Filosofia 3ª série Atividade
Filosofia latino-americana: colonialidade e libertação
Atividade com 11 questões sobre filosofia latino-americana: civilização e barbárie, Martí, o "deserto" argentino, Valladolid, Salazar Bondy, Dussel, Quijano, Freire, bem viver e Lélia Gonzalez.
- 11 questões
- cerca de 55 minutos
Filosofia, 3ª série: Filosofia latino-americana: colonialidade e libertação
Em Facundo: civilização e barbárie (1845), o argentino Domingo Faustino Sarmiento opôs a cidade, associada à Europa e ao progresso, ao campo do pampa, associado aos caudilhos, aos gaúchos e aos povos indígenas, que ele via como expressão da barbárie.
A crítica atual a esse tipo de oposição destaca que ela
- hierarquiza modos de vida e pode servir para justificar a exclusão de grupos.
- descreve de forma neutra e objetiva as diferenças naturais entre os povos do continente.
- foi criada pelos povos indígenas para afirmar a superioridade de suas culturas sobre as europeias.
- mostra que o campo e a cidade nunca mantiveram relações econômicas e culturais entre si.
- comprova que o progresso técnico depende da eliminação de todas as tradições locais.
Em seu ensaio Nossa América (1891), o cubano José Martí escreveu:
"No hay batalla entre la civilización y la barbarie, sino entre la falsa erudición y la naturaleza."
Com essa frase, Martí
- defende que os países americanos copiem integralmente as instituições europeias.
- critica elites que governavam com modelos importados, ignorando a realidade americana.
- concorda com a tese de que os povos do campo representam a barbárie a ser vencida.
- afirma que o estudo e a erudição devem ser abolidos das escolas latino-americanas.
- propõe que a natureza seja explorada sem limites para garantir o progresso nacional.
Entre 1878 e 1885, o governo argentino promoveu campanhas militares que ficaram conhecidas como "Conquista do Deserto", para incorporar ao Estado terras do pampa e da Patagônia. Essas regiões, porém, eram habitadas havia séculos por povos como os mapuches, os tehuelches e os ranqueles.
O uso da palavra "deserto" nesse contexto revela que
- as campanhas ocorreram em áreas sem nenhuma presença humana, apenas de animais selvagens.
- os povos indígenas da região abandonaram voluntariamente suas terras antes das campanhas.
- representar um território como vazio pode apagar seus habitantes e legitimar sua ocupação.
- a palavra "deserto" tinha, na época, apenas um sentido climático, ligado à falta de chuvas.
- a noção de vazio é sempre uma descrição exata do espaço, sem nenhuma dimensão política.
Em 1550 e 1551, em Valladolid, na Espanha, o frei Bartolomé de las Casas e o jurista Juan Ginés de Sepúlveda debateram sobre a conquista da América. Sepúlveda recorreu à tese de Aristóteles sobre a escravidão natural para justificar a guerra contra os povos indígenas. Las Casas, que havia vivido na América, contestou essa posição.
O ponto central da controvérsia era
- se a América deveria ser dividida entre Portugal e a Espanha pelo Tratado de Tordesilhas.
- se os indígenas deveriam ser enviados para trabalhar nas fábricas da Revolução Industrial.
- se as obras de Aristóteles deveriam ser traduzidas para as línguas dos povos indígenas.
- se a Espanha deveria abandonar o catolicismo e adotar as religiões dos povos americanos.
- se os indígenas eram plenamente racionais e livres, e se a guerra contra eles era justa.
Em 1968, o filósofo peruano Augusto Salazar Bondy publicou o ensaio Existe uma filosofia de nossa América?. Ele argumentou que boa parte da filosofia produzida no continente era imitação de correntes estrangeiras e que essa falta de originalidade expressava uma situação de dependência e dominação. O mexicano Leopoldo Zea respondeu que a filosofia feita na América já era filosofia, sem necessidade de adjetivos.
O debate entre os dois autores girava em torno
- da proibição do ensino de filosofia europeia nas universidades e escolas latino-americanas.
- da tese de que os povos americanos seriam incapazes, por natureza, de filosofar.
- da escolha da língua oficial que deveria ser usada nos congressos de filosofia.
