Língua Portuguesa 2ª série Prova
Cobertura jornalística: enquadramento e parcialidade
Prova com 10 questões sobre enquadramento de manchetes, verbos de dizer, diversidade de fontes, cliques e anúncios, vídeos de cidadãos, pirâmide invertida e marcas de parcialidade.
- 10 questões
- cerca de 60 minutos
Língua Portuguesa, 2ª série: Cobertura jornalística: enquadramento e parcialidade
Compare duas manchetes sobre o mesmo fato, publicadas no mesmo dia.
I. Greve de motoristas deixa milhares de passageiros a pé.
II. Motoristas cruzam os braços por reajuste e melhores condições.A diferença entre as manchetes mostra que
- as duas manchetes têm exatamente o mesmo efeito sobre o leitor, já que tratam do mesmo fato.
- a manchete II é imparcial, porque não usa nenhum verbo para descrever o fato.
- manchetes não interferem na interpretação, que depende apenas do corpo da notícia.
- a manchete I é falsa, porque não informa o motivo da greve dos motoristas.
- cada veículo escolhe um enquadramento, destacando aspectos diferentes do fato.
Em uma notícia, lê-se: “O diretor alegou que o atraso na entrega das obras foi causado pela chuva.” Se o jornalista tivesse escrito “O diretor explicou que...”, o efeito seria
- conferir mais credibilidade à justificativa, que deixaria de soar como desculpa.
- revelar que o diretor mentiu, pois “explicar” indica informação falsa.
- tornar a frase incorreta, já que “explicar” não pode introduzir discurso indireto.
- transformar a notícia em artigo de opinião assinado pelo próprio diretor.
- exatamente o mesmo, pois os verbos de dizer são sinônimos perfeitos no texto jornalístico.
Uma notícia sobre a interdição de uma ponte ouviu apenas a assessoria da prefeitura. Para tornar a cobertura mais completa e equilibrada, o jornalista deveria
- copiar a nota oficial da prefeitura e apresentá-la como reportagem própria, assinada por ele.
- apagar a fala da prefeitura, já que fontes oficiais são sempre parciais.
- incluir sua opinião pessoal sobre o prefeito no primeiro parágrafo da notícia.
- publicar apenas fotos da ponte, sem nenhuma fonte, para evitar polêmicas.
- ouvir também engenheiros independentes, moradores e comerciantes afetados.
Com a internet, muitos sites de notícias passaram a medir em tempo real quantas pessoas clicam em cada texto, e a renda com anúncios depende desse número. Um efeito possível dessa lógica sobre o jornalismo é
- a garantia de que apenas notícias de interesse público sejam publicadas, independentemente da audiência.
- a obrigação de que todas as notícias tenham mais de cinco mil palavras.
- a eliminação dos títulos, já que os leitores passaram a ler só o corpo do texto.
- o aumento de títulos sensacionalistas, feitos para atrair cliques.
- o fim da publicação de notícias, substituídas por propagandas pagas.
Durante um alagamento, vídeos gravados por moradores circularam nas redes antes de qualquer reportagem. Um telejornal decidiu exibi-los. Para fazer isso com responsabilidade, a emissora deveria
- exibir os vídeos sem verificação, porque o que circula nas redes é sempre verdadeiro.
- confirmar local, data e autoria dos vídeos e creditar quem os gravou.
- afirmar que os vídeos foram gravados pela própria equipe de reportagem.
- editar as imagens para tornar o alagamento mais dramático.
- evitar qualquer vídeo amador, que é proibido em telejornais pela legislação brasileira.
Um portal de notícias publicou uma série de reportagens elogiosas sobre um novo condomínio de luxo, sem informar que a construtora responsável é a maior anunciante do site. O problema ético dessa situação é
- o conflito de interesses não declarado, que pode comprometer a independência das reportagens.
- a presença de anúncios no portal, já que veículos sérios não podem ter anunciantes.
- o uso de fotos do condomínio, que deveria ser descrito apenas com palavras.
- a publicação de reportagens positivas, o que é proibido no jornalismo profissional.
- o fato de o condomínio ser de luxo, tema que não deveria aparecer em portais de notícias.
Na notícia escrita segundo a técnica da pirâmide invertida, as informações
- mais importantes ficam para o último parágrafo, como forma de criar suspense no leitor.
- se limitam à opinião do jornalista, sem dados sobre o acontecimento.
- mais importantes vêm no primeiro parágrafo, e os detalhes depois.
- são organizadas em versos, com rimas que facilitam a memorização.
- são apresentadas em ordem cronológica, do fato mais antigo ao mais recente.
Leia o trecho de uma notícia, escrita para esta prova.
O projeto de lei que proíbe sacolas plásticas no comércio foi aprovado ontem. Para o presidente da associação de supermercados, a medida vai encarecer as compras e “prejudicar o consumidor”. Ele lembrou que o setor emprega milhares de pessoas e que a mudança foi feita “sem diálogo”.
A notícia segue com mais três parágrafos sobre o impacto para os supermercados e só na última linha informa que ambientalistas apoiam a lei.
A organização do texto sugere parcialidade porque
- cita os ambientalistas, que são sempre contrários a qualquer projeto de lei aprovado.
- menciona que o setor emprega pessoas, informação que é falsa em todos os casos.
- usa aspas, que nunca podem aparecer em textos jornalísticos imparciais.
- dá destaque e espaço a uma só posição e relega a outra ao final.
- informa a data da aprovação, o que revela a opinião do jornal sobre a lei.
Em uma manchete como Governo anuncia “reforma” do ensino, as aspas em “reforma” podem indicar que o veículo se distancia da palavra usada pelo governo ou a questiona.
( ) Verdadeiro ( ) Falso
Leia o parágrafo de uma notícia, escrito para esta prova.
A desastrosa decisão da diretoria de proibir os celulares no intervalo revoltou os alunos, que, com razão, organizaram um protesto no pátio. A diretora alegou, sem convencer ninguém, que a medida melhora a convivência.
(a) Aponte três marcas de parcialidade no parágrafo. (b) Reescreva-o como uma notícia mais equilibrada, mantendo os fatos.
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