Pular para o conteúdo

Planejamento

Plano de aula BNCC: modelo para copiar e exemplo preenchido

Modelo de plano de aula BNCC para copiar, com exemplo preenchido de Matemática do 3º ano, objetivos escritos a partir da habilidade e avaliação em 5 minutos.

Por Albert. Publicado em . Leitura de 8 min.

Plano de aula BNCC: modelo para copiar e exemplo preenchido

Um plano de aula BNCC é o roteiro de uma aula ou de um pequeno conjunto de aulas que parte de uma habilidade da Base, define o que o aluno vai fazer para desenvolvê-la e diz como o professor vai saber se deu certo. Ele cabe em uma página: habilidade, objetivo, materiais, passo a passo com tempo, avaliação e ajustes para quem precisa de apoio. Abaixo você encontra um modelo para copiar e um exemplo preenchido de Matemática do 3º ano.

O que um plano de aula alinhado à BNCC precisa ter

A BNCC não traz um formato de plano. Ela define as aprendizagens essenciais e deixa a metodologia para os currículos e para a escola. A LDB, no art. 13, atribui ao professor a tarefa de elaborar e cumprir o plano de trabalho segundo a proposta pedagógica da escola. Então o “alinhamento” não está no formulário, e sim em três escolhas coerentes entre si:

  1. A habilidade certa, lida até o fim, com verbo, objeto de conhecimento e modificadores.
  2. Uma atividade em que o aluno faça aquilo que o verbo pede. Se a habilidade diz “resolver e elaborar problemas”, o aluno precisa resolver e também criar problemas.
  3. Uma evidência de aprendizagem que mostre se a habilidade avançou: uma questão de saída, uma produção, uma observação registrada.

Se alguma dessas peças não conversa com as outras, o plano pode estar bonito e mesmo assim desalinhado.

Para ler a habilidade do jeito certo, use a estrutura que a própria Base apresenta: verbo que indica o processo cognitivo, complemento que indica o objeto de conhecimento e modificadores que indicam o contexto ou a especificação da aprendizagem (BNCC, p. 29). O exemplo do documento é de História, EF06HI14: “Diferenciar escravidão, servidão e trabalho livre no mundo antigo”. “Diferenciar” é o verbo; “escravidão, servidão e trabalho livre” é o objeto; “no mundo antigo” é o modificador. Se a sua aula trata de escravidão no Brasil colonial, ela pode ser ótima, mas não é essa habilidade. A BNCC também lembra que essas escolhas de abordagem “estão no âmbito dos currículos e dos projetos pedagógicos”, e por isso o plano precisa conversar com o documento curricular da sua rede.

Modelo de plano de aula BNCC para copiar

Copie a tabela para o seu editor de texto e apague as instruções em itálico.

Campo O que escrever
Identificação Escola, turma, ano, componente, data, número de aulas e duração
Habilidade principal Código e texto completo da habilidade (uma só)
Habilidades de apoio No máximo duas, se houver
Competência geral em foco Opcional: uma das dez, com a ação que a evidencia
Objetivo da aula “Ao final, o aluno será capaz de…” + verbo observável + conteúdo + condição
Conhecimentos prévios O que a turma precisa saber; como você vai conferir no início
Materiais Lista concreta, com quantidades
Desenvolvimento Abertura, atividade principal, sistematização e fechamento, cada um com tempo
Avaliação Instrumento e critério: o que conta como “aprendeu”
Adaptações Para alunos com deficiência, com defasagem e para quem termina antes
Registro pós-aula Preencha depois: o que funcionou, o que mudar, quem precisa de retomada

O campo “registro pós-aula” é o mais esquecido e o mais útil. Ele transforma o plano de hoje no ponto de partida da próxima aula.

Exemplo preenchido: Matemática, 3º ano, EF03MA09

Turma de 3º ano com 28 alunos, duas aulas seguidas de 50 minutos. A habilidade foi escolhida a partir do planejamento bimestral, depois do trabalho com divisão exata.

Campo Preenchimento
Habilidade principal EF03MA09: associar o quociente de uma divisão com resto zero de um número natural por 2, 3, 4, 5 e 10 às ideias de metade, terça, quarta, quinta e décima partes.
Habilidade de apoio EF03MA08: problemas de divisão com significado de repartição equitativa.
Objetivo da aula Ao final, o aluno será capaz de encontrar a metade, a terça parte e a quarta parte de quantidades até 40, usando material concreto e registrando a divisão correspondente.
Conhecimentos prévios Divisão exata por 2, 3 e 4 com material concreto. Conferência: duas perguntas orais no início.
Materiais 7 potes com 24 tampinhas cada (um por grupo de quatro), 28 fichas de registro, quadro, cartaz com a palavra “metade” desenhada em duas partes iguais.
Avaliação Ficha de saída com três itens. Critério: acertar pelo menos dois e registrar a divisão de pelo menos um.

Desenvolvimento, minuto a minuto

  1. Abertura (10 min). Pergunta para a turma: “Tenho 12 figurinhas e quero dividir igualmente com meu irmão. Quantas ficam para cada um?”. Três alunos explicam como pensaram. A professora escreve no quadro: 12 ÷ 2 = 6 e “6 é a metade de 12”.
  2. Exploração em grupos (25 min). Cada grupo recebe 24 tampinhas e três desafios: dividir em 2, em 3 e em 4 partes iguais. Para cada um, preenchem a ficha: “24 dividido por ___ dá ___. ___ é a ___ parte de 24.”
  3. Socialização (15 min). Os grupos comparam resultados. A professora organiza no quadro a tabela “dividir por 2 = metade; por 3 = terça parte; por 4 = quarta parte”. Fim da primeira aula.
  4. Problemas (25 min). Em duplas, quatro problemas curtos. Exemplo: “Uma turma tem 30 alunos. A terça parte vai à biblioteca. Quantos alunos vão?”. As duplas que terminarem criam um problema para outra dupla resolver.
  5. Fechamento (15 min). Ficha de saída individual: (1) metade de 18; (2) quarta parte de 20; (3) “Dona Rosa fez 15 pastéis e deu a terça parte à vizinha. Quantos pastéis ela deu?”. A professora recolhe e separa em três montes: acertou tudo, acertou dois, acertou um ou nenhum.