- da relação entre a autenticidade do pensamento e as condições históricas do continente.
- da defesa de que só a filosofia grega antiga merece ser estudada no continente.
O filósofo argentino-mexicano Enrique Dussel, um dos fundadores da Filosofia da Libertação, afirma, em paráfrase, que antes do "penso" de Descartes houve o "conquisto": a subjetividade moderna europeia teria se formado também por meio da conquista da América, a partir de 1492.
Com essa tese, Dussel pretende
- mostrar que a modernidade tem uma face colonial, ocultada por suas narrativas oficiais.
- negar que Descartes tenha escrito suas obras no século XVII, na Europa.
- afirmar que a conquista da América foi um projeto pensado pelo próprio Descartes.
- provar que a filosofia moderna não tem nenhum valor e deve ser abandonada.
- defender que a razão é uma invenção latino-americana copiada pelos europeus.
O sociólogo peruano Aníbal Quijano propôs o conceito de colonialidade do poder. Segundo ele, a colonização das Américas criou uma classificação da população mundial com base na ideia de "raça", usada para distribuir lugares no trabalho, na autoridade e no prestígio.
A diferença entre colonialismo e colonialidade, nesse sentido, é que a colonialidade
- terminou junto com as independências políticas dos países latino-americanos.
- refere-se só à administração das colônias pelas metrópoles europeias.
- persiste nas hierarquias sociais mesmo depois do fim da dominação política formal.
- é uma teoria biológica que comprovaria a existência de raças humanas distintas entre si.
- diz respeito apenas à economia, sem qualquer relação com a cultura e o saber.
Em Pedagogia do oprimido, Paulo Freire critica a educação "bancária", na qual o professor deposita conteúdos em alunos vistos como recipientes vazios, e propõe uma educação problematizadora, baseada no diálogo.
Qual prática se aproxima da proposta de Freire?
- Ditar um resumo e cobrar que os alunos o repitam na prova.
- Pedir silêncio absoluto e proibir perguntas durante a explicação.
- Apresentar o conteúdo como verdade pronta, sem relacioná-lo à vida.
- Partir de um problema da comunidade e discuti-lo com os alunos.
- Premiar quem decora mais rápido as definições do livro didático.
As constituições do Equador (2008) e da Bolívia (2009) incorporaram a noção de bem viver, inspirada em concepções indígenas andinas, como o sumak kawsay (quíchua) e o suma qamaña (aimará). A constituição equatoriana também reconheceu direitos à natureza.
Essas iniciativas indicam
- a adoção de um modelo que mede o bem-estar apenas pelo crescimento do produto interno bruto.
- a valorização de saberes indígenas que questionam a separação entre sociedade e natureza.
- a proibição de que povos indígenas participem da elaboração de leis nesses países.
- a substituição completa das leis nacionais pelas normas de cada comunidade local.
- a defesa de que a natureza é um recurso a ser explorado sem nenhum tipo de limite.
A intelectual brasileira Lélia Gonzalez propôs a categoria de "amefricanidade" para destacar a presença e a contribuição das culturas africanas e indígenas na formação das sociedades das Américas.
( ) Verdadeiro ( ) Falso
Muitos pensadores latino-americanos criticaram oposições como civilização/barbárie, cidade/campo e razão/emoção.
a) Escolha uma dessas oposições e explique por que ela foi criticada, citando um autor ou um fato estudado.
b) Alguns críticos alertam que, ao recusar a visão eurocêntrica, corre-se o risco de simplesmente inverter o dualismo, idealizando tudo o que é local ou tradicional. Comente esse risco e proponha uma forma de evitá-lo.
ProvaPiloto · provapiloto.com.br
Gabarito comentado
Já usou com a sua turma?
Conte com um toque. Isso ajuda outros professores a escolher.
Usei em sala Entre na sua conta para contar.
Para continuar o assunto
Movimentos por direitos civis e contra a segregação racial
Atividade 10 questões 50 min
Independências africanas: pan-africanismo e fronteiras
Prova 10 questões 60 min

Fronteiras do Brasil: faixa de fronteira e Amazônia Azul
Atividade 10 questões 50 min

Cidade e sociedade: segregação e direito à cidade
Atividade 11 questões 55 min