Filosofia 2ª série Atividade
Ética do dever e utilitarismo: Kant, Bentham e Mill
Atividade com 10 questões que comparam a ética do dever de Kant e o utilitarismo de Bentham e Mill, com dilemas sobre promessa, dados pessoais e o problema do bonde.
- 10 questões
- cerca de 50 minutos
Filosofia, 2ª série: Ética do dever e utilitarismo: Kant, Bentham e Mill
Em muitos manuais de filosofia, distingue-se moral e ética da seguinte forma:
- moral é a reflexão filosófica sobre os valores; ética é o conjunto de costumes de um povo
- moral é o conjunto de normas e valores de um grupo; ética é a reflexão crítica sobre eles
- moral se refere às leis do Estado; ética se refere às regras das empresas e profissões
- moral é universal e imutável; ética muda conforme a vontade de cada pessoa
- moral e ética são termos sem relação, usados em áreas diferentes do conhecimento
Kant dá o exemplo de um comerciante que não engana fregueses inexperientes, mas apenas porque teme perder clientes se for descoberto. Para Kant, essa ação:
- está conforme ao dever, mas não tem valor moral, pois não é feita por dever
- tem pleno valor moral, pois o resultado foi bom para os fregueses e para a loja
- é imoral, pois toda ação que traz lucro ao agente é moralmente condenável
- tem valor moral, desde que o comerciante sinta simpatia pelos seus clientes
- não pode ser avaliada, pois a moral depende apenas das leis do comércio
Kant distingue imperativos hipotéticos e o imperativo categórico. Qual frase expressa um imperativo hipotético?
- Aja apenas segundo a máxima que você possa querer como lei universal.
- Trate a humanidade sempre como fim e nunca apenas como meio.
- Se você quer ser aprovado no vestibular, estude todos os dias.
- Não minta, quaisquer que sejam as vantagens que a mentira possa trazer.
- Cumpra suas promessas porque é o seu dever, e não por interesse.
Kant analisa o caso de alguém que, precisando de dinheiro, pede um empréstimo prometendo devolvê-lo, embora saiba que não poderá. Aplicando a fórmula da lei universal, ele conclui que essa promessa falsa é moralmente errada porque:
- o empréstimo trará infelicidade para mais pessoas do que felicidade para quem o pediu ao amigo
- a lei do país proíbe expressamente os empréstimos feitos sem garantia de pagamento
- a pessoa sentirá culpa depois, e todo sentimento de culpa indica uma ação errada
- a maioria das pessoas desaprova esse tipo de comportamento em sua comunidade
- se todos prometessem falsamente, ninguém acreditaria em promessas, e a máxima se anularia
Um aplicativo gratuito coleta dados pessoais dos usuários sem informá-los e os vende a empresas de publicidade. Do ponto de vista da fórmula kantiana da humanidade, essa prática é condenável porque:
- produz menos lucro para a empresa do que outras formas de publicidade digital
- os usuários poderiam ter pago pelo aplicativo e, assim, evitado o problema
- é uma prática comum, e o que todos fazem não pode ser considerado errado
- trata os usuários apenas como meios para o lucro, sem respeitar sua autonomia
- viola apenas a lei, sem qualquer relação com a ética ou com a moral
Para Kant, uma vontade é autônoma quando:
- segue os próprios desejos e impulsos, sem aceitar qualquer tipo de regra, norma ou limite exterior
- dá a si mesma a lei moral pela razão, e não a recebe de desejos ou de autoridades externas
- obedece às ordens dos pais, dos professores e das autoridades religiosas
- busca a maior quantidade de prazer possível para si e para as pessoas próximas
- age conforme os costumes de sua comunidade para evitar conflitos e punições
Jeremy Bentham (1748-1832) formulou o princípio da utilidade, base do utilitarismo. De acordo com esse princípio, uma ação é correta quando:
- é praticada por dever, independentemente das consequências que venha a produzir
- segue os mandamentos de uma tradição religiosa reconhecida pela comunidade
- garante o prazer de quem a pratica, mesmo que prejudique as outras pessoas
- tende a produzir a maior felicidade para o maior número de pessoas afetadas
- respeita os costumes do país, ainda que traga sofrimento para muitas pessoas
John Stuart Mill escreveu que é melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito, e melhor ser Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito. Com isso, Mill quis dizer que:
- a felicidade deve ser medida apenas pela quantidade, pela intensidade e pela duração dos prazeres
- os prazeres diferem em qualidade, e os intelectuais e morais são superiores aos do corpo
- a insatisfação é o objetivo da vida moral, e o prazer deve sempre ser evitado
- os animais não sentem prazer nem dor e, por isso, não importam para a ética
- Sócrates era infeliz porque estudava filosofia em vez de buscar o prazer
Um bonde desgovernado vai atingir cinco pessoas nos trilhos. Você está em uma passarela ao lado de um homem muito corpulento; se empurrá-lo nos trilhos, o bonde será parado, salvando os cinco, mas ele morrerá. Qual resposta é coerente com a ética kantiana?
- Empurrar, pois a morte de uma pessoa é preferível à morte de cinco, segundo o cálculo.
- Empurrar, desde que a maioria das pessoas presentes concorde com a decisão tomada.
- Não empurrar, pois isso usaria o homem apenas como meio, mesmo que salvasse cinco pessoas.
- Não empurrar, pois o homem poderia ser alguém mais importante do que os outros cinco.
- Empurrar, pois o dever moral é sempre produzir as melhores consequências possíveis.
Leia o caso fictício.
Uma escola precisa reduzir gastos. A direção propõe cancelar o transporte escolar gratuito de 20 alunos que moram na zona rural para financiar uma nova quadra que atenderá 600 estudantes.
Analise o caso: a) do ponto de vista utilitarista; b) do ponto de vista kantiano. c) Em seguida, apresente sua posição, justificando-a com argumentos e considerando o direito desses estudantes à educação.
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