Sociologia 2ª série Atividade
Precarização e trabalho por plataformas digitais
Atividade com 11 questões sobre precarização, informalidade, uberização, indicadores de desocupação, automação, teletrabalho e trabalho análogo à escravidão.
- 11 questões
- cerca de 55 minutos
Sociologia, 2ª série: Precarização e trabalho por plataformas digitais
Na sociologia do trabalho, precarização refere-se ao processo de:
- melhoria contínua das condições de trabalho graças à tecnologia e às novas leis
- redução da jornada de trabalho com aumento dos salários e dos benefícios sociais
- aumento da insegurança no trabalho, com perda de direitos, instabilidade e baixa proteção
- valorização do trabalho artesanal em relação ao trabalho industrial e ao de serviços
- aumento dos empregos com carteira assinada e da filiação dos trabalhadores aos sindicatos
Joana vende salgados há três anos sem registro, sem CNPJ e sem contribuir para a Previdência. Como trabalhadora informal, ela:
- tem os mesmos direitos de quem trabalha com carteira assinada, conforme as regras da CLT de 1943
- é considerada desocupada pelas estatísticas oficiais, pois não tem patrão
- recebe automaticamente seguro-desemprego quando suas vendas diminuem
- está proibida por lei de trabalhar e deve ser multada pela prefeitura
- não tem acesso garantido a direitos como férias, 13º salário, FGTS e aposentadoria
Pesquisadores brasileiros, como Ricardo Antunes e Ludmila Abílio, usam o termo "uberização" para descrever uma tendência do trabalho contemporâneo. Essa tendência se caracteriza por:
- empregos estáveis, com jornada fixa e todos os direitos previstos na CLT
- trabalhadores sob demanda, geridos por algoritmos, que arcam com custos e riscos
- trabalho artesanal, em que o trabalhador controla todo o processo produtivo
- fim das empresas, substituídas por cooperativas sem nenhuma hierarquia interna
- contratação exclusiva de trabalhadores pelo Estado, por meio de concursos públicos
Sobre o debate a respeito dos direitos de quem trabalha por meio de plataformas digitais no Brasil, é correto afirmar que:
- o tema está resolvido, pois todos os trabalhadores de aplicativo já têm carteira assinada
- não existe nenhuma discussão sobre o tema no Congresso Nacional nem no Poder Judiciário
- todos os trabalhadores de aplicativo querem exatamente o mesmo tipo de regulamentação
- há quem defenda o vínculo de emprego e quem defenda a autonomia com outras proteções
- as plataformas são proibidas no Brasil e funcionam apenas de forma clandestina
Observe a tabela, com dados hipotéticos que reproduzem um padrão frequente nas pesquisas do IBGE.
Faixa etária Taxa de desocupação (%) 14 a 17 anos 28 18 a 24 anos 17 25 a 39 anos 8 40 a 59 anos 5 60 anos ou mais 4 A leitura correta da tabela indica que:
- a desocupação é mais alta entre os mais jovens, o que se liga à transição escola-trabalho
- a desocupação aumenta com a idade, sendo maior entre as pessoas com 60 anos ou mais
- a taxa de desocupação é a mesma em todas as faixas etárias apresentadas na pesquisa
- os jovens de 18 a 24 anos têm a menor taxa de desocupação entre todos os grupos
- metade das pessoas de 25 a 39 anos está desocupada, segundo os dados da tabela
Segundo a metodologia do IBGE, a taxa de desocupação considera as pessoas da força de trabalho que não trabalhavam e procuraram emprego no período da pesquisa. Assim, uma pessoa que não trabalha e desistiu de procurar emprego por acreditar que não encontrará vaga é classificada como:
- desocupada, pois não está trabalhando no momento da pesquisa
- ocupada, pois não está procurando emprego no período da pesquisa
- informal, pois não possui carteira de trabalho assinada
- desalentada, fora da força de trabalho e da taxa de desocupação
- aposentada, pois deixou de fazer parte do mercado de trabalho
Em uma rede de supermercados, caixas de autoatendimento substituíram parte dos operadores de caixa, e um sistema automatizado passou a controlar os estoques. Quando o avanço tecnológico elimina postos de trabalho de forma duradoura, fala-se em:
- desemprego estrutural ou tecnológico
- desemprego sazonal, ligado às estações do ano
- desemprego friccional, ligado à troca voluntária de emprego
- pleno emprego, pois a tecnologia cria vagas para todos
- trabalho escravo contemporâneo, previsto no Código Penal
Com a expansão do teletrabalho, muitas pessoas passaram a trabalhar de casa. Do ponto de vista sociológico, esse modelo:
- elimina qualquer forma de controle das empresas sobre o trabalho dos funcionários
- é acessível igualmente a todas as profissões, inclusive às de construção civil e limpeza urbana
- pode reduzir deslocamentos, mas também diluir as fronteiras entre trabalho e vida pessoal
- acaba com a desigualdade de gênero, pois divide igualmente as tarefas domésticas
- não tem nenhuma relação com as tecnologias digitais nem com a internet
O artigo 149 do Código Penal brasileiro define o crime de reduzir alguém a condição análoga à de escravo. Qual situação se enquadra nessa definição?
- Uma funcionária que faz duas horas extras por semana, pagas conforme a lei trabalhista.
- Trabalhadores com documentos retidos, presos a dívidas com o patrão e em condições degradantes.
- Um aprendiz de 16 anos que trabalha quatro horas por dia e frequenta a escola regularmente no turno da manhã.
- Um profissional autônomo que escolhe trabalhar à noite para atender seus clientes.
- Um servidor público que cumpre jornada de oito horas diárias em uma repartição.
Em um mês, um entregador de aplicativo recebeu R$ 3.000,00 pelas entregas. No mesmo período, gastou R$ 900,00 com combustível e manutenção da moto e R$ 150,00 com o plano de celular, despesas que ele próprio paga. O ganho líquido dele no mês e o que esse cálculo evidencia são:
- R$ 3.000,00; os custos da atividade são pagos integralmente pela plataforma
- R$ 2.100,00; apenas o gasto com o celular deve ser descontado do valor recebido
- R$ 2.850,00; apenas o combustível é custo do trabalho, e o resto é despesa pessoal
- R$ 4.050,00; os gastos devem ser somados ao valor recebido pelas entregas
- R$ 1.950,00; parte dos custos da atividade é transferida ao trabalhador
Escreva um parágrafo argumentativo (de 8 a 12 linhas) sobre os desafios do mundo do trabalho para os jovens brasileiros hoje. Use pelo menos dois conceitos estudados (precarização, informalidade, uberização, desemprego estrutural, teletrabalho, desalento) e proponha uma ação concreta, do poder público, das empresas ou da sociedade civil, para reduzir a desigualdade no acesso a trabalho digno.
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