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Sociologia 3ª série Atividade

Cidade e sociedade: segregação e direito à cidade

Atividade com 11 questões de sociologia urbana: Simmel e a atitude blasé, Escola de Chicago, segregação socioespacial, gentrificação, rolezinhos, hip-hop, Lefebvre, Milton Santos e favelas.

  • 11 questões
  • cerca de 55 minutos

Sociologia, 3ª série: Cidade e sociedade: segregação e direito à cidade

  1. No ensaio A metrópole e a vida mental (1903), Georg Simmel afirma que o morador da grande cidade, exposto a um excesso de estímulos (ruídos, multidões, anúncios, pressa), desenvolve uma atitude blasé.

    Essa atitude consiste em

    1. uma indiferença que protege o indivíduo do excesso de estímulos.
    2. uma curiosidade intensa por cada pessoa que cruza seu caminho na rua.
    3. um retorno aos laços comunitários típicos das pequenas aldeias rurais.
    4. uma reação violenta contra os desconhecidos que circulam pela cidade.
    5. uma dependência completa dos vizinhos para as tarefas do dia a dia.
  2. Nas décadas de 1910 e 1920, pesquisadores da Universidade de Chicago, como Robert Park e Ernest Burgess, estudaram a cidade de Chicago, que crescia rapidamente com a chegada de imigrantes e de trabalhadores do campo. Burgess propôs um modelo em que a cidade se organizaria em zonas concêntricas, do centro de negócios às áreas residenciais mais afastadas.

    A contribuição dessa escola para a sociologia foi

    1. provar que todas as cidades do mundo têm exatamente a mesma organização espacial.
    2. defender que a vida urbana deveria ser proibida para conter os conflitos sociais.
    3. tomar a cidade como objeto de pesquisa empírica, observando bairros e grupos.
    4. estudar apenas documentos antigos, sem nenhum trabalho de campo nos bairros.
    5. afirmar que os imigrantes não tinham influência na formação da cidade moderna.
  3. Leia o texto.

    Valéria trabalha como auxiliar de cozinha em um restaurante no centro expandido de uma metrópole. Como o aluguel ali é muito caro, ela mora em um bairro a 35 quilômetros do trabalho, onde há poucas escolas de ensino médio, nenhum hospital e linhas de ônibus lotadas. Gasta quase quatro horas por dia em deslocamentos.

    A situação de Valéria pode ser explicada pelo conceito de

    1. solidariedade mecânica.
    2. mobilidade social ascendente.
    3. êxodo urbano.
    4. segregação socioespacial.
    5. relativismo cultural.
  4. O termo gentrificação foi usado pela socióloga britânica Ruth Glass, em 1964, para descrever mudanças em bairros operários de Londres. Leia o exemplo.

    Um bairro antigo, próximo ao centro, recebe novas praças, ciclovias e restaurantes. Os imóveis se valorizam, os aluguéis sobem e muitos moradores antigos, de baixa renda, mudam-se para regiões mais distantes.

    O exemplo indica que a gentrificação

    1. beneficia sempre os moradores antigos, que passam a pagar aluguéis mais baixos.
    2. valoriza um bairro e, ao mesmo tempo, pode expulsar seus moradores antigos.
    3. acontece apenas em cidades pequenas, sem nenhum interesse do mercado imobiliário.
    4. consiste na construção de favelas em áreas centrais abandonadas pelo poder público.
    5. impede qualquer melhoria urbana, porque proíbe novas praças, ciclovias e comércios.
  5. Leia o texto.

    Entre 2013 e 2014, jovens das periferias de São Paulo combinaram pelas redes sociais encontros em shoppings, que ficaram conhecidos como "rolezinhos". Alguns shoppings obtiveram decisões judiciais para restringir esses encontros, alegando segurança. Muitos pesquisadores apontaram que os jovens, em sua maioria negros e pobres, foram tratados como ameaça em espaços frequentados pelas classes médias.