Por que essa ordem funciona

A aula começa por uma situação que as crianças conhecem (dividir figurinhas), passa pelo material concreto, chega ao registro no quadro e só então vai para os problemas escritos. Essa progressão do concreto ao simbólico evita o erro comum de apresentar a palavra “terça parte” antes de a turma ter dividido alguma coisa em três. A ficha de saída fecha o ciclo: em cinco minutos, você sabe quem pode avançar e quem precisa voltar ao material.

Adaptações

  • Aluno com deficiência intelectual: trabalhar só metade e terça parte com até 12 tampinhas, com pratos de papel para separar as partes.
  • Alunos que ainda não dominam a divisão: ficar no grupo da mesa da professora durante a exploração.
  • Quem termina antes: “Qual número tem metade igual a 9 e terça parte igual a 6?”.

Na aula seguinte, o monte “acertou um ou nenhum” vira um grupo de retomada de 15 minutos com material concreto, enquanto o restante da turma avança para quinta e décima partes.

Como transformar a habilidade em objetivo de aula

A habilidade é ampla e pode levar semanas. O objetivo de aula é um recorte que cabe naquele dia. Uma regra prática: mantenha o verbo da habilidade (ou um verbo mais simples do mesmo processo), reduza o objeto e acrescente a condição.

Habilidade Objetivo da aula 1 Objetivo da aula 2
EF35LP03: identificar a ideia central do texto Escolher, entre três frases, a que resume uma fábula lida em voz alta Escrever em uma frase a ideia central de uma notícia curta
EF05MA06: associar 10%, 25%, 50%, 75% e 100% a frações Calcular 50% e 25% de preços de um folheto de mercado Calcular 10% e 75% usando a décima e a quarta parte
EI03ET04: registrar observações e medidas Medir o broto do feijão com barbante e colar na ficha Comparar as fichas de três semanas e contar o que mudou

Verbos como “conhecer”, “entender” e “aprender” não ajudam, porque não dá para observar. Prefira “calcular”, “identificar”, “comparar”, “explicar oralmente”, “registrar”.

Quando um objetivo exige várias aulas encadeadas, o plano de aula deixa de ser suficiente e entra a sequência didática, que organiza o percurso completo.

Avaliação dentro do plano: cinco minutos que mudam a próxima aula

A avaliação do plano não precisa ser prova. O que ela precisa é dizer, com clareza, quem aprendeu e quem não aprendeu. Três instrumentos rápidos:

  • Ficha de saída: dois ou três itens no fim da aula, corrigidos em montes, como no exemplo. Leva cinco minutos para aplicar e dez para separar.
  • Polegar: para cada pergunta oral, polegar para cima, para o lado ou para baixo. Serve para decidir na hora se vale avançar.
  • Observação com lista: uma lista da turma com a habilidade no topo e três colunas (faz sozinho, faz com ajuda, ainda não faz). Preencha enquanto circula pelos grupos.

No fim do bimestre, esses registros mostram quais habilidades entram na prova e quais precisam de retomada antes. Com o montador de provas, você filtra questões pelo mesmo código que usou no plano.

Erros comuns no plano de aula BNCC

  • Cinco habilidades em uma aula. Escolha uma principal. As outras atrapalham a avaliação.
  • Atividade que não faz o que o verbo pede. Se a habilidade diz “elaborar problemas” e o aluno só resolve, falta metade.
  • Tempo irreal. Uma aula de 50 minutos tem, na prática, uns 40 de trabalho. Some a chamada, a organização dos grupos e a volta do recreio.
  • Avaliação desconectada. Pedir um desenho para avaliar cálculo de metade não mostra o que você precisa saber.
  • Plano que nunca volta. Sem o registro pós-aula, o próximo plano começa do zero.

Na Educação Infantil, o mesmo modelo funciona trocando “habilidade” por objetivo de aprendizagem e desenvolvimento e “componente” por campo de experiências. Para entender cada parte dos códigos que aparecem no plano, consulte o guia sobre códigos da BNCC.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre plano de aula e plano de ensino?

O plano de ensino cobre um período longo, como o ano ou o bimestre, e lista habilidades, conteúdos e formas de avaliação. O plano de aula detalha uma aula ou poucas aulas, com atividades e tempos.

Preciso entregar plano de aula para a coordenação toda semana?

Depende da rede e da escola, porque a BNCC não regula isso. Muitas escolas pedem o planejamento semanal ou quinzenal. Combine com a coordenação o formato mínimo e mantenha o seu registro pós-aula mesmo quando ele não for cobrado.

Posso usar o mesmo plano de aula em duas turmas do mesmo ano?

Pode usar a mesma base, mas ajuste o ritmo e as adaptações a cada turma. O registro pós-aula de uma turma costuma melhorar a aula da outra no mesmo dia.

Plano de aula precisa ter referências bibliográficas?

Para uso em sala, não é necessário. Em concursos, estágios e processos seletivos, a banca costuma pedir, e a BNCC e o currículo da rede são as referências mínimas.

bncc · matemática · modelo · planejamento · plano de aula

Continue lendo