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Filosofia 1ª série Prova

Sofistas, retórica e democracia em Atenas

Prova com 10 questões sobre a democracia ateniense e os sofistas: isonomia, sorteio, ostracismo, retórica em Górgias e Aristóteles, a crítica de Platão e conceitos como populismo e autoritarismo.

  • 10 questões
  • cerca de 55 minutos

Filosofia, 1ª série: Sofistas, retórica e democracia em Atenas

  1. Na Atenas do século V a.C., dois princípios sustentavam a participação dos cidadãos na vida política: a isonomia e a isegoria.

    Esses princípios significavam, respectivamente,

    1. o igual direito de falar na assembleia e a igualdade de riqueza entre os cidadãos.
    2. o governo exercido pelos melhores e a escolha dos juízes entre os mais velhos.
    3. a igualdade entre todos os habitantes da cidade, inclusive escravizados e estrangeiros.
    4. a obediência às leis dos deuses e o direito exclusivo dos nobres ao discurso público.
    5. a igualdade dos cidadãos perante a lei e o igual direito de falar na assembleia.
  2. Em Atenas, muitos cargos públicos eram preenchidos por sorteio entre os cidadãos que se apresentavam. Aristóteles, na Política, considera o sorteio um procedimento democrático e a eleição um procedimento mais próximo da aristocracia ou da oligarquia.

    Essa avaliação se explica porque o sorteio

    1. garante que apenas os cidadãos mais preparados e experientes ocupem os cargos públicos.
    2. dá a qualquer cidadão a mesma chance de exercer o cargo, sem favorecer ricos ou eloquentes.
    3. permite que os deuses escolham os governantes, como acreditavam os sacerdotes de Delfos.
    4. impede qualquer forma de controle sobre os magistrados depois que eles assumem o cargo.
    5. transfere a escolha dos cargos para um pequeno conselho formado pelas famílias nobres.
  3. Com a expansão da democracia, cresceu em Atenas a importância de saber falar bem na assembleia e nos tribunais. Nesse contexto, os sofistas, como Protágoras e Górgias, ficaram conhecidos por

    1. recusar qualquer pagamento e ensinar apenas a contemplação das Ideias eternas.
    2. defender o fim da democracia e a volta do poder exclusivo dos reis e sacerdotes.
    3. investigar a arché da natureza sem se interessar pelos assuntos da cidade.
    4. registrar por escrito os mitos de Homero para que fossem cantados nas festas.
    5. ensinar, mediante pagamento, a arte da retórica e da argumentação aos jovens.
  4. No Elogio de Helena, o sofista Górgias afirma, em paráfrase, que o discurso é um grande soberano: com um corpo pequeno e invisível, realiza obras divinas, pois é capaz de acabar com o medo, afastar a dor, produzir alegria e despertar compaixão.

    Essa passagem destaca, sobretudo,

    1. a inutilidade do discurso diante da força física dos guerreiros.
    2. o poder da palavra de mover as emoções e conduzir as pessoas.
    3. a ideia de que somente os deuses são capazes de persuadir os humanos.
    4. a defesa de que a retórica deve ser proibida nas assembleias da cidade.
    5. a tese de que todo discurso persuasivo é, necessariamente, verdadeiro.
  5. No diálogo Górgias, Platão faz Sócrates comparar a retórica dos sofistas à culinária. A culinária oferece ao paladar o que é agradável, ainda que prejudique o corpo; a medicina, ao contrário, busca a saúde, mesmo quando receita algo amargo.

    Com essa comparação, Sócrates critica a retórica porque ela

    1. exige conhecimento profundo do bem antes de qualquer discurso.
    2. foi criada por cozinheiros e depois adotada pelos políticos.
    3. busca sempre a verdade, ainda que isso desagrade os ouvintes.
    4. procura agradar o público, e não promover o bem e a justiça.
    5. deve substituir a medicina no cuidado com a saúde dos cidadãos.
  6. Na Retórica, Aristóteles distingue três meios de persuasão: o ethos (o caráter de quem fala), o pathos (as emoções despertadas no público) e o logos (os argumentos do próprio discurso).

    Leia o trecho de um discurso em uma reunião de moradores.

    "Trabalho há vinte anos como enfermeira no posto de saúde deste bairro. Conheço cada família daqui e nunca deixei ninguém sem atendimento. Por isso peço que confiem em mim para representar vocês no conselho de saúde."

    O meio de persuasão predominante no trecho é

    1. o logos, porque a oradora apresenta dados estatísticos sobre o bairro.
    2. o pathos, porque a oradora busca provocar medo e revolta nos moradores.
    3. o ethos, porque a oradora apoia sua proposta na própria credibilidade.
    4. o logos, porque a oradora demonstra sua tese por meio de um silogismo.
    5. o pathos, porque a oradora ridiculariza os adversários diante do público.
  7. No livro VIII da República, Platão descreve como a tirania pode nascer de uma democracia em crise. Em paráfrase: o povo costuma escolher alguém para defender seus interesses e o engrandece; esse defensor, depois de conquistar apoio, passa a eliminar rivais, cerca-se de guardas e coloca-se acima das leis, tornando-se tirano.

    Aplicada à política contemporânea, essa análise chama a atenção para

    1. o risco de um líder que diz encarnar o povo enfraquecer as instituições que limitam seu poder.
    2. a necessidade de proibir eleições, já que o povo nunca sabe escolher seus representantes.
    3. a ideia de que qualquer governante escolhido pelo voto é, por definição, um tirano disfarçado.
    4. a superioridade da tirania sobre a democracia, por ser um regime mais eficiente e estável.
    5. a vantagem de concentrar todos os poderes em uma só pessoa, desde que ela seja popular.
  8. A ciência política usa alguns conceitos para analisar a história política brasileira e latino-americana. Leia as descrições.

    I. O governante é apresentado como um "pai" que concede benefícios aos cidadãos, tratados como tutelados, em troca de gratidão e lealdade.

    II. O poder se concentra no governo, as liberdades são restringidas e a oposição é perseguida ou silenciada.

    III. Um líder personalista apela diretamente às massas, opondo o "povo" a uma "elite", e enfraquece as mediações institucionais.

    As descrições I, II e III correspondem, respectivamente, a

    1. populismo, paternalismo e autoritarismo.
    2. paternalismo, autoritarismo e populismo.
    3. autoritarismo, populismo e paternalismo.
    4. paternalismo, populismo e autoritarismo.
    5. autoritarismo, paternalismo e populismo.
  9. Na democracia ateniense, o ostracismo permitia que os cidadãos votassem para afastar da cidade, por dez anos, alguém considerado uma ameaça à democracia, sem que essa pessoa perdesse seus bens.

    (   ) Verdadeiro   (   ) Falso

  10. Os sofistas valorizavam a retórica como técnica de persuasão; Sócrates e Platão defendiam que o discurso deveria estar subordinado à busca da verdade e do bem.

    a) Explique essa diferença de posição.

    b) Hoje, discursos políticos circulam em vídeos curtos e postagens nas redes sociais. Proponha dois critérios que um cidadão pode usar para distinguir uma argumentação que informa de uma persuasão que manipula.

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