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As 10 competências gerais da BNCC, com exemplos de sala de aula

Entenda as 10 competências gerais da BNCC com exemplos de sala de aula do Infantil ao 9º ano, uma tabela-resumo e uma rubrica pronta para avaliar a turma.

Por Albert. Publicado em . Leitura de 10 min.

As 10 competências gerais da BNCC, com exemplos de sala de aula

As competências gerais da BNCC são dez aprendizagens amplas que atravessam toda a Educação Básica, da creche ao Ensino Médio, e que todas as disciplinas ajudam a construir. Elas vão do uso do conhecimento para entender o mundo (competência 1) até a capacidade de agir com autonomia e responsabilidade (competência 10). Na prática, aparecem menos como conteúdo novo e mais como o jeito de propor as atividades que você já faz.

O que são as competências gerais da BNCC

A BNCC define competência como “a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho” (BNCC, p. 8). Ou seja: saber a fórmula da área do retângulo é conhecimento; usar essa fórmula para calcular quanto piso cabe na sala, discutir o orçamento com o grupo e defender a escolha é competência.

As dez competências gerais ficam no topo da estrutura da Base. Abaixo delas vêm as competências específicas de cada área e componente e, depois, as habilidades, cada uma com seu código (o guia sobre como ler os códigos da BNCC explica essa camada). Nenhuma competência geral é uma disciplina, nem tem aula própria. Elas são o fio que liga a aula de Ciências do 4º ano ao projeto de leitura do 8º.

Para facilitar a conversa na escola, muitas formações usam nomes curtos para cada uma, como “conhecimento”, “argumentação” e “empatia e cooperação”. Os nomes ajudam, mas o texto oficial é mais preciso, e é ele que deve orientar o planejamento.

As 10 competências gerais, uma a uma, com exemplos

Abaixo, cada competência traz um resumo fiel do texto da BNCC e um exemplo concreto de aula. Os exemplos foram pensados para turmas reais, com tempo e materiais comuns em escola pública.

1. Conhecimento

Valorizar e usar os conhecimentos construídos historicamente sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender a realidade, continuar aprendendo e colaborar com uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

Na sala: no 5º ano, antes de estudar o ciclo da água, a turma lista o que sabe sobre a falta de água no bairro. Ao fim da sequência, cada dupla volta à lista e corrige ou amplia as explicações com o que aprendeu. O conhecimento escolar passa a explicar algo que os alunos vivem.

2. Pensamento científico, crítico e criativo

Exercitar a curiosidade e recorrer à abordagem das ciências (investigação, reflexão, análise crítica, imaginação, criatividade) para elaborar e testar hipóteses, resolver problemas e criar soluções, inclusive tecnológicas.

Na sala: no 3º ano, a pergunta “qual papel absorve mais água?” vira experimento em grupos de quatro: guardanapo, papel sulfite, jornal e papel toalha, um copo de água e um conta-gotas. Cada grupo registra a hipótese antes, conta as gotas e compara. Duas aulas de 50 minutos bastam.

3. Repertório cultural

Valorizar e fruir manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e participar de práticas diversificadas de produção artístico-cultural.

Na sala: no 7º ano, a turma ouve um repente ou um samba de roda gravado por artistas da região e compara com uma canção que os alunos escolheram. Depois, cria em trios uma estrofe sobre a escola usando a métrica observada.

4. Comunicação

Usar diferentes linguagens (verbal, oral ou visual-motora, como Libras, escrita, corporal, visual, sonora e digital) e as linguagens artística, matemática e científica para se expressar e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

Na sala: no 6º ano, a mesma pesquisa sobre o lanche preferido da turma é apresentada de três formas: um parágrafo, um gráfico de colunas e um áudio de um minuto. A turma discute qual formato funciona melhor para cada público (direção, colegas, famílias).

5. Cultura digital

Compreender, usar e criar tecnologias digitais de forma crítica, significativa, reflexiva e ética para se comunicar, acessar informações, produzir conhecimento, resolver problemas e exercer autoria.

Na sala: no 4º ano, mesmo sem computadores, a turma analisa prints impressos de duas “notícias” sobre o mesmo fato e procura pistas de confiabilidade: autor, data, fonte, exagero no título. Essa competência dialoga com o complemento de Computação na BNCC e com a Política Nacional de Educação Digital (Lei nº 14.533/2023).

6. Trabalho e projeto de vida

Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e se apropriar de conhecimentos que permitam entender o mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas à cidadania e ao projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

Na sala: no 9º ano, cada aluno entrevista um adulto da comunidade sobre a profissão que exerce: o que estudou, o que faz num dia comum, do que gosta e do que não gosta. A turma monta um painel de profissões do bairro e cada um escreve um parágrafo sobre o que quer investigar para o Ensino Médio.

7. Argumentação

Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis para formular, negociar e defender ideias e decisões que respeitem os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável.

Na sala: no 8º ano, a turma debate se a escola deve proibir garrafas descartáveis. Cada lado precisa trazer pelo menos um dado de fonte identificada e responder a um argumento do outro grupo. A habilidade EF89LP04, de identificar e avaliar teses e argumentos, entra na mesma aula.

8. Autoconhecimento e autocuidado

Conhecer-se, apreciar-se e cuidar da saúde física e emocional, reconhecendo as próprias emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

Na sala: no 2º ano, depois do recreio, a turma usa um “termômetro das emoções” desenhado no quadro (calmo, agitado, chateado, alegre). Cada criança marca onde está e, uma vez por semana, a professora conversa sobre o que ajuda a voltar para a calma. Cinco minutos por dia.

9. Empatia e cooperação

Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade, sem preconceitos de qualquer natureza.

