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Filosofia 3ª série Simulado

Simulado de filosofia: Frankfurt, Arendt e ética da tecnologia

Simulado com 15 questões no estilo ENEM sobre Escola de Frankfurt, Benjamin, Marcuse, Habermas, Hannah Arendt, Foucault, Byung-Chul Han e ética da tecnologia.

  • 15 questões
  • cerca de 50 minutos

Filosofia, 3ª série: Simulado de filosofia: Frankfurt, Arendt e ética da tecnologia

  1. Leia o texto.

    Nas plataformas de música, algoritmos analisam quais faixas mantêm os ouvintes por mais tempo. As gravadoras passam a produzir canções com introduções curtas, refrão nos primeiros segundos e duração parecida, ajustadas às métricas. O resultado é uma oferta enorme de músicas muito semelhantