Língua Portuguesa 1ª série Atividade
Quinhentismo: Carta de Caminha e literatura jesuítica
Atividade com 10 questões sobre o Quinhentismo: a Carta de Pero Vaz de Caminha, a literatura de informação, o teatro e a poesia de Anchieta e o olhar europeu sobre os povos indígenas.
- 10 questões
- cerca de 55 minutos
Língua Portuguesa, 1ª série: Quinhentismo: Carta de Caminha e literatura jesuítica
A Carta de Pero Vaz de Caminha foi escrita em 1500 pelo escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral e endereçada ao rei D. Manuel. Considerando essas condições de produção, a principal finalidade do texto era
- entreter os leitores portugueses com uma história de aventura inventada pelo autor.
- ensinar o tupi aos jesuítas que viriam catequizar os indígenas.
- denunciar ao papa a violência dos colonizadores contra os indígenas.
- registrar as regras de uma nova forma poética trazida da Itália.
- informar o rei sobre a terra encontrada, seus recursos e seus habitantes.
Leia o trecho.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares [...]. Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente.
Pero Vaz de Caminha, Carta a el-rei D. Manuel (1500), ortografia atualizada, conforme a edição de Paulo Roberto Pereira. Infindas: sem fim; por bem das: graças às.
No trecho, o interesse do colonizador se manifesta principalmente na
- admiração desinteressada pela beleza da paisagem, sem objetivos práticos.
- busca de metais preciosos e na avaliação das possibilidades de exploração da terra.
- preocupação em preservar as florestas e as águas da nova terra para os povos indígenas.
- descrição detalhada das línguas faladas pelos povos encontrados.
- intenção de voltar imediatamente a Portugal e abandonar a terra.
Na Carta de Caminha, a frase "o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente" expressa
- o reconhecimento de que os indígenas tinham religiões próprias, que deveriam ser respeitadas pelos portugueses.
- a intenção de levar os indígenas a Portugal para estudarem nas universidades.
- a crítica de Caminha à Igreja, que queria explorar os povos da terra.
- o projeto de catequese, que via os indígenas como povos a serem convertidos ao cristianismo.
- o desejo de que os indígenas ensinassem os portugueses a viver na floresta.
Em outro trecho da Carta, Caminha escreve que "a feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes" e que "andam nus, sem nenhuma cobertura". Uma leitura crítica atual desse tipo de descrição deve considerar que
- ela parte do olhar europeu, que mede os povos indígenas pelos próprios padrões culturais.
- ela é um retrato completo e objetivo das culturas indígenas da época.
- ela foi escrita por um indígena que aprendeu português com os jesuítas.
- ela mostra que todos os povos indígenas do Brasil tinham os mesmos costumes e a mesma língua.
- ela não tem valor histórico, por isso não deve ser estudada.
Além da literatura de informação, o século XVI no Brasil produziu a literatura jesuítica. Seu principal representante, o padre José de Anchieta,
- escreveu sonetos amorosos inspirados em Petrarca para a corte portuguesa.
- foi o escrivão da frota de Cabral e redigiu a Carta ao rei.
- escreveu autos e poemas, inclusive em tupi, com finalidade de catequese.
- compôs cantigas de amigo em galego-português.
- escreveu romances indianistas que idealizavam os heróis indígenas.
Os autos de Anchieta misturavam português, espanhol e tupi e eram encenados em aldeamentos e vilas. A escolha de usar o tupi nas peças revela
- o desejo de preservar as religiões indígenas tradicionais.
- uma estratégia para tornar a mensagem religiosa compreensível aos indígenas.
- a proibição do português nas colônias portuguesas.
- que os jesuítas desconheciam completamente a língua portuguesa e só falavam latim.
- a intenção de escrever obras para serem lidas apenas na Europa.
Os textos do Quinhentismo costumam ser estudados como "literatura sobre o Brasil", e não como "literatura brasileira" propriamente dita, porque
- foram todos escritos em tupi e só depois traduzidos ao português pelos padres jesuítas.
- não têm nenhum valor histórico nem documental.
- foram produzidos por autores nascidos no Brasil após a Independência.
- tratam exclusivamente de temas europeus, sem mencionar a nova terra.
- foram escritos por europeus, com olhar e interesses voltados para a Metrópole.
O povo Tupinambá, que vivia no litoral, tinha uma organização social com aldeias, chefias, rituais e um amplo conhecimento das plantas, dos rios e do mar. Ao comparar essa informação com a Carta de Caminha, conclui-se que
- a Carta descreve em detalhe a organização política dos Tupinambá.
- os povos indígenas não tinham conhecimentos próprios antes da chegada dos europeus.
- a Carta registra só parte da realidade, filtrada pelo olhar do colonizador.
- os Tupinambá aprenderam a pescar e a plantar com os portugueses.
- o texto de Caminha é a única fonte possível sobre os povos do litoral.
Julgue a afirmação: a Carta de Caminha foi publicada logo depois de escrita e circulou amplamente entre os leitores portugueses do século XVI.
( ) Verdadeiro ( ) Falso
Escreva um parágrafo narrando a chegada das caravelas em 1500 do ponto de vista de um jovem indígena que observa a cena da praia. Seu texto deve apresentar estranhamento diante dos recém-chegados (roupas, objetos, comportamentos), mostrar saberes do próprio povo e evitar estereótipos. Em seguida, explique em duas linhas como a mudança de ponto de vista altera o sentido do encontro.
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