Na sala: em trabalhos em grupo do 5º ano, cada aluno recebe uma função (leitor, escriba, guardião do tempo, porta-voz) que roda a cada atividade. Na autoavaliação, o grupo responde: “todos falaram?”, “como resolvemos a discordância?”.

10. Responsabilidade e cidadania

Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Na sala: a turma do 6º ano identifica um problema real da escola (bebedouro quebrado, lixo no pátio), faz um levantamento, escreve uma carta à direção com proposta e acompanha a resposta. O que conta é o processo de decisão coletiva, não só o resultado.

Tabela-resumo das competências gerais da BNCC por etapa

Competência Educação Infantil Anos iniciais Anos finais
1. Conhecimento Roda de conversa sobre o que já sabem de um bicho do jardim Comparar o que sabiam antes e depois de um estudo Explicar um fenômeno do bairro com conceitos estudados
2. Pensamento científico Prever se o objeto afunda ou boia Experimento com hipótese e registro Planejar uma investigação com variável controlada
3. Repertório cultural Brincadeiras cantadas da família Conhecer artistas locais Comparar obras de épocas diferentes
4. Comunicação Contar a novidade com desenho e fala Mesmo conteúdo em texto e gráfico Apresentação oral com apoio visual
5. Cultura digital Combinados sobre uso de telas Pistas de confiabilidade de uma notícia Produção de vídeo curto com direitos de imagem respeitados
6. Trabalho e projeto de vida Brincar de profissões do bairro Entrevista com trabalhadores da escola Painel de profissões e metas pessoais
7. Argumentação Escolher a história do dia com uma razão Defender uma opinião com um motivo Debate com dados e contra-argumento
8. Autoconhecimento Nomear emoções com cartões Termômetro das emoções Diário de estudos e autoavaliação
9. Empatia e cooperação Dividir brinquedos com combinados Funções rotativas no grupo Mediação de conflitos entre pares
10. Responsabilidade e cidadania Cuidar da horta da turma Ajudante do dia com tarefas reais Proposta à direção sobre um problema da escola

Na Educação Infantil, as competências conversam diretamente com os direitos de aprendizagem (conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se), explicados no guia dos campos de experiência.

Como colocar as competências gerais no planejamento sem virar enfeite

O erro mais comum é listar as dez competências no cabeçalho de todo plano. Isso não diz nada sobre a aula. Um jeito mais útil é escolher uma competência por sequência e escrever, em uma frase, o que o aluno vai fazer que mostra essa competência.

Campo do plano Exemplo preenchido (8º ano, Língua Portuguesa, 4 aulas)
Competência geral em foco 7. Argumentação
Habilidade principal EF89LP04
Evidência observável No debate, cada aluno apresenta um argumento com fonte e responde a um argumento contrário
Instrumento de avaliação Rubrica de quatro níveis, preenchida pelo professor e pelo próprio aluno

O modelo completo de plano de aula alinhado à BNCC e o passo a passo para montar uma sequência didática mostram onde esse quadro se encaixa.

Rubrica pronta para avaliar uma competência geral

Competência não se mede com uma questão de múltipla escolha. Ela aparece no que o aluno faz ao longo de uma tarefa. Uma rubrica curta resolve. Veja um modelo para a competência 7, que você pode adaptar para as outras trocando a coluna de critérios:

Critério Ainda não Em desenvolvimento Consolidado Avançado
Posição clara Não apresenta opinião Opinião confusa ou muda no meio Opinião clara do início ao fim Opinião clara e com limites bem definidos
Uso de dados Nenhum dado Dado sem fonte Um dado com fonte identificada Dados de fontes diferentes, comparados
Escuta do outro Interrompe ou ignora Ouve, mas não responde Responde a um argumento contrário Reconhece pontos válidos do outro e reformula
Respeito Ataca a pessoa Ironiza em alguns momentos Discorda sem ofender Ajuda a manter o debate respeitoso

Com uma turma de 32 alunos, não tente avaliar todos no mesmo dia. Escolha oito por aula, em quatro aulas, e registre só os critérios observados. Ao fim do bimestre, você tem um retrato real, não uma impressão.

Erros comuns e como evitar

  • Achar que competência substitui conteúdo. Não substitui. A competência 2 só aparece se o aluno tiver conceito de Ciências para mobilizar.
  • Trabalhar competências só em projetos especiais. A aula comum de Matemática pode exercitar argumentação quando você pede ao aluno que explique por que a estratégia dele funciona.
  • Avaliar comportamento como se fosse competência. “Ficou quieto” não é empatia. Defina o que você espera ver acontecer.
  • Esquecer a Educação Infantil. As competências valem desde a creche, com a linguagem das interações e da brincadeira.

Para localizar as habilidades que acompanham cada competência, consulte o índice da BNCC por disciplina e ano.

Perguntas frequentes

Quais competências gerais da BNCC são consideradas socioemocionais?

A BNCC não separa oficialmente as competências em cognitivas e socioemocionais. Na prática, as competências 8, 9 e 10 são as mais associadas ao campo socioemocional, mas todas envolvem atitudes e valores.

As competências gerais valem também para o Ensino Médio?

Sim. São as mesmas dez competências para toda a Educação Básica. No Ensino Médio, elas se desdobram em competências específicas de cada área do conhecimento.

É obrigatório colocar as competências gerais no plano de aula?

A BNCC não define o formato do plano de aula. A exigência costuma vir da rede ou da coordenação. Mesmo quando não é obrigatório, indicar uma competência em foco ajuda a planejar a avaliação.

Dá para trabalhar as dez competências no mesmo bimestre?

Dá para tocar em várias, mas aprofundar todas ao mesmo tempo dilui o trabalho. Escolher duas ou três por bimestre, com evidências claras, costuma render mais.

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