Filosofia 1ª série Atividade
Sócrates: ironia, maiêutica e o exame da vida
Atividade com 10 questões sobre Sócrates: as fontes, o oráculo de Delfos, a ironia e a maiêutica, os sofistas, o intelectualismo moral e o julgamento.
- 10 questões
- cerca de 50 minutos
Filosofia, 1ª série: Sócrates: ironia, maiêutica e o exame da vida
Sócrates (c. 470-399 a.C.) não deixou nada escrito. O que sabemos sobre ele vem principalmente dos diálogos de Platão, das obras de Xenofonte e da comédia As nuvens, de Aristófanes. Uma consequência dessa situação é que:
- Sócrates deixou diálogos escritos que Platão apenas copiou e publicou depois de sua morte
- nossa imagem de Sócrates depende de testemunhos de outros autores, que nem sempre coincidem
- tudo o que se sabe sobre Sócrates vem de seus próprios livros sobre a ética e a política
- Aristófanes foi o único autor antigo que se ocupou de registrar as ideias de Sócrates
- os testemunhos sobre Sócrates são idênticos e, por isso, não existe controvérsia sobre ele
Na Apologia, de Platão, Sócrates conta que seu amigo Querefonte perguntou ao oráculo de Delfos se havia alguém mais sábio que ele, e a sacerdotisa respondeu que não. Após interrogar políticos, poetas e artesãos, Sócrates concluiu que era mais sábio que eles porque:
- conhecia mais assuntos do que qualquer outro cidadão de Atenas, inclusive os poetas
- havia estudado no Egito e trazido de lá conhecimentos ignorados pelos atenienses
- dominava a arte da retórica e vencia todos os debates realizados nas assembleias
- recebia diretamente dos deuses as respostas para as questões que lhe eram feitas
- reconhecia a própria ignorância, enquanto os outros julgavam saber o que não sabiam
Em um diálogo de Platão, um general define coragem como "permanecer no posto e não fugir do inimigo". Sócrates, dizendo-se ignorante no assunto, pergunta se não seria corajoso também o soldado que recua para atacar de outra posição. O general admite que sim e percebe que sua definição era insuficiente. Esse momento do diálogo corresponde:
- à ironia, que faz o interlocutor perceber as contradições da própria definição
- à retórica, que convence o público por meio de discursos belos e emocionantes
- à revelação, em que o filósofo comunica uma verdade recebida do oráculo de Delfos
- à dialética hegeliana, que une tese e antítese em uma síntese histórica superior
- ao relativismo, segundo o qual cada pessoa define a coragem como preferir
Sócrates comparava sua atividade à de sua mãe, que era parteira. Por isso, a segunda etapa de seu método recebeu o nome de maiêutica, que consiste em:
- transmitir aos alunos um conjunto de verdades que eles deviam memorizar e repetir
- cobrar pelas aulas e ensinar técnicas para persuadir os juízes nos tribunais
- ajudar o interlocutor a dar à luz as próprias ideias por meio de perguntas
- consultar os deuses antes de cada conversa para descobrir a resposta verdadeira
- derrotar o adversário no debate, ainda que com argumentos sabidamente falsos
Os sofistas, como Protágoras e Górgias, eram professores itinerantes que ensinavam retórica aos jovens que desejavam participar da vida política. Protágoras afirmava que "o homem é a medida de todas as coisas". Qual diferença entre Sócrates e os sofistas é apontada pela tradição platônica?
- Sócrates cobrava pelas aulas; os sofistas ensinavam gratuitamente nas praças de Atenas.
- Sócrates defendia que cada um é a medida da verdade; os sofistas buscavam verdades absolutas.
- Sócrates rejeitava o diálogo; os sofistas usavam perguntas para chegar ao conceito.
- Sócrates buscava definições universais; os sofistas ensinavam a persuadir, mediante pagamento.
- Sócrates ensinava retórica para os tribunais; os sofistas desprezavam a vida política.
A inscrição "Conhece-te a ti mesmo", no templo de Apolo em Delfos, tornou-se um lema da filosofia socrática. Para Sócrates, essa máxima significa principalmente:
- examinar as próprias crenças e limites, cuidando da alma por meio da reflexão
- conhecer a anatomia do corpo humano para preservar a saúde e prolongar a vida
- descobrir o próprio destino consultando oráculos, adivinhos e sacerdotes
- valorizar a própria opinião acima de qualquer crítica feita pelos outros
- afastar-se da vida da cidade para viver isolado, longe de qualquer debate
Sócrates defendia que a virtude é uma forma de conhecimento e que ninguém pratica o mal voluntariamente. Essa posição, chamada de intelectualismo moral, implica que:
- as pessoas são naturalmente más e só se comportam bem quando temem as punições
- o bem e o mal são convenções que variam de cidade para cidade, sem critério comum
- quem age mal o faz por ignorância do bem, e por isso a educação é caminho para a virtude
- a virtude é um dom dos deuses concedido no nascimento apenas a algumas pessoas
- o conhecimento não tem relação nenhuma com a ética, pois a moral depende apenas dos sentimentos
Em 399 a.C., Sócrates foi acusado de não reconhecer os deuses da cidade e de corromper a juventude, e foi condenado à morte. No diálogo Críton, Platão narra que um amigo lhe ofereceu um plano de fuga. Sócrates:
- aceitou fugir para outra cidade, onde fundou uma escola chamada Academia
- pediu perdão aos juízes e prometeu nunca mais conversar com os jovens de Atenas
- fugiu da prisão, pois julgava que as leis de Atenas não tinham nenhum valor
- convenceu os juízes a anular a pena, graças a um discurso de retórica sofística
- recusou-se a fugir, por considerar que violar as leis da cidade seria cometer uma injustiça
Na Apologia, Sócrates afirma que uma vida sem exame não vale a pena ser vivida. Considere estas situações:
- Júlia compartilha uma notícia chocante assim que a recebe no celular.
- Rafael defende uma opinião porque "todo mundo pensa assim".
- Bianca pergunta a si mesma por que acredita em algo e procura razões contra e a favor antes de opinar.
A atitude mais próxima do ideal socrático é a de:
- Júlia, que divulga informações com rapidez para que todos fiquem atualizados
- Bianca, que examina as próprias crenças e as razões antes de se posicionar
- Rafael, que confia na opinião da maioria como garantia de verdade
- Júlia e Rafael, que evitam perder tempo com dúvidas sobre o que já se sabe
- nenhum dos três, pois Sócrates considerava inútil discutir opiniões
Escreva um diálogo curto (de 8 a 12 falas) entre uma personagem que pratica o método socrático e um colega que tenta definir "amizade" ou "justiça". O diálogo deve mostrar: (1) uma primeira definição; (2) uma pergunta ou contraexemplo que revele um problema nessa definição; (3) uma nova definição, mais cuidadosa, construída pelo próprio colega.
ProvaPiloto · provapiloto.com.br
Gabarito comentado
Já usou com a sua turma?
Conte com um toque. Isso ajuda outros professores a escolher.
Usei em sala Entre na sua conta para contar.
Para continuar o assunto
Sofistas, retórica e democracia em Atenas
Prova 10 questões 55 min

Filosofia helenística: estoicos, epicuristas e céticos
Atividade 10 questões 50 min

Fontes históricas, memória e patrimônio cultural
Atividade 10 questões 50 min

Teorias da justiça: Rawls, Nozick e Amartya Sen
Atividade 11 questões 55 min