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Língua Portuguesa 3ª série Atividade

Poesia de 30: Drummond, Cecília, Vinicius e Murilo

Atividade com 11 questões sobre a poesia da segunda fase modernista: o gauche de Drummond, a poesia social, o lirismo de Cecília, o soneto de Vinicius e o preparo de um sarau.

  • 11 questões
  • cerca de 50 minutos

Língua Portuguesa, 3ª série: Poesia de 30: Drummond, Cecília, Vinicius e Murilo

  1. A poesia brasileira da segunda fase modernista (c. 1930-1945) pode ser caracterizada como

    1. um retorno completo ao Parnasianismo, com abandono do verso livre e da linguagem coloquial.
    2. um período de poesia alheia à história, já que o país e o mundo viviam tempos de estabilidade.
    3. um amadurecimento, com verso livre ao lado de formas tradicionais e temas existenciais e sociais.
    4. uma fase exclusivamente humorística, em que o poema-piada se torna a única forma aceita.
    5. a fase do indianismo modernista, voltada apenas a temas indígenas e à natureza tropical.
  2. No "Poema de sete faces", que abre Alguma Poesia (1930), de Carlos Drummond de Andrade, o eu lírico conta que, ao nascer, um anjo torto lhe disse para ser gauche na vida. A palavra francesa gauche (esquerdo, desajeitado) sintetiza

    1. a alegria de quem se sente perfeitamente integrado à vida social de sua cidade.
    2. a religiosidade do eu lírico, que se vê protegido por um anjo da guarda.
    3. a admiração do poeta pela cultura francesa, que ele desejava copiar em seus versos.
    4. a militância política de esquerda, assumida pelo poeta desde o primeiro livro.
    5. o sentimento de deslocamento e de inadequação do eu lírico diante do mundo.
  3. O poema "No meio do caminho", de Drummond, publicado em 1928, é construído quase inteiramente pela repetição de dois versos sobre uma pedra no caminho, ora numa ordem, ora na ordem inversa. Na época, foi ridicularizado por críticos. O efeito expressivo dessa repetição é

    1. imitar as rimas ricas do Parnasianismo, valorizadas pelos críticos que atacaram o poema.
    2. narrar com precisão uma viagem, indicando cada pedra encontrada ao longo de uma estrada.
    3. demonstrar a falta de vocabulário do poeta, que não encontrou outras palavras para o tema.
    4. reproduzir, na própria forma, a insistência do obstáculo, que se impõe à memória do eu lírico.
    5. eliminar qualquer possibilidade de interpretação, tornando o poema um texto informativo.
  4. Em Sentimento do Mundo (1940) e A Rosa do Povo (1945), Drummond escreve poemas marcados pela Segunda Guerra, pela opressão e pela solidariedade entre os homens. Em relação ao primeiro livro, essa produção revela

    1. a adesão ao grupo Verde-Amarelo e ao seu nacionalismo ufanista dos anos 1920.
    2. a abertura do eu lírico para o presente e para os outros, numa poesia de participação.
    3. o abandono definitivo da poesia em favor do romance, gênero que o autor passou a cultivar.
    4. o retorno ao humor do poema-piada, sem nenhum traço de angústia ou de reflexão.
    5. a recusa de qualquer tema histórico, em nome de uma poesia voltada apenas à forma.
  5. No poema "José" (1942), Drummond repete ao longo das estrofes a pergunta que se tornou expressão popular: "E agora, José?". O José do poema, sem nome de família e diante de portas fechadas, representa

    1. um trabalhador rural nordestino, protagonista de um romance regionalista.
    2. o homem comum em crise, sem saída visível, num tempo de incertezas pessoais e históricas.
    3. um herói nacional que vence todos os obstáculos graças à sua força e coragem.
    4. o próprio leitor, a quem o poeta oferece respostas práticas para os problemas da vida.
    5. um personagem bíblico, cuja história o poema narra em ordem cronológica.
  6. A poesia de Cecília Meireles é frequentemente descrita como

    1. combativa e panfletária, voltada à defesa de partidos políticos nos comícios da época.
    2. descritiva e objetiva, sem subjetividade, preocupada em registrar dados científicos.
    3. humorística e coloquial, centrada em piadas sobre a vida urbana de São Paulo.
    4. intimista e musical, com imagens de mar, vento e tempo, e certa herança simbolista.
    5. regionalista, escrita em linguagem sertaneja e voltada à denúncia da seca nordestina.
  7. No Romanceiro da Inconfidência (1953), Cecília Meireles retoma a Inconfidência Mineira por meio de "romances", poemas narrativos de tradição ibérica, em geral em versos curtos e rimados. Nessa obra, a autora

    1. une lirismo e narração para revisitar um episódio histórico e refletir sobre liberdade e injustiça.
    2. abandona os temas brasileiros e trata apenas de lendas medievais portuguesas.
    3. produz um romance em prosa, com capítulos longos e narrador em primeira pessoa.
    4. escreve um tratado de História, com notas de rodapé e documentos transcritos na íntegra.
    5. satiriza os inconfidentes, apresentando-os como vilões responsáveis pela própria condenação.
  8. Vinicius de Moraes, poeta modernista, escreveu muitos sonetos, forma fixa de origem italiana, consagrada por Petrarca e por Camões, nos quais trata do amor, do desejo e da fugacidade das relações. Esse fato mostra que

    1. a poesia moderna não negou as formas fixas, mas as renovou com temas do seu tempo.
    2. os temas amorosos foram abandonados pela literatura brasileira a partir de 1922.
    3. o verso livre era a única forma aceita pelos poetas da segunda fase modernista.
    4. o soneto foi proibido pelos modernistas e só voltou a ser usado depois de 1970.
    5. Vinicius rejeitou o Modernismo e foi considerado um poeta parnasiano por toda a crítica.
  9. Murilo Mendes e Jorge de Lima publicaram juntos Tempo e Eternidade (1935), livro de poemas de inspiração católica. Na obra de Murilo Mendes, essa religiosidade se combina com

    1. a linguagem jornalística, sem metáforas nem jogos de imagem.
    2. o regionalismo gaúcho e a temática das estâncias do Sul do país.
    3. imagens insólitas e associações inesperadas, próximas do Surrealismo.
    4. a defesa do cientificismo e do determinismo do século XIX.
    5. o rigor parnasiano, com rimas raras e descrições objetivas de objetos.
  10. Uma turma vai organizar um sarau com poemas da segunda fase modernista. A orientação que mais ajuda o público a compreender os poemas lidos em voz alta é

    1. ler em tom monótono e sem variações, para não interferir na interpretação dos ouvintes.
    2. evitar dizer o nome do autor, para que o público adivinhe sozinho de quem é cada poema.
    3. ler o mais rápido possível, para que caibam mais poemas no tempo reservado ao sarau.
    4. fazer uma pausa longa ao fim de todo verso, mesmo quando a frase continua no verso seguinte.
    5. ensaiar respeitando pausas e encadeamentos e apresentar brevemente autor e contexto.
  11. Leia o poema a seguir, escrito para esta atividade.

    Inventário da segunda-feira

    O ônibus atrasa e eu chego atrasado
    ao mesmo emprego, ao mesmo pó, ao mesmo nome.
    No jornal, a guerra mora longe,
    mas o preço do pão mora aqui.
    Carrego no bolso um bilhete de volta
    e uma pergunta que não cabe no bolso.

    a) Aponte duas características do poema que o aproximam da poesia brasileira da segunda fase modernista.
    b) Escreva sua interpretação pessoal do último verso, justificando-a com elementos do texto.

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