Sociologia 3ª série Simulado
Simulado ENEM de sociologia: cultura, religião e identidade
Simulado com 12 questões no estilo ENEM sobre cultura, religião e identidade: patrimônio, Durkheim, pluralismo religioso, DaMatta, Geertz, Stuart Hall, protagonismo indígena e sincretismo.
- 12 questões
- cerca de 70 minutos
Sociologia, 3ª série: Simulado ENEM de sociologia: cultura, religião e identidade
TEXTO
Em 1984, o Iphan aprovou o tombamento do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, em Salvador, um dos mais antigos terreiros de candomblé em funcionamento no Brasil. Foi o primeiro terreiro tombado como patrimônio nacional. Até então, a política de patrimônio privilegiava igrejas, fortes e casarões ligados à história das elites coloniais.
O tombamento descrito no texto representou
- o reconhecimento de práticas afro-brasileiras como parte do patrimônio nacional.
- a transformação do terreiro em museu, com a proibição das celebrações religiosas.
- a decisão de que somente as construções católicas poderiam ser tombadas no país.
- a substituição das igrejas coloniais pelos terreiros na lista do patrimônio histórico.
- o fim das políticas de proteção de bens ligados à história colonial do Brasil.
TEXTO
Em As formas elementares da vida religiosa (1912), Émile Durkheim define a religião como um sistema de crenças e práticas relativas a coisas sagradas, isto é, separadas e cercadas de interditos, que unem em uma mesma comunidade moral todos aqueles que a elas aderem.
Segundo essa definição, uma função social central dos rituais religiosos é
- provar, por meio de experimentos, a existência de entidades sobrenaturais.
- substituir as regras de convivência por escolhas individuais e isoladas.
- separar cada fiel de sua comunidade, para que viva sua fé em solidão.
- reforçar os laços entre os membros do grupo e os valores comuns.
- eliminar a distinção entre o sagrado e o profano na vida cotidiana.
TEXTO
Os censos demográficos mais recentes mostram, no Brasil, a redução da proporção de pessoas que se declaram católicas e o crescimento das que se declaram evangélicas e das que se declaram sem religião.
Uma interpretação sociológica adequada desses dados é a de que o país vive
- o fim de qualquer forma de religiosidade, substituída inteiramente pela ciência.
- uma pluralização do campo religioso, e não o simples desaparecimento da religião.
- a adoção de uma religião oficial do Estado, escolhida pela maioria nas eleições.
- a proibição das religiões minoritárias, que deixaram de ser contadas nos censos.
- uma volta ao período colonial, em que o catolicismo era a única religião legal.
TEXTO
Em Carnavais, malandros e heróis (1979), o antropólogo Roberto DaMatta analisa a expressão "Você sabe com quem está falando?", usada por quem quer escapar de uma regra geral, como uma fila ou uma multa, invocando sua posição social ou suas relações pessoais.
Segundo essa análise, a expressão revela
- que no Brasil as regras são aplicadas da mesma forma a todos, sem qualquer exceção.
- a ausência de relações pessoais na vida pública e no funcionamento das instituições.
- a convivência entre leis iguais para todos e práticas que reafirmam hierarquias.
- que as pessoas de maior prestígio são as que mais respeitam filas e regras de trânsito.
- a rejeição generalizada de qualquer forma de hierarquia social na sociedade brasileira.
TEXTO
Para o antropólogo estadunidense Clifford Geertz, em A interpretação das culturas (1973), a cultura pode ser comparada, em paráfrase, a teias de significados que os próprios seres humanos teceram. Estudá-la seria, portanto, uma ciência interpretativa, à procura de significados.
Com base nessa concepção, ao observar uma festa de bumba meu boi no Maranhão, o pesquisador deveria
- interpretar o sentido que os participantes dão aos gestos, personagens e cantos.
- medir apenas o número de participantes e a duração da festa, sem ouvir as pessoas.
- classificar a festa como inferior às manifestações culturais dos países europeus.
- procurar uma lei biológica que explique por que os seres humanos fazem festas.
- julgar se os participantes acreditam em algo verdadeiro ou falso sobre o boi.
TEXTO
Júlia mora em Recife, é fã de K-pop, participa de um grupo de maracatu, frequenta a igreja com a avó e se identifica como nordestina e como mulher negra. Nas redes, segue artistas de vários países.
De acordo com o sociólogo Stuart Hall, em A identidade cultural na pós-modernidade (1992), a situação de Júlia exemplifica
- uma identidade fixa e única, definida no nascimento e imune a influências.
- a perda completa da identidade nacional, substituída por uma cultura global.
