Filosofia 2ª série Atividade
Descartes e o racionalismo: a dúvida metódica
Atividade com 10 questões sobre Descartes: as regras do método, a dúvida metódica, o gênio maligno, o cogito, o dualismo e os tipos de ideia.
- 10 questões
- cerca de 50 minutos
Filosofia, 2ª série: Descartes e o racionalismo: a dúvida metódica
No início do século XVII, as descobertas de Copérnico, Galileu e outros abalaram teorias aceitas havia séculos, como o geocentrismo. Nesse contexto, o projeto filosófico de René Descartes (1596-1650) tinha como objetivo:
- encontrar um fundamento seguro para o conhecimento, diante das incertezas da nova ciência
- defender que a filosofia de Aristóteles era a única base possível para a ciência e para a teologia
- provar que nenhum conhecimento é possível e que todas as opiniões têm o mesmo valor
- substituir a razão pela experiência dos sentidos como critério último da verdade
- mostrar que a fé religiosa deve ser abandonada por todos os que estudam ciências
No Discurso do método (1637), Descartes apresenta quatro regras. Uma delas recomenda dividir cada dificuldade examinada em tantas partes quanto for possível e necessário para melhor resolvê-la. Essa é a regra:
- da evidência
- da síntese
- da análise
- da enumeração
- da indução
Na primeira das Meditações, Descartes coloca em dúvida tudo o que aprendeu pelos sentidos. O argumento que ele usa para justificar essa dúvida é que:
- os sentidos nunca nos enganam, mas a memória costuma deformar tudo o que percebemos
- a Igreja havia proibido o uso dos sentidos como fonte de conhecimento científico
- os sentidos só funcionam bem nas pessoas que estudaram matemática e geometria
- a experiência é a única fonte de verdade, e por isso deve ser sempre posta acima da razão e da matemática
- os sentidos às vezes nos enganam, e não é prudente confiar plenamente em quem já nos enganou
Depois dos argumentos dos sentidos e do sonho, Descartes ainda considerava certas as verdades matemáticas, pois "dormindo ou acordado, dois mais três são cinco". Para colocá-las também em dúvida, ele formula a hipótese do gênio maligno, cuja função é:
- provar que existe um ser enganador, que deve ser combatido com orações e rituais
- levar a dúvida ao extremo, alcançando até a matemática, para ver se algo resiste a ela
- mostrar que a matemática é inventada pelos seres humanos e, portanto, sempre falsa
- afirmar que os sentidos são confiáveis, já que o engano vem apenas de fora deles
- concluir que nada pode ser conhecido e que o filósofo deve suspender todo juízo
Descartes conclui que, mesmo que um gênio maligno o engane em tudo, há algo de que não pode duvidar. Essa certeza é indubitável porque:
- os sentidos confirmam a cada instante que o corpo existe e ocupa um lugar determinado no espaço
- Deus revelou aos seres humanos, por meio dos textos sagrados, que eles existem
- todos os filósofos anteriores já haviam provado a existência do pensamento
- enquanto duvido, penso; e, se penso, existo, mesmo que esteja enganado sobre todo o resto
- a maioria das pessoas concorda que existe, e a opinião comum é critério de verdade
Após o cogito, Descartes distingue duas substâncias: a res cogitans e a res extensa. Essa distinção significa que:
- a mente e o corpo são a mesma substância vista por dois ângulos diferentes
- a mente é pensamento, sem extensão, e o corpo é extensão, sem pensamento
- o corpo pensa por meio do cérebro, e a mente é apenas uma ilusão dos sentidos
- todas as coisas, inclusive as pedras e as plantas, possuem uma alma pensante
- a mente é formada de átomos muito finos, que se movem no interior do corpo
Descartes classifica as ideias em inatas (que nascem com a própria mente), adventícias (que parecem vir de fora, pelos sentidos) e factícias (criadas pela imaginação). A ideia de um cavalo com asas, que nunca foi visto, é:
- factícia, pois a imaginação a compõe a partir de outras ideias
- inata, pois todos nascemos com a ideia de animais e de aves
- adventícia, pois é recebida diretamente da observação da natureza
- inata, pois é tão clara e distinta quanto a ideia de perfeição
- adventícia, pois os sentidos a produzem durante o sonho
Na segunda das Meditações, Descartes analisa um pedaço de cera recém-tirado da colmeia: ele tem cheiro de flores, cor, forma e faz som ao ser tocado. Aproximado do fogo, perde tudo isso, mas reconhecemos que continua sendo a mesma cera. A conclusão de Descartes é que:
- a cera deixa de existir quando derrete, pois perde todas as qualidades percebidas
- só os sentidos permitem conhecer a cera, já que a razão não percebe cores nem cheiros nem sons
- cada pessoa conhece uma cera diferente, conforme as próprias sensações e lembranças
- a cera é uma ideia inventada pela imaginação, sem qualquer relação com o mundo
- a natureza da cera é conhecida pelo entendimento, e não pelos sentidos ou pela imaginação
Além de Descartes, filósofos como Espinosa e Leibniz são classificados como racionalistas. O que caracteriza essa corrente, em comparação com o empirismo?
- Todas as ideias derivam da experiência, e a mente nasce como uma folha em branco.
- O conhecimento é impossível, porque razão e sentidos nos enganam com a mesma frequência.
- A razão possui princípios próprios e é a fonte principal do conhecimento seguro.
- Só a fé revelada garante a verdade, e a razão deve limitar-se às questões práticas.
- As ideias gerais são apenas nomes, sem nenhuma correspondência com a realidade.
Descreva o percurso da dúvida cartesiana nas Meditações, desde a dúvida sobre os sentidos até o cogito. Em seguida, explique a diferença entre a dúvida metódica de Descartes e o ceticismo.
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