morto para chamar a atenção dos leitores.
    3. escreve uma biografia de outro homem, já morto, que conheceu na juventude.
    4. começou a escrever depois de morto, o que lhe dá liberdade para expor tudo.
    5. é um fantasma que assombra a casa onde viveu e conversa com os parentes que ainda moram lá.
  3. No capítulo final das Memórias póstumas, intitulado "Das negativas", Brás Cubas conclui: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria." Essa frase revela

    1. a alegria do narrador por ter construído uma família numerosa e feliz.
    2. o arrependimento do narrador por não ter seguido a carreira religiosa.
    3. uma visão pessimista da condição humana, apresentada com ironia.
    4. a esperança de que as próximas gerações sejam melhores que a dele.
    5. a crença de que a vida humana é sempre plena de sentido e de glória.
  4. Em Dom Casmurro (1899), Bento Santiago narra a própria história e conclui que Capitu o traiu com Escobar. Muitos críticos chamam Bento de narrador não confiável porque

    1. ele é um narrador em terceira pessoa que não participa da história.
    2. ele é ciumento, parte interessada, e narra para justificar suas conclusões.
    3. ele apresenta provas definitivas, cartas e documentos que comprovam a traição de Capitu.
    4. ele narra os fatos no exato momento em que acontecem, sem memória.
    5. ele dá voz a Capitu, que conta sua versão em vários capítulos.
  5. Em Dom Casmurro, Bento afirma que seu objetivo ao escrever era "atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência". A frase mostra que o romance é construído

    1. como diário escrito dia a dia durante a adolescência do narrador.
    2. como reportagem baseada em entrevistas com os vizinhos de Bento.
    3. como peça de teatro, com falas de vários personagens independentes.
    4. como carta escrita por Capitu para defender a própria inocência.
    5. como memória, a partir do olhar do narrador já velho sobre o passado.
  6. Em Quincas Borba (1891), a filosofia do Humanitismo é resumida na frase "Ao vencedor, as batatas!": numa disputa por um campo de batatas, a tribo que vence sobrevive, e a outra é eliminada. Machado usa essa filosofia para

    1. defender seriamente que a guerra é a melhor forma de organizar a sociedade.
    2. ensinar técnicas de cultivo de batatas aos leitores do século XIX.
    3. elogiar as tribos indígenas brasileiras por sua organização agrícola.
    4. satirizar teorias que justificavam a vitória dos mais fortes como algo natural e bom.
    5. mostrar que o personagem Quincas Borba era um sábio respeitado por todos.
  7. No conto "O alienista", o médico Simão Bacamarte interna na Casa Verde quase toda a população de Itaguaí, até concluir que o único louco é ele mesmo. O conto ironiza

    1. a pretensão científica de definir com certeza absoluta quem é normal e quem é louco.
    2. a falta de hospitais nas pequenas cidades do interior do Brasil.
    3. os pacientes que fingiam loucura para não trabalhar nas fazendas de café do interior da província.
    4. a religião católica, que proibia o tratamento médico das doenças.
    5. a vida dos indígenas que viviam em aldeias perto de Itaguaí.
  8. Diferentemente do narrador romântico, o narrador machadiano frequentemente conversa com o leitor, interrompe a história com digressões e comenta o próprio livro. Esse recurso

    1. torna a história mais simples e linear, sem interrupções no enredo.
    2. elimina a presença do narrador, que deixa os fatos falarem sozinhos.
    3. transforma o romance em poema, com versos rimados e metrificados.
    4. esconde do leitor qualquer opinião sobre os personagens e os fatos.
    5. rompe a ilusão de realidade e convida o leitor a refletir sobre a narrativa.
  9. Julgue a afirmação: Machado de Assis, filho de um pintor de paredes descendente de pessoas escravizadas, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e seu primeiro presidente.

    (   ) Verdadeiro   (   ) Falso

  10. Desde a publicação de Dom Casmurro, leitores discutem se Capitu traiu ou não Bento. Escreva um parágrafo de 8 a 10 linhas explicando por que o romance não permite uma resposta definitiva. Considere quem narra a história, o que motiva o narrador e o fato de Capitu não ter voz própria. Ao final, diga qual leitura você considera mais convincente e por quê.

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