- uma contradição que deve ser resolvida pela escolha de uma única identidade.
- a ausência de qualquer influência da globalização sobre a juventude brasileira.
- identidades múltiplas, construídas na relação com grupos e referências diversos.
TEXTO
Desde 2004, povos indígenas de todo o Brasil realizam anualmente em Brasília o Acampamento Terra Livre. Durante vários dias, milhares de pessoas de diferentes etnias participam de marchas, plenárias e reuniões com autoridades para discutir demarcação de terras, saúde, educação e meio ambiente.
O acampamento expressa
- a tutela dos povos indígenas pelo Estado, que organiza o evento em seu nome.
- a homogeneidade cultural entre todos os povos indígenas que vivem no país.
- o protagonismo político indígena, organizado de forma coletiva.
- o abandono das reivindicações territoriais em favor de pautas urbanas.
- a recusa dos povos indígenas em dialogar com as instituições do Estado.
TEXTO
Ana é pataxó, nasceu em uma aldeia no sul da Bahia e hoje cursa Medicina em Belo Horizonte. Usa celular, mora em um apartamento e volta à aldeia nas férias. Um colega comentou: "Você não é mais indígena de verdade".
Do ponto de vista das Ciências Sociais e da Convenção 169 da OIT, que adota a consciência da própria identidade como critério fundamental, o comentário do colega
- baseia-se em uma oposição falsa entre ser indígena e viver na cidade moderna.
- está correto, pois a identidade indígena se perde com o uso de tecnologias.
- está correto, porque só é indígena quem nunca saiu da aldeia em que nasceu.
- expressa o critério oficial do Estado, que exige morar em terra indígena.
- está correto, pois cabe aos colegas decidir quem é ou não indígena.
TEXTO
Em 2002, o Iphan fez seus primeiros registros de patrimônio imaterial. Um deles foi o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras, em Vitória, no Espírito Santo: um saber transmitido entre gerações de mulheres, que modelam panelas de barro com técnicas de origem indígena, usando argila e tintura de casca de árvore da região.
O registro de um ofício como patrimônio imaterial busca proteger, sobretudo,
- apenas as panelas mais antigas, que devem ficar guardadas em museus.
- os conhecimentos e as práticas das pessoas que fazem as panelas.
- a fábrica que produz panelas de alumínio em grande escala na região.
- a proibição de que as paneleiras vendam suas peças a turistas.
- a substituição do barro por materiais industriais mais resistentes.
TEXTO
Em uma escola, um aluno passou a imitar com deboche as orações de um colega evangélico. Outro grupo espalhou boatos ofensivos sobre uma colega que frequenta um terreiro de candomblé. Uma terceira aluna, que não tem religião, era chamada de "sem alma".
À luz da Constituição de 1988 e dos direitos humanos, a situação deve ser analisada considerando que
- apenas a religião da maioria da população deve ser protegida pela lei brasileira.
- as ofensas são aceitáveis quando feitas em tom de brincadeira entre adolescentes.
- somente as religiões de matriz africana são protegidas contra a discriminação.
- a escola não deve intervir, já que religião é um assunto apenas da vida privada.
- a liberdade de crença protege todas as religiões e também quem não tem religião.
TEXTO
Lançado em Recife, em 1970, pelo escritor Ariano Suassuna, o Movimento Armorial propôs criar uma arte erudita brasileira a partir de raízes populares do Nordeste, como a literatura de cordel, a xilogravura, os folguedos e a música dos cantadores.
A proposta do Movimento Armorial relativiza a oposição entre
- campo e cidade.
- natureza e cultura.
- religião e ciência.
- cultura popular e cultura erudita.
- trabalho manual e trabalho intelectual.
TEXTO
Na Lavagem do Bonfim, em Salvador, baianas vestidas de branco lavam as escadarias da igreja do Senhor do Bonfim com água de cheiro, em um cortejo que reúne católicos, adeptos do candomblé e turistas. Muitos devotos associam o Senhor do Bonfim a Oxalá. Em 1983, porém, um grupo de importantes ialorixás de Salvador divulgou um manifesto contra o sincretismo, defendendo a autonomia do candomblé em relação ao catolicismo.
A leitura do texto permite concluir que o sincretismo religioso
- é aceito sem nenhuma divergência por todos os praticantes das religiões envolvidas.
- foi imposto pelo turismo recente, sem nenhuma relação com a história da escravidão.
- é um processo histórico vivido e avaliado de formas diferentes pelos próprios fiéis.
- mostra que o candomblé é apenas uma variação do catolicismo popular brasileiro.
- deixou de existir em Salvador depois da publicação do manifesto das ialorixás.
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