    Do ponto de vista sociológico, o episódio revela

    1. a ausência de qualquer conflito social ligado à ocupação dos espaços urbanos no Brasil.
    2. que os shoppings são espaços públicos em que não existe controle de acesso ou vigilância.
    3. que os jovens da periferia não utilizam as redes sociais para se organizar e se encontrar.
    4. que a cor e a renda dos frequentadores nunca interferem no tratamento dado a eles.
    5. fronteiras simbólicas na cidade, que definem quem é visto como bem-vindo em cada espaço.
  6. O hip-hop, que reúne o rap, o breaking, o grafite e a discotecagem, difundiu-se nas periferias das cidades brasileiras a partir dos anos 1980. Nas letras e nas produções do movimento, são frequentes as referências à "quebrada", ao bairro e à realidade local.

    Essas práticas podem ser entendidas como produção de territorialidades juvenis porque

    1. eliminam qualquer diferença entre os bairros ricos e pobres da cidade.
    2. são impostas pelo poder público aos jovens como atividade obrigatória.
    3. afirmam pertencimento a um lugar e contestam estigmas sobre a periferia.
    4. rejeitam qualquer vínculo com o espaço em que os jovens vivem.
    5. foram criadas para promover o turismo nos bairros mais ricos.
  7. Em O direito à cidade (1968), o filósofo e sociólogo francês Henri Lefebvre critica a cidade organizada pela lógica do mercado, em que o valor de troca do espaço se sobrepõe ao seu valor de uso.

    Para Lefebvre, o direito à cidade significa

    1. ter um título de propriedade de imóvel na área central da cidade.
    2. participar da vida urbana e das decisões sobre a produção do espaço.
    3. morar o mais longe possível do centro para fugir dos conflitos urbanos.
    4. deixar que as empresas imobiliárias decidam sozinhas o uso do solo.
    5. garantir que só os moradores antigos possam circular pelos bairros.
  8. Em O espaço do cidadão (1987), o geógrafo Milton Santos argumenta, em paráfrase, que o valor de cada pessoa na sociedade brasileira depende, em grande parte, do lugar onde ela vive, porque o acesso a bens e serviços é desigualmente distribuído no território.

    Segundo essa análise, a cidadania plena exige

    1. que cada pessoa se mude para o bairro onde estão os melhores serviços.
    2. que o direito ao voto seja suficiente para garantir os demais direitos.
    3. que o Estado deixe de investir em infraestrutura nas regiões periféricas.
    4. que serviços como escola, saúde e transporte cheguem a todos os lugares.
    5. que os serviços públicos sejam oferecidos apenas nas áreas centrais.
  9. Em 2024, o IBGE deixou de usar a expressão "aglomerados subnormais" e passou a adotar "favelas e comunidades urbanas" para designar áreas com predominância de domicílios em situação de insegurança jurídica da posse e com carência de serviços públicos.

    Uma justificativa para essa mudança é

    1. indicar que essas áreas passaram a ter todos os serviços públicos regularizados.
    2. deixar de contar a população dessas áreas nas pesquisas oficiais do instituto.
    3. proibir o uso da palavra favela em documentos oficiais e em produções culturais.
    4. mostrar que não existem mais desigualdades entre os bairros das cidades brasileiras.
    5. abandonar um termo estigmatizante e reconhecer a identidade dada pelos moradores.
  10. Nas grandes regiões metropolitanas brasileiras, os moradores das periferias mais distantes tendem a gastar mais tempo no deslocamento entre casa e trabalho do que os moradores das áreas centrais.

    (   ) Verdadeiro   (   ) Falso

  11. Pense no trajeto que você faz entre sua casa e a escola, ou em outro trajeto frequente na sua cidade.

    a) Descreva como se distribuem nesse trajeto equipamentos como praças, postos de saúde, bibliotecas e linhas de ônibus.

    b) Identifique uma "fronteira" (visível ou invisível) que você percebe na cidade e explique por que ela existe, usando um conceito estudado.

    c) Proponha uma reivindicação que os moradores poderiam apresentar ao poder público, indicando a quem ela seria dirigida.

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