Filosofia 3ª série Atividade
Nietzsche e o existencialismo: valores e liberdade
Atividade com 11 questões sobre Nietzsche, Sartre, Camus e Beauvoir: morte de Deus, niilismo, além-do-homem, existência e essência, liberdade, má-fé e absurdo.
- 11 questões
- cerca de 55 minutos
Filosofia, 3ª série: Nietzsche e o existencialismo: valores e liberdade
Em A gaia ciência (1882), Nietzsche apresenta um homem louco que anuncia, em praça pública, que Deus está morto e que nós o matamos. Na interpretação mais aceita, essa imagem expressa:
- o colapso da crença que sustentava os valores ocidentais, abrindo caminho para o niilismo
- a comprovação científica de que nenhuma religião tem fundamento histórico ou racional
- um relato histórico sobre a destruição de templos e igrejas durante a Revolução Francesa de 1789
- a defesa de que todas as pessoas devem abandonar imediatamente qualquer forma de fé
- a tese de que os valores cristãos estão mais fortes do que nunca na sociedade moderna
Em Genealogia da moral (1887), Nietzsche distingue a moral dos senhores e a moral dos escravos. Segundo ele:
- a moral dos senhores é a dos ricos proprietários; a dos escravos é a dos trabalhadores assalariados
- a moral dos senhores afirma a vida e cria valores a partir de si; a dos escravos nasce do ressentimento
- a moral dos escravos é superior, pois nasce da força e da afirmação da vida diante do sofrimento
- as duas morais são idênticas, pois ambas foram criadas pelos filósofos gregos da Antiguidade
- a moral dos senhores defende a compaixão, e a dos escravos defende o orgulho e a guerra
Em O nascimento da tragédia (1872), Nietzsche interpreta a tragédia grega como fruto da tensão entre dois impulsos, o apolíneo e o dionisíaco. Eles representam, respectivamente:
- a guerra e a violência; a paz e a contemplação silenciosa da natureza
- a ciência moderna e a técnica industrial; a religião cristã e a vida monástica medieval
- a moral dos escravos; a moral dos senhores, segundo a Genealogia da moral
- a forma, a medida e a clareza; a embriaguez, o excesso e a dissolução dos limites
- a razão de Sócrates; o método experimental de Bacon e de Galileu
Em Assim falou Zaratustra, Nietzsche apresenta o além-do-homem (Übermensch). Esse conceito refere-se a:
- quem supera os valores herdados e cria os próprios valores, afirmando a vida
- um grupo étnico biologicamente superior, destinado a dominar os demais povos
- um santo que renuncia aos prazeres terrenos para alcançar a vida eterna
- um governante absoluto, escolhido por Deus para conduzir o seu povo
- um cientista que domina a natureza por meio da técnica e da razão instrumental
Nietzsche propõe o seguinte experimento de pensamento: e se um demônio dissesse que você terá de viver esta mesma vida, com cada dor e cada alegria, infinitas vezes? A ideia do eterno retorno funciona, nesse contexto, como:
- uma teoria científica sobre a física do universo, comprovada pelos astrônomos e físicos do século XIX
- um teste de afirmação da vida: seria possível querer que cada instante voltasse eternamente?
- uma doutrina religiosa sobre a reencarnação da alma em diferentes corpos e épocas
- uma lei moral que obriga cada pessoa a repetir as ações dos antepassados
- uma demonstração de que a vida é inútil e de que nada vale a pena ser vivido
Em O existencialismo é um humanismo (1946), Jean-Paul Sartre afirma que, no ser humano, a existência precede a essência. Isso significa que:
- cada pessoa nasce com um destino já definido, que deve apenas descobrir e aceitar ao longo da vida
- a essência humana é determinada pela genética, e a liberdade é uma ilusão
- os objetos fabricados, como um corta-papel, também escolhem o que vão ser
- o ser humano primeiro existe e depois se define por suas escolhas, sem natureza prévia
- a sociedade define a essência de cada indivíduo, que não pode mudá-la
Sartre afirma que o ser humano está condenado a ser livre. A expressão significa que:
- a liberdade é um castigo imposto por Deus aos seres humanos por causa do pecado original
- as pessoas presas por crimes são as únicas que conhecem o verdadeiro sentido da liberdade
- a liberdade é uma ilusão, pois tudo o que fazemos já está determinado pelo passado
- só é livre quem faz tudo o que deseja, sem pensar nas consequências para os outros
- não escolhemos ser livres, mas, uma vez no mundo, somos responsáveis por tudo o que fazemos
Diante de uma decisão difícil, Lucas diz: "Não tenho escolha. Eu sou assim, é a minha natureza, não posso agir de outro jeito". Para Sartre, essa atitude é um exemplo de:
- autenticidade, pois Lucas reconhece com sinceridade os limites de sua natureza
- angústia, pois Lucas sente com clareza o peso de ser plenamente livre e responsável
- má-fé, pois Lucas se engana sobre a própria liberdade para fugir da responsabilidade
- eterno retorno, pois Lucas deseja repetir infinitamente as mesmas escolhas de sempre
- ressentimento, pois Lucas inverte os valores dos fortes, como descreveu Nietzsche
Em O mito de Sísifo (1942), Albert Camus usa a figura do herói condenado pelos deuses a empurrar eternamente uma pedra montanha acima, que sempre rola de volta. Camus conclui que é preciso imaginar Sísifo feliz. Com isso, ele defende que, diante do absurdo:
- a única saída coerente é desistir da vida, pois o absurdo torna toda ação humana inútil e sem valor
- é preciso buscar refúgio em uma fé que explique o sentido último de cada sofrimento
- a ciência acabará descobrindo o sentido da vida, eliminando o absurdo da existência
- a resposta é a revolta lúcida, vivendo intensamente sem esperar um sentido dado de fora
- os deuses devem ser obedecidos, pois o castigo de Sísifo era justo e merecido
Em O segundo sexo (1949), Simone de Beauvoir aplica princípios existencialistas à condição feminina e argumenta, em paráfrase, que ninguém nasce mulher, mas se torna mulher. Essa tese sustenta que:
- as mulheres devem rejeitar a biologia, pois o corpo não tem qualquer importância na vida
- a condição feminina é imutável e foi definida pela natureza desde o início dos tempos
- todas as mulheres pensam e agem da mesma forma, independentemente da época e do lugar
- a filosofia existencialista não se aplica às mulheres, mas apenas aos homens
- o que uma sociedade define como feminino é construído historicamente, e não um destino fixo
Imagine uma estudante da 3ª série que precisa escolher um curso superior. A família espera que ela siga a carreira dos pais, e ela pensa em responder: "Vou fazer o que esperam de mim, não tenho escolha". Usando os conceitos de Sartre (existência e essência, liberdade, responsabilidade, angústia e má-fé), analise essa situação e explique o que significaria uma escolha autêntica nesse caso.
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