Sociologia 3ª série Prova
Mídia, redes digitais e sociedade em rede
Prova com 12 questões sobre mídia e sociedade: Castells, McLuhan, bolhas de filtro, desinformação, deepfakes, consumo, influenciadores, Marco Civil, LGPD e exclusão digital.
- 12 questões
- cerca de 65 minutos
Sociologia, 3ª série: Mídia, redes digitais e sociedade em rede
O sociólogo espanhol Manuel Castells, em A sociedade em rede (1996), descreveu uma nova estrutura social. Segundo ele, na sociedade em rede:
- a informação deixou de ter valor econômico, pois circula gratuitamente entre todas as pessoas do planeta
- as distâncias geográficas passaram a impedir qualquer forma de comunicação entre países
- as tecnologias de informação organizam fluxos de dados, de capital e de comunicação em escala global
- a internet eliminou as desigualdades, pois todos têm o mesmo acesso às redes digitais
- o Estado nacional desapareceu completamente, substituído pelas empresas de tecnologia
O teórico canadense Marshall McLuhan, em 1964, afirmou que "o meio é a mensagem". Com isso, ele quis dizer que:
- o conteúdo das mensagens é a única coisa que importa, e o meio usado é indiferente
- cada meio de comunicação transforma a percepção e as relações sociais, além do conteúdo
- as mensagens transmitidas pela televisão são sempre verdadeiras e confiáveis
- os meios de comunicação não têm nenhuma influência sobre o comportamento humano
- toda mensagem deve ser transmitida pessoalmente, sem o uso de nenhum meio técnico
O ativista Eli Pariser chamou de "bolha de filtro" o efeito de algoritmos que personalizam o que cada usuário vê, com base em seu comportamento anterior. Uma consequência social desse fenômeno é:
- a redução do contato com opiniões diferentes, o que pode favorecer a polarização
- a ampliação automática do acesso a todos os pontos de vista sobre um mesmo assunto
- o fim da publicidade, pois os algoritmos não usam dados pessoais dos usuários
- a garantia de que todas as informações recebidas pelos usuários são verdadeiras
- a eliminação das redes sociais, substituídas por jornais impressos e pelo rádio
Lívia recebeu uma mensagem com a manchete "Vacina causa doença grave, diz estudo", sem link nem data. Antes de compartilhar, a atitude mais adequada é:
- compartilhar logo, pois, se a mensagem chegou por um amigo, ela certamente é verdadeira e confiável
- repassar apenas para a família, já que informações falsas não causam nenhum dano
- acreditar na manchete, pois a palavra "estudo" garante que se trata de ciência
- verificar a fonte, a data e o autor e procurar a informação em veículos e órgãos confiáveis
- apagar o aplicativo, pois é impossível distinguir informações falsas das verdadeiras
Com programas de inteligência artificial, é possível produzir vídeos e áudios falsos, mas muito realistas, em que uma pessoa parece dizer ou fazer algo que nunca disse ou fez. Esses conteúdos, chamados de deepfakes, representam um risco social porque:
- são facilmente identificados por qualquer pessoa, pois têm sempre baixa qualidade
- podem enganar o público, prejudicar reputações e interferir em decisões políticas
- só podem ser produzidos por governos, que os usam exclusivamente em filmes
- melhoram a confiança nas informações, pois mostram imagens em alta resolução
- não têm relação com a desinformação, já que são feitos apenas para diversão
Em Vida para consumo (2007), o sociólogo polonês Zygmunt Bauman descreve a "sociedade de consumidores". Segundo ele, nessa sociedade:
- as pessoas são estimuladas a consumir sem parar e a se apresentar como mercadorias
- o consumo é limitado às necessidades básicas, como alimentação e moradia
- os objetos são feitos para durar a vida toda e passam de geração em geração
- a publicidade foi proibida, pois as pessoas compram apenas o que precisam
- o consumo não tem nenhuma relação com a identidade ou o prestígio social
Uma influenciadora digital publica um vídeo elogiando um tênis, mas não informa que recebeu pagamento da marca para isso. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor e as normas de autorregulamentação publicitária, essa conduta é problemática porque:
- influenciadores são proibidos por lei de falar sobre qualquer produto
- apenas a televisão pode fazer publicidade de calçados no Brasil
- a publicidade deve ser identificada de forma clara e imediata pelo consumidor
- o consumidor não tem nenhum direito quando compra pela internet
- toda opinião sobre produtos é considerada crime contra a economia
O Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) estabelece princípios para o uso da internet no Brasil. Um deles é a neutralidade de rede, segundo a qual:
- o governo pode bloquear qualquer site que considere inadequado, sem ordem judicial
- as empresas de telefonia podem cobrar mais caro para liberar determinados aplicativos aos clientes
- os usuários devem ter a mesma opinião política para poder usar as redes sociais
- a internet deve ser usada apenas para fins educativos e científicos no país
- os provedores devem tratar os dados de forma isonômica, sem favorecer ou bloquear conteúdos
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018) garante direitos aos titulares de dados. Com base nessa lei, um estudante pode:
- pedir a uma empresa informações sobre quais dados seus ela trata e com que finalidade
- acessar livremente os dados pessoais de colegas guardados no sistema da escola
- vender os dados pessoais de outras pessoas, desde que informe o valor cobrado
- exigir que nenhuma empresa no mundo guarde qualquer dado, em qualquer situação
- obrigar o governo a publicar na internet os dados de saúde de todos os cidadãos
Observe a tabela, com dados hipotéticos sobre estudantes do ensino médio.
Grupo Têm computador em casa (%) Acessam a internet só pelo celular (%) Renda familiar mais alta 92 6 Renda familiar mais baixa 28 61 Os dados revelam:
- igualdade de acesso, pois todos os estudantes usam alguma tecnologia
- que os estudantes de renda mais baixa preferem não usar computadores
- que o celular oferece as mesmas condições de estudo que o computador
- que a renda familiar não tem relação com o uso das tecnologias digitais
- exclusão digital, com acesso desigual a equipamentos conforme a renda
O pensador francês Guy Debord, em A sociedade do espetáculo (1967), afirmou que o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens. Aplicada às redes sociais, essa ideia ajuda a compreender:
- o fim das imagens na comunicação digital, substituídas apenas por textos escritos e áudios
- a busca por exibir uma vida idealizada, em que a imagem pesa mais que a experiência
- a ausência de qualquer relação entre a mídia e a vida cotidiana das pessoas
- a recusa generalizada dos jovens em publicar fotos e vídeos de si mesmos
- a eliminação da publicidade, já que as imagens não estimulam o consumo
Leia o caso fictício.
Às vésperas de uma eleição municipal, circula nas redes um vídeo editado que atribui a uma candidata uma frase que ela nunca disse. O vídeo é compartilhado milhares de vezes antes de ser desmentido.
a) Explique, usando pelo menos dois conceitos estudados (bolha de filtro, desinformação, deepfake, sociedade em rede, espetáculo), por que o vídeo se espalhou tão rapidamente. b) Apresente um argumento de quem defende mais regulação das plataformas digitais e um argumento de quem teme que a regulação ameace a liberdade de expressão. c) Proponha uma ação de educação midiática para a sua escola.
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