Filosofia 2ª série Atividade
Empirismo: Locke, Hume e a origem das ideias
Atividade com 10 questões sobre o empirismo de Locke e Hume: tábula rasa, sensação e reflexão, qualidades, impressões e ideias, causalidade, indução e paixões.
- 10 questões
- cerca de 50 minutos
Filosofia, 2ª série: Empirismo: Locke, Hume e a origem das ideias
No Ensaio sobre o entendimento humano (1690), John Locke critica a doutrina das ideias inatas e propõe que:
- a alma recorda, ao longo da vida, as Ideias que contemplou antes de nascer
- a mente, ao nascer, é como um papel em branco, e todas as ideias vêm da experiência
- Deus imprime na mente de cada pessoa, ao nascer, os princípios da moral e da lógica
- algumas verdades, como as matemáticas, são conhecidas sem nenhuma experiência
- a mente é formada pela razão pura, e os sentidos só servem para confundi-la
Segundo Locke, a experiência tem duas fontes de ideias. Quais são elas?
- A memória, que guarda as Ideias eternas, e a imaginação, que as recorda ao longo da vida adulta.
- A revelação divina, que dá as ideias morais, e a tradição, que dá as ideias científicas.
- A dedução, que parte de princípios inatos, e a intuição, que capta as essências.
- A sensação, que dá ideias dos objetos externos, e a reflexão, que percebe a própria mente.
- A opinião da maioria, que fixa as ideias comuns, e a autoridade dos sábios antigos.
Ninguém jamais viu um unicórnio. Ainda assim, temos a ideia de um cavalo branco com um chifre na testa. Para Locke, essa ideia:
- é inata, pois existe na mente antes de qualquer contato com cavalos ou chifres
- é simples, pois foi recebida de uma só vez por meio de uma sensação direta
- é complexa, formada pela mente ao combinar ideias simples obtidas da experiência
- prova que a mente pode criar ideias simples novas, sem ajuda da experiência
- é uma impressão, mais viva do que qualquer ideia formada a partir da memória
Locke distingue qualidades primárias, que estão nos próprios corpos, e qualidades secundárias, que são poderes dos corpos de produzir sensações em nós. Em uma maçã, são qualidades primárias e secundárias, respectivamente:
- o tamanho e a forma; a cor vermelha e o sabor doce
- a cor vermelha e o sabor doce; o tamanho e a forma
- o cheiro e a cor; o sabor e a temperatura
- o sabor doce e o tamanho; a forma e o cheiro
- o peso e a cor; o tamanho e o movimento
Para David Hume, todas as percepções da mente se dividem em impressões e ideias. Ao lembrar, à noite, o cheiro do café que tomou de manhã, uma pessoa tem:
- uma impressão, a percepção mais forte e mais viva possível
- uma ideia inata, presente na mente desde o nascimento
- uma qualidade primária, que existe no próprio café
- uma intuição pura, alcançada sem qualquer experiência
- uma ideia, cópia menos vívida de uma impressão sentida antes
Uma bola de bilhar atinge outra, e a segunda começa a se mover. Dizemos que o choque causou o movimento. Para Hume, porém:
- a razão demonstra, antes de qualquer experiência, que o choque produzirá o movimento
- a relação de causa e efeito é uma impressão vívida que recebemos pelo tato e pela visão ao mesmo tempo
- percebemos apenas uma sucessão repetida, e a ideia de conexão necessária nasce do hábito
- não existe nenhuma regularidade na natureza, e todas as nossas expectativas são falsas
- a causa do movimento é a vontade de Deus, que intervém a cada choque entre as bolas
"O Sol nascerá amanhã" é uma afirmação que todos aceitamos. Hume observa, porém, que "o Sol não nascerá amanhã" não é uma contradição lógica. Daí ele conclui que:
- o Sol pode não nascer amanhã e, portanto, é irracional fazer qualquer previsão
- as inferências sobre o futuro baseiam-se no costume, e não em demonstração racional
- as leis da natureza são conhecidas a priori, como as verdades da matemática
- a afirmação é uma relação de ideias, verdadeira só pela definição de seus termos
- a ciência deve abandonar a observação e se limitar ao estudo da lógica formal
No Tratado da natureza humana, Hume escreveu que a razão é, e deve ser apenas, escrava das paixões. Essa afirmação significa que:
- a razão sozinha não move à ação; ela indica meios, mas são os desejos que nos fazem agir
- as pessoas devem abandonar a razão e seguir apenas os impulsos do momento
- a razão deve dominar as paixões, como um governante que comanda os súditos
- as emoções são sempre irracionais e, por isso, não têm lugar na vida moral
- o conhecimento depende apenas das paixões, e por isso a ciência é impossível de ser alcançada
Para combater a tese das ideias inatas, Locke observa que princípios como "é impossível uma coisa ser e não ser ao mesmo tempo" não são conhecidos por crianças pequenas nem por muitos adultos. O argumento de Locke é que:
- as crianças nascem com todos os princípios, mas os esquecem ao aprender a falar
- apenas os filósofos nascem com ideias inatas, por terem uma mente mais elevada que a dos demais
- os princípios lógicos são falsos, já que nem todas as pessoas os conhecem
- se esses princípios fossem inatos, todos os conheceriam, o que a observação desmente
- o conhecimento depende apenas da educação escolar, e não da experiência
Escolha uma situação do cotidiano em que costumamos falar de causa e efeito (por exemplo: "a chuva causou o alagamento da rua" ou "o remédio curou a dor de cabeça"). Explique como Hume analisaria essa afirmação, usando os conceitos de impressão, hábito e conexão necessária. Depois, responda: por que essa crítica é importante para a ciência?
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