Sociologia 1ª série Atividade
Cultura, etnocentrismo e relativismo cultural
Atividade com 10 questões sobre o conceito antropológico de cultura, etnocentrismo, Montaigne, relativismo cultural, evolucionismo, Lévi-Strauss e hibridismo.
- 10 questões
- cerca de 50 minutos
Sociologia, 1ª série: Cultura, etnocentrismo e relativismo cultural
Em uma conversa, alguém diz: "Aquele povo não tem cultura, porque não tem museus nem livros". Do ponto de vista antropológico, essa afirmação é equivocada porque cultura é:
- o conhecimento erudito acumulado por pessoas que frequentam museus, teatros e bibliotecas
- o grau de desenvolvimento tecnológico alcançado por um povo, medido pela sua indústria
- o conjunto de saberes, crenças, costumes e práticas aprendidos e partilhados por um grupo
- uma herança biológica transmitida pelos genes, que diferencia os povos entre si
- um privilégio dos povos que desenvolveram a escrita e a ciência experimental moderna
Todos os seres humanos sentem fome. No entanto, o que se come, como, com quem e em que horários varia muito entre os grupos. Esse exemplo mostra que:
- a alimentação humana é instintiva e igual em todas as sociedades do planeta
- a cultura não tem nenhuma relação com as necessidades do corpo humano
- os povos que comem alimentos diferentes dos nossos estão errados e precisam mudar
- necessidades biológicas são satisfeitas de formas definidas pela cultura
- a fome é uma invenção cultural, pois os seres humanos não têm necessidades biológicas
Após uma viagem, um turista comentou: "Lá as pessoas comem com as mãos, que falta de educação! Deviam aprender a usar talheres como nós". Esse comentário expressa:
- relativismo cultural, pois compreende a prática no seu contexto
- aculturação, pois mostra a fusão completa entre duas culturas distintas
- multiculturalismo, pois valoriza igualmente as diferentes práticas
- cidadania, pois defende os direitos dos moradores do país visitado
- etnocentrismo, pois julga outra cultura pelos padrões da própria
No ensaio "Dos canibais" (1580), o filósofo francês Michel de Montaigne, ao refletir sobre relatos acerca dos tupinambás do Brasil, observa que cada um chama de barbárie aquilo que não é de seu costume. Essa reflexão:
- questiona a oposição entre civilizados e bárbaros, mostrando que ela depende do ponto de vista
- confirma que os europeus eram mais civilizados que os povos indígenas da América
- defende que os povos indígenas deveriam adotar os costumes europeus o quanto antes
- afirma que não existe nenhuma diferença entre as culturas dos diversos povos
- prova que Montaigne viveu muitos anos entre os tupinambás, no litoral brasileiro
O antropólogo Franz Boas defendeu que cada cultura deve ser compreendida em seus próprios termos, a partir de sua história e de seus valores. Essa postura, chamada de relativismo cultural:
- afirma que todas as culturas são iguais e que não há diferenças entre os povos
- defende que a cultura europeia é a referência para avaliar todas as outras
- procura compreender as práticas no contexto em que fazem sentido, antes de julgá-las
- proíbe qualquer debate sobre direitos humanos em sociedades diferentes da nossa
- considera que as culturas evoluem do estágio selvagem para o estágio civilizado
No século XIX, o antropólogo Lewis Morgan propôs que todas as sociedades passariam pelas etapas de selvageria, barbárie e civilização. Essa teoria, chamada de evolucionismo cultural, foi criticada posteriormente porque:
- valorizava demais as culturas indígenas, considerando-as superiores às europeias
- foi elaborada com pesquisas de campo prolongadas em todas as sociedades estudadas
- afirmava que as culturas são diferentes, mas que nenhuma é superior às outras
- negava que as sociedades humanas se transformassem ao longo do tempo histórico
- hierarquizava as culturas e tomava a sociedade europeia como ponto de chegada
Em Raça e história (1952), escrito a pedido da Unesco, Claude Lévi-Strauss argumenta que, ao chamar outros povos de bárbaros, o observador revela a própria atitude de exclusão. Para ele, a diversidade cultural deve ser vista como:
- uma prova de que algumas raças são biologicamente superiores e mais inteligentes que outras raças humanas
- uma riqueza da humanidade, resultado de trajetórias históricas diferentes, sem hierarquia entre elas
- um problema a ser eliminado, por meio da adoção de uma cultura única em todo o planeta
- uma etapa provisória, que terminará quando todos os povos atingirem a civilização europeia
- uma questão irrelevante para a antropologia, que deve estudar apenas a biologia humana
As festas juninas brasileiras reúnem elementos de origem europeia (os santos católicos e as fogueiras), alimentos de origem indígena e africana (milho, mandioca, amendoim) e danças com influências rurais diversas. Esse exemplo ilustra:
- o etnocentrismo, pois a festa impede o contato entre culturas diferentes no país
- o isolamento cultural, já que a festa é idêntica à que se fazia na Europa medieval
- a ausência de cultura popular no Brasil, que apenas copia festas de outros países
- o hibridismo cultural, em que elementos de origens diversas se combinam e criam algo novo
- o evolucionismo, pois a festa mostra a passagem da selvageria para a civilização
Muitos livros antigos falavam em "descobrimento do Brasil" em 1500. Hoje, muitos historiadores e o movimento indígena preferem expressões como "chegada dos portugueses" ou "invasão". A mudança de termos se justifica porque:
- os portugueses nunca chegaram ao Brasil, segundo documentos encontrados recentemente
- os povos indígenas chegaram ao território depois dos portugueses, no século XVI
- "descobrimento" adota o ponto de vista europeu, ignorando os povos que já viviam ali
- "descobrimento" é uma palavra estrangeira que não existe na língua portuguesa
- a chegada dos portugueses não teve nenhuma consequência para os povos que aqui viviam
Descreva uma situação do cotidiano brasileiro em que há uma atitude etnocêntrica (por exemplo, preconceito contra sotaques regionais, contra estilos musicais, contra religiões ou contra hábitos de outros povos). Em seguida: a) explique por que a atitude é etnocêntrica; b) mostre como o relativismo cultural ajudaria a compreender a situação; c) discuta se o relativismo cultural tem limites, apresentando sua posição com argumentos.
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