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Língua Portuguesa 2ª série Atividade

Castro Alves e a poesia abolicionista

Atividade com 10 questões sobre Castro Alves e a poesia condoreira: O navio negreiro, a denúncia da escravidão, a retórica grandiloquente e vozes negras do abolicionismo, como Luís Gama e Maria Firmina dos Reis.

  • 10 questões
  • cerca de 55 minutos

Língua Portuguesa, 2ª série: Castro Alves e a poesia abolicionista

  1. Leia o trecho.

    Era um sonho dantesco... o tombadilho
    Que das luzernas avermelha o brilho,
    Em sangue a se banhar.
    Tinir de ferros... estalar de açoite...
    Legiões de homens negros como a noite,
    Horrendos a dançar...

    Castro Alves, "O navio negreiro", parte IV. Tombadilho: parte superior do navio; luzernas: luzes, clarões.

    A expressão "sonho dantesco", que abre a estrofe, sugere que a cena no navio é

    1. agradável e tranquila, como um sonho bom durante a noite.
    2. imaginária, pois o tráfico de escravizados nunca existiu.
    3. infernal, como as descrições do Inferno na Divina comédia, de Dante.
    4. festiva, pois os homens dançam por vontade própria no tombadilho.
    5. cômica, como as cenas de humor do teatro de Gil Vicente.
  2. No trecho "Tinir de ferros... estalar de açoite...", o poeta recorre principalmente a

    1. comparações com elementos da natureza brasileira, como palmeiras e aves.
    2. termos científicos que descrevem com neutralidade a viagem do navio.
    3. eufemismos que suavizam a crueldade da cena descrita no poema.
    4. imagens sonoras que tornam a violência quase audível para o leitor.
    5. diálogos entre os marinheiros e o comandante sobre a rota do navio.
  3. Leia o trecho.

    Senhor Deus dos desgraçados!
    Dizei-me vós, Senhor Deus!
    Se é loucura... se é verdade
    Tanto horror perante os céus?!

    Castro Alves, "O navio negreiro", parte V.

    Nesses versos, a interpelação direta a Deus (apóstrofe) e a pergunta exclamativa expressam

    1. gratidão a Deus pela viagem tranquila e pela chegada do navio ao porto.
    2. indignação e espanto diante de um sofrimento que parece inacreditável.
    3. dúvida sobre a existência de Deus, tema central de todo o Romantismo.
    4. um pedido de perdão do poeta por ter participado do tráfico de pessoas.
    5. a satisfação do eu lírico com o progresso econômico trazido pelo tráfico.
  4. A poesia de Castro Alves é chamada de condoreira, em referência ao condor, ave que voa muito alto. Essa denominação se explica

    1. pela descrição de aves dos Andes e de paisagens montanhosas, tema predominante em sua obra.
    2. pelo isolamento do poeta, que vivia afastado da vida pública e política.
    3. pela preferência por versos curtos, simples e de vocabulário cotidiano.
    4. pela influência da poesia trovadoresca, cantada nas cortes medievais.
    5. pela linguagem grandiloquente e pelo desejo de elevar a poesia à causa da liberdade.
  5. Na parte final de "O navio negreiro", o poeta lamenta que a bandeira do Brasil ("Auriverde pendão de minha terra") sirva para "cobrir tanta infâmia e cobardia". Essa passagem revela

    1. a crítica a um país que se dizia nação livre, mas mantinha a escravidão.
    2. o orgulho do poeta pela participação brasileira no tráfico de pessoas.
    3. a defesa da monarquia portuguesa contra a independência do Brasil.
    4. a indiferença do eu lírico diante do destino dos africanos escravizados.
    5. a exaltação da natureza brasileira, sem qualquer referência política.
  6. Luís Gama (1830-1882) nasceu livre, mas aos dez anos foi vendido ilegalmente como escravo pelo próprio pai. Conquistou a liberdade, tornou-se jornalista, poeta e advogado autodidata, e libertou centenas de pessoas nos tribunais. Incluir sua trajetória no estudo do abolicionismo é importante porque

    1. prova que apenas poetas brancos participaram do movimento abolicionista.
    2. indica que a abolição foi um presente da monarquia, sem luta popular.
    3. mostra o protagonismo negro na luta contra a escravidão.
    4. demonstra que os tribunais brasileiros nunca aceitavam ações de liberdade.
    5. mostra que a escravidão terminou no Brasil antes da Independência de 1822.
  7. Maria Firmina dos Reis, professora maranhense, publicou em 1859 o romance Úrsula, considerado um dos primeiros romances abolicionistas do Brasil. Na obra, a personagem Mãe Susana relembra sua vida livre na África e a captura pelos traficantes. A importância dessa personagem está em

    1. apresentar a escravidão como uma condição natural e aceita por todos.
    2. exaltar os traficantes como heróis corajosos que enfrentavam o mar.
    3. descrever a África como um lugar sem história, cultura ou memória.
    4. defender que os africanos deveriam esquecer sua terra de origem.
    5. dar voz à própria pessoa escravizada, que narra sua história e sua dor.
  8. Leia a afirmação de um estudante: "O poema de Castro Alves é importante, mas fala dos africanos escravizados quase sempre como vítimas, e pouco como sujeitos que resistiam." Essa leitura

    1. é incorreta, pois o poema narra em detalhes as revoltas e os quilombos.
    2. é pertinente, pois reconhece o valor do poema e aponta um limite de sua perspectiva.
    3. é incorreta, pois Castro Alves defendia a manutenção da escravidão.
    4. é pertinente, pois o poema não faz nenhuma referência à escravidão.
    5. é irrelevante, pois a literatura não tem relação com questões sociais.
  9. Julgue a afirmação: a escravidão no Brasil foi abolida oficialmente em 1888, com a Lei Áurea, depois de décadas de luta de abolicionistas e de resistência das próprias pessoas escravizadas.

    (   ) Verdadeiro   (   ) Falso

  10. A poesia condoreira foi escrita para ser declamada em praça pública, com o objetivo de mobilizar as pessoas contra uma injustiça. Escolha uma injustiça do Brasil de hoje que, em sua opinião, merece mobilização (por exemplo, o racismo, a fome, o trabalho análogo à escravidão). Escreva um parágrafo argumentativo de 6 a 8 linhas que poderia ser lido em um ato público, usando pelo menos um recurso da retórica condoreira (apóstrofe, exclamação, pergunta retórica ou imagem forte), e defenda uma ação concreta para enfrentá-la.

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