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História 1ª série Atividade

Fontes históricas, memória e patrimônio cultural

Atividade com 10 questões sobre fontes históricas, crítica documental, história oral, cultura material, patrimônio imaterial, Unesco e disputas de memória.

  • 10 questões
  • cerca de 50 minutos

História, 1ª série: Fontes históricas, memória e patrimônio cultural

  1. Leia o texto.

    Para estudar o cotidiano do Rio de Janeiro no século XIX, uma historiadora reuniu anúncios de jornal sobre fugas de pessoas escravizadas, fotografias de ruas, inventários de bens deixados por famílias e relatos de viajantes estrangeiros.

    Esses materiais são considerados fontes históricas porque

    1. registram os fatos de maneira neutra e completa, o que dispensa a comparação entre documentos diferentes.
    2. são vestígios do passado que, interrogados criticamente, permitem conhecê-lo.
    3. foram produzidos por historiadores profissionais com o objetivo de explicar a sociedade escravista.
    4. são documentos oficiais do Estado, únicos aceitos pelos historiadores como prova do que aconteceu.
    5. apresentam a visão das pessoas escravizadas, que escreveram e publicaram a maior parte desses textos.
  2. Em 1929, os historiadores franceses Marc Bloch e Lucien Febvre fundaram a revista Annales, que criticava uma história centrada apenas em documentos oficiais, batalhas e governantes. Uma consequência dessa renovação para o trabalho do historiador foi

    1. abandonar o uso de documentos escritos, considerados falsos por terem sido produzidos pelas elites.
    2. ampliar a noção de documento, incluindo objetos, paisagens, imagens, festas e testemunhos orais.
    3. concentrar a pesquisa na biografia dos reis e dos grandes generais de cada época.
    4. substituir a pesquisa em arquivos por narrativas literárias sobre o passado nacional.
    5. restringir a história aos acontecimentos políticos ocorridos na Europa desde a Antiguidade.
  3. Leia o trecho de uma entrevista feita por estudantes com uma moradora do bairro.

    Quando eu era menina, nos anos 1970, a gente buscava água no chafariz da praça, porque a rua ainda não tinha encanamento. Todo mundo se encontrava lá, era a hora de conversar. Hoje eu sinto falta daquela vida de vizinhança.

    Ao usar esse depoimento como fonte, os estudantes devem considerar que

    1. o relato tem pouco valor histórico, pois a entrevistada não ocupava nenhum cargo público na época.
    2. o depoimento é mais confiável que qualquer documento escrito, pois foi dado por quem viveu os fatos.
    3. a história oral só pode ser usada para estudar sociedades que não conheciam a escrita.
    4. a memória é seletiva e reconstruída no presente, por isso deve ser cruzada com outras fontes.
    5. as lembranças devem ser corrigidas pelo entrevistador antes de serem registradas no trabalho.
  4. Em 1996, durante a reforma de uma casa no bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro, foram encontrados restos humanos de um antigo cemitério onde eram enterrados africanos que morriam pouco depois de desembarcar dos navios negreiros. Para os historiadores e arqueólogos, esse achado é importante porque

    1. comprova que os africanos chegavam ao Brasil em boas condições de saúde, como afirmavam os traficantes.
    2. substitui os documentos escritos sobre o tráfico, que foram todos destruídos após a abolição.
    3. mostra que o tráfico atlântico se limitou ao século XVI, quando o cemitério foi fechado.
    4. revela que os enterros seguiam os rituais religiosos escolhidos pelas próprias famílias africanas.
    5. fornece evidências materiais sobre as condições do tráfico atlântico.
  5. Desde 2000, o Brasil conta com o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial, coordenado pelo Iphan. Entre os bens registrados estão a Arte Kusiwa, pintura corporal e gráfica do povo Wajãpi, do Amapá, e o Jongo no Sudeste, expressão de matriz africana que combina canto, dança e percussão. Esses bens são classificados como imateriais porque

    1. deixaram de ser praticados e hoje são conhecidos apenas por meio de documentos e fotografias antigas.
    2. pertencem ao governo federal, que passa a controlar quem pode praticá-los e ensiná-los.
    3. são edificações e objetos de valor artístico guardados em museus nacionais.
    4. foram criados recentemente e por isso ainda não podem ser considerados tradições.
    5. são saberes e expressões que dependem da transmissão entre gerações.
  6. Leia o texto.

    O Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, foi um dos principais pontos de desembarque de africanos escravizados nas Américas no início do século XIX. Em 2017, foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco como sítio de memória da escravidão. Pesquisadores e movimentos negros cobram, desde então, ações de conservação, sinalização e educação no local.

    Considerando o papel da Unesco, a inscrição do Cais do Valongo

    1. transfere a propriedade do sítio à Organização das Nações Unidas, que passa a administrá-lo diretamente.
    2. garante recursos financeiros permanentes da Unesco para todas as obras de manutenção da área.
    3. reconhece seu valor universal, mas a conservação depende sobretudo do país e da cidade.
    4. obriga o Brasil a cobrar entrada dos visitantes para financiar as escavações arqueológicas.
    5. impede qualquer debate público sobre o uso do local, que passa a ser decidido por especialistas estrangeiros.
  7. Um cronista português do século XVI escreveu que a língua dos indígenas do litoral brasileiro não tinha as letras F, L e R e concluiu, a partir disso, que esses povos viviam "sem fé, sem lei e sem rei". Ao analisar essa fonte, um historiador conclui que ela

    1. revela mais sobre a visão europeia do autor do que sobre os indígenas.
    2. prova que os povos tupis não possuíam crenças religiosas nem regras de convivência.
    3. deve ser descartada, pois relatos escritos por europeus não têm nenhum valor para a história indígena.
    4. demonstra que o cronista conhecia profundamente a língua tupi, por isso suas conclusões são seguras.
    5. mostra que os portugueses reconheciam os indígenas como povos organizados em reinos e leis próprias.
  8. Em várias cidades do mundo, monumentos que homenageiam personagens ligados à escravidão ou ao colonialismo passaram a ser questionados. Algumas propostas incluem retirar estátuas, outras defendem mantê-las com placas explicativas ou criar novos monumentos para grupos antes esquecidos. Esses debates mostram que

    1. a memória coletiva é fixa e não deve ser objeto de discussão pública em sociedades democráticas.
    2. os monumentos são fontes neutras, que apenas registram fatos aceitos por toda a população.
    3. os monumentos expressam escolhas de memória e podem ser reinterpretados.
    4. só os historiadores profissionais podem decidir o que deve ser lembrado em espaços públicos.
    5. a história de um país é definida pelo número de estátuas erguidas para cada personagem.
  9. Diferencie fonte primária de bibliografia (ou fonte secundária) e dê um exemplo de cada uma que poderia ser usado em um trabalho sobre a Grécia antiga.

  10. Escolha um bem do patrimônio cultural da sua cidade ou região, material (prédio, praça, sítio arqueológico) ou imaterial (festa, ofício, música, culinária). Explique: (a) que informações sobre o passado ele oferece; (b) que grupo social o produziu ou o mantém; (c) uma ação concreta para preservá-lo.

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