Filosofia 3ª série Prova
Contratualismo: Hobbes, Locke e Rousseau
Prova com 12 questões sobre o contratualismo: estado de natureza, contrato e soberania em Hobbes, Locke e Rousseau, direitos naturais e suas exclusões históricas.
- 12 questões
- cerca de 65 minutos
Filosofia, 3ª série: Contratualismo: Hobbes, Locke e Rousseau
Hobbes, Locke e Rousseau são considerados contratualistas, apesar de suas diferenças. O ponto comum entre eles é a ideia de que:
- o poder político legítimo resulta de um acordo entre os indivíduos, e não da natureza ou de Deus
- o poder dos reis vem diretamente de Deus e, por isso, não pode ser questionado pelos súditos
- o Estado sempre existiu, pois os seres humanos nunca viveram fora de uma organização política
- a sociedade civil deve ser abolida para que os seres humanos retornem ao estado de natureza
- os seres humanos são naturalmente desiguais, e os mais fortes devem governar os mais fracos
No Leviatã (1651), Thomas Hobbes descreve o estado de natureza como uma condição em que, sem um poder comum que mantenha todos em respeito, os homens vivem em guerra de todos contra todos, e a vida é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta. Essa situação decorre, para Hobbes:
- da propriedade privada, que corrompeu aos poucos a bondade natural dos primeiros seres humanos
- do pecado original, que tornou todos os homens incapazes de qualquer acordo
- da desigualdade natural, que submete os fracos ao domínio permanente dos fortes
- da igualdade natural, que gera desconfiança e competição entre indivíduos que desejam as mesmas coisas
- da intervenção dos governantes, que provocam guerras para aumentar seus impérios
Para sair do estado de natureza, os indivíduos, segundo Hobbes, fazem um pacto pelo qual:
- conservam todos os seus direitos naturais e criam um governo que pode ser dissolvido a qualquer momento
- transferem a um soberano o poder de todos, que deve ser forte e indivisível para garantir a paz
- entregam o poder à vontade geral do povo reunido, que nunca pode ser representado
- estabelecem um governo limitado, com o direito de se rebelar sempre que discordarem das leis
- dividem o território em pequenas comunidades autônomas, sem nenhum poder central
Para John Locke, no Segundo tratado sobre o governo civil (1689), o estado de natureza:
- é uma guerra permanente de todos contra todos, sem nenhuma lei, moral ou propriedade
- é uma condição de felicidade perfeita, à qual a humanidade deve tentar retornar
- é de liberdade e igualdade sob a lei natural, mas sem juiz imparcial para os conflitos
- nunca existiu, pois os seres humanos sempre viveram sob a autoridade de reis
- é dominado pelos proprietários, que impõem suas leis aos que nada possuem
Locke afirma que, embora a terra tenha sido dada em comum aos homens, cada um tem a propriedade de sua própria pessoa e, portanto, do trabalho de seu corpo. Daí ele conclui que:
- toda propriedade privada é um roubo e deve ser abolida pelo governo civil
- a terra pertence ao rei, que a distribui conforme a vontade dos seus nobres
- a propriedade só existe depois que o Estado é criado pelo contrato social
- ao misturar seu trabalho com algo da natureza, a pessoa o torna sua propriedade
- o trabalho humano não cria nenhum direito, pois a terra pertence a todos para sempre
As ideias de Locke serviram de justificativa para a Revolução Gloriosa inglesa (1688), pouco depois da qual seus Dois tratados sobre o governo foram publicados, e influenciaram a Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776). Entre essas ideias, destaca-se:
- a defesa do poder absoluto dos reis, que governam por vontade de Deus
- o direito de resistência quando o governo viola os direitos que deveria proteger
- a proposta de abolir a propriedade privada e coletivizar os meios de produção
- a ideia de que o soberano não pode ser julgado nem contestado pelos seus súditos em nenhuma hipótese
- a substituição das leis escritas pela vontade pessoal dos governantes
No Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (1755), Rousseau escreve, em paráfrase, que o primeiro que cercou um terreno e lembrou-se de dizer "isto é meu", encontrando pessoas simples o bastante para acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Para Rousseau:
- a propriedade privada está na origem da desigualdade social entre os seres humanos
- a propriedade privada é um direito natural, anterior à sociedade e ao próprio Estado
- a desigualdade social é natural e corresponde às diferenças de força entre as pessoas
- o estado de natureza era uma guerra, e a propriedade trouxe finalmente a paz
- a sociedade civil foi fundada por Deus para corrigir a maldade natural dos homens
Em Do contrato social (1762), Rousseau distingue a vontade geral da vontade de todos. Essa distinção indica que:
- a vontade geral é a decisão de um rei sábio, enquanto a vontade de todos é a decisão do povo
- a vontade geral é a opinião da maioria, enquanto a vontade de todos é a opinião da minoria
- a vontade geral é a das elites esclarecidas, enquanto a vontade de todos é a dos trabalhadores
- não há diferença entre elas, pois ambas expressam o desejo individual de cada cidadão
- a vontade geral visa ao interesse comum, enquanto a vontade de todos é a soma de interesses particulares
Rousseau afirma que a soberania não pode ser representada, pela mesma razão pela qual não pode ser alienada. Ele critica os ingleses, que se julgavam livres, mas, segundo ele, só o eram durante a eleição dos membros do Parlamento. Essa crítica indica que, para Rousseau:
- a soberania pertence ao povo e deve ser exercida diretamente por ele, na elaboração das leis
- o melhor regime é a monarquia absoluta, em que o rei representa todo o povo
- as eleições parlamentares são a forma mais perfeita de exercício da liberdade
- o povo deve transferir a soberania a um soberano, como propunha Hobbes
- a liberdade consiste em obedecer às leis criadas pelos governantes, sem participar da elaboração delas
Considere as afirmações:
I. Para Hobbes, o principal objetivo do Estado é garantir a segurança e a paz.
II. Para Locke, o governo existe para proteger direitos naturais, como a vida, a liberdade e os bens.
III. Para Rousseau, o ser humano é mau por natureza, e a sociedade o torna bom.Está correto o que se afirma em:
- I, apenas
- II, apenas
- II e III, apenas
- I e II, apenas
- I, II e III
Leia o texto.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) proclamou que os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos. Em 1791, Olympe de Gouges publicou uma Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. Nas colônias francesas, a escravidão continuava, e foi a revolução dos escravizados em São Domingos, atual Haiti, que levou à sua abolição ali.
O texto permite concluir que:
- a Declaração de 1789 garantiu desde o início direitos iguais para as mulheres e para as pessoas escravizadas
- Olympe de Gouges defendia que as mulheres não deveriam ter direitos políticos, apenas deveres
- a abolição da escravidão nas colônias foi uma decisão espontânea dos colonos, sem resistência
- os direitos naturais defendidos pelos contratualistas nunca influenciaram as declarações de direitos
- a universalidade proclamada conviveu com exclusões, contestadas por grupos que reivindicaram esses direitos
Responda à pergunta "por que devemos obedecer ao Estado?" segundo Hobbes, Locke e Rousseau. Para cada autor, indique: o motivo do contrato, o tipo de poder que dele resulta e se há direito de resistência.
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