Língua Portuguesa 1ª série Atividade
Gil Vicente e o Auto da Barca do Inferno
Atividade com 10 questões sobre o Humanismo e o teatro de Gil Vicente: o Auto da Barca do Inferno, seus tipos sociais, a sátira de costumes e o contexto de transição.
- 10 questões
- cerca de 55 minutos
Língua Portuguesa, 1ª série: Gil Vicente e o Auto da Barca do Inferno
O Humanismo (século XV e início do XVI) é considerado um período de transição porque
- convivem nele valores medievais teocêntricos e a valorização crescente do ser humano.
- rompe totalmente com a religião cristã e instaura de vez o pensamento científico moderno.
- marca o início da colonização portuguesa e da literatura de informação.
- nele surgem o soneto e a medida nova vindos da Itália.
- representa o auge da poesia trovadoresca nas cortes da Galiza.
No Auto da Barca do Inferno (1517), as almas chegam a um porto onde estão duas embarcações: a do Anjo, que segue para a Glória, e a do Diabo, que segue para o Inferno. Essa estrutura revela que a peça
- é uma tragédia clássica, em que o herói cai em desgraça por causa de um erro trágico.
- é uma comédia de costumes sem qualquer dimensão religiosa.
- tem caráter alegórico e moralizante, julgando as personagens pelos atos em vida.
- narra em versos a viagem histórica de Vasco da Gama às Índias.
- imita as cantigas de amigo, com eu lírico feminino à beira-mar.
No auto, o Fidalgo chega acompanhado de um pajem que carrega uma cadeira, e o Onzeneiro (agiota) traz uma bolsa. Os dois são recusados pelo Anjo. Os objetos que eles levam representam, respectivamente,
- a humildade do nobre diante do povo e a generosidade do comerciante com os pobres.
- a tirania e a vaidade da nobreza e a ganância de quem empresta dinheiro a juros abusivos.
- a fé do nobre e a pobreza do comerciante endividado.
- o trabalho manual do nobre e a honestidade dos banqueiros.
- a caridade cristã praticada pela nobreza e o desprezo do agiota pelo dinheiro e pelo lucro.
O Frade chega ao porto dançando e de mãos dadas com uma moça, Florença, e carrega espada e escudo. Com essa cena, Gil Vicente
- defende que os religiosos deveriam se dedicar à arte da dança.
- ataca a fé cristã e propõe que a Igreja seja extinta.
- elogia os frades que lutavam nas Cruzadas para defender Jerusalém dos inimigos.
- mostra que todos os religiosos eram aceitos na barca da Glória.
- critica o clero que não vive de acordo com os votos religiosos que proclama.
Joane, o Parvo, é uma personagem simples, que fala de modo atrapalhado e não leva objetos. Ao final, ele não é condenado. Essa escolha do autor sugere que
- a ignorância é, na visão do autor, o pior de todos os pecados que alguém pode cometer.
- apenas os ricos podiam pagar a passagem para a Glória.
- a simplicidade e a ausência de malícia são valorizadas acima da posição social.
- o autor desprezava as pessoas do povo e ria delas.
- o Parvo representa a nobreza arruinada do século XVI.
O Corregedor e o Procurador chegam carregando processos e livros, e falam em um latim estropiado. A crítica dirigida a eles é contra
- o ensino de latim nas escolas, que Gil Vicente queria proibir.
- os comerciantes que vendiam tecidos falsificados nas feiras das vilas portuguesas.
- os camponeses que não pagavam impostos ao rei.
- a justiça corrupta, que se vendia e usava a linguagem técnica para enganar.
- os navegadores que abandonavam a família para ir ao Oriente.
Os Quatro Cavaleiros que morreram lutando contra os mouros pela fé cristã entram diretamente na barca do Anjo. Considerando o contexto português do século XVI, esse desfecho
- reafirma a ideologia de cruzada e de expansão da fé que sustentava a monarquia portuguesa.
- defende a paz entre todos os povos e critica qualquer forma de guerra.
- mostra que o autor rejeitava a religião e valorizava apenas a coragem física dos soldados portugueses.
- revela que os soldados eram os mais criticados no teatro vicentino.
- comprova que Gil Vicente apoiava os mouros contra os portugueses.
Gil Vicente escrevia para a corte portuguesa, e suas peças eram encenadas em festas e celebrações da família real. Considerando essa condição de produção, é correto afirmar que o dramaturgo
- escrevia para teatros populares das aldeias, cobrando ingresso dos camponeses pobres.
- publicava suas peças em jornais diários lidos pela burguesia.
- era um pregador que lia os autos durante as missas de domingo.
- vivia escondido, pois suas peças eram proibidas pela monarquia.
- satirizava a sociedade diante dos próprios poderosos, sob a proteção da corte.
Sobre o que se costuma chamar de "tipos" no teatro de Gil Vicente, assinale a afirmação correta.
- São personagens que representam um grupo ou um vício, sem profundidade psicológica.
- São personagens com nome, história e conflitos interiores minuciosamente desenvolvidos.
- São deuses da mitologia grega que intervêm no destino dos seres humanos.
- São narradores que contam a história em terceira pessoa, fora do palco.
- São personagens inspirados em heróis indígenas brasileiros.
Imagine que um autor de hoje quisesse escrever uma nova "Barca" para criticar comportamentos atuais. Escolha duas personagens-tipo contemporâneas (por exemplo, o influenciador que vende produtos falsos ou o político que promete e não cumpre), indique o objeto simbólico que cada uma levaria ao porto e explique, em um parágrafo, que crítica social essas escolhas fariam, relacionando-as ao procedimento usado por Gil Vicente.
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