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Língua Portuguesa 1ª série Atividade

Arcadismo: bucolismo, Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa

Atividade com 10 questões sobre o Arcadismo: bucolismo, pastoralismo, lemas clássicos, Marília de Dirceu, Cláudio Manuel da Costa, O Uraguai e a Inconfidência Mineira.

  • 10 questões
  • cerca de 55 minutos

Língua Portuguesa, 1ª série: Arcadismo: bucolismo, Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa

  1. Leia a estrofe.

    Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
    Que viva de guardar alheio gado;
    De tosco trato, de expressões grosseiro,
    Dos frios gelos e dos sóis queimado.
    Tenho próprio casal e nele assisto;
    Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
    Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
    E mais as finas lãs, de que me visto.

    Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu, Lira I (1792). Casal: pequena propriedade rural; assisto: moro.

    Ao dizer que não é um vaqueiro "de tosco trato" e que tem "próprio casal", o eu lírico Dirceu procura

    1. mostrar que vive na miséria e precisa da ajuda financeira de Marília e de sua família.
    2. criticar Marília por desprezar os vaqueiros pobres.
    3. revelar que deseja abandonar o campo e morar na cidade.
    4. valorizar-se diante de Marília como homem de posses modestas e de boa educação.
    5. confessar que nunca trabalhou e vive de favores do rei.
  2. A vida descrita por Dirceu nos versos "Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; / Das brancas ovelhinhas tiro o leite" ilustra o ideal árcade de

    1. aurea mediocritas, a vida simples, equilibrada e suficiente.
    2. carpe diem, a urgência de aproveitar o momento antes da morte.
    3. inutilia truncat, a eliminação do que é inútil na linguagem.
    4. memento mori, a lembrança constante da morte.
    5. contemptus mundi, o desprezo pelo mundo e seus bens.
  3. O pastor Dirceu e a pastora Marília são personagens de uma convenção árcade conhecida como pastoralismo. Sabendo que Tomás Antônio Gonzaga era ouvidor (magistrado) em Vila Rica, conclui-se que

    1. Gonzaga abandonou a magistratura para cuidar de ovelhas no interior de Minas Gerais.
    2. o poema é uma autobiografia rigorosamente fiel à vida do autor.
    3. os pastores eram a classe social dominante em Minas Gerais.
    4. o pastoralismo foi uma invenção exclusiva da literatura brasileira.
    5. o poeta adota uma identidade pastoril fingida, típica da convenção do período.
  4. Leia a estrofe.

    Destes penhascos fez a natureza
    O berço em que nasci! oh quem cuidara
    Que entre penhas tão duras se criara
    Uma alma terna, um peito sem dureza!

    Cláudio Manuel da Costa, primeira estrofe de soneto (1768).

    A oposição entre "penhas tão duras" e "alma terna" mostra que o poema de Cláudio Manuel da Costa

    1. rompe totalmente com a tradição clássica e antecipa o Modernismo.
    2. descreve a paisagem litorânea do Rio de Janeiro.
    3. usa versos livres e sem métrica, como os poetas do século XX.
    4. critica a natureza por ter criado um homem insensível.
    5. ainda conserva o gosto barroco pela antítese, embora já pertença ao Arcadismo.
  5. Os "penhascos" do soneto de Cláudio Manuel da Costa remetem à paisagem montanhosa de Minas Gerais. Essa presença da terra natal no poema é significativa porque

    1. prova que o poeta nunca saiu de Minas Gerais e desconhecia por completo a Europa.
    2. revela que o Arcadismo brasileiro proibia temas da natureza.
    3. mostra a paisagem local entrando num poema de forma e convenções europeias.
    4. indica que o poema é um relato geográfico, sem valor literário.
    5. demonstra que o poeta desejava voltar a viver em Portugal.
  6. "Fugere urbem" (fugir da cidade) e "locus amoenus" (lugar ameno) são lemas árcades que expressam

    1. o desejo de conquistar novas terras e riquezas por meio das grandes navegações.
    2. a angústia religiosa diante do pecado e da morte.
    3. a crítica à vida rural e a defesa do progresso industrial.
    4. a valorização do campo como espaço de paz e de harmonia, em oposição à cidade.
    5. a necessidade de rebuscar a linguagem com palavras raras.
  7. Em outra lira, Dirceu convida Marília a aproveitar a juventude antes que o tempo traga a velhice. O lema árcade presente nesse convite é

    1. fugere urbem.
    2. carpe diem.
    3. inutilia truncat.
    4. locus amoenus.
    5. aurea mediocritas.
  8. O Uraguai (1769), de Basílio da Gama, é um poema épico sobre a guerra contra os Sete Povos das Missões, no sul do Brasil. Na obra, as personagens indígenas Cacambo e Lindoia

    1. ganham destaque heroico e lírico, embora o poema sirva à política portuguesa.
    2. são vilões que traem os portugueses e, por isso, são duramente punidos no final do poema.
    3. aparecem apenas como parte da paisagem, sem falas nem ações.
    4. são pastores gregos transportados para o cenário brasileiro.
    5. narram a história em primeira pessoa, como autores do poema.
  9. Vários poetas árcades de Minas Gerais, como Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, foram acusados de participar da Inconfidência Mineira (1789). Esse dado permite afirmar que

    1. os árcades viviam isolados no campo e ignoravam a política.
    2. a Inconfidência Mineira foi um movimento literário, sem dimensão política.
    3. os poetas foram premiados pela Coroa por sua lealdade.
    4. por trás da convenção pastoril havia homens envolvidos na política.
    5. o Arcadismo surgiu como reação ao fim da escravidão.
  10. Escreva uma estrofe de seis a oito versos em que um eu lírico de hoje convide alguém a deixar a cidade grande (trânsito, barulho, pressa) e viver num lugar tranquilo do interior do Brasil. Use pelo menos dois lemas árcades e, ao final, indique quais lemas você usou e em quais versos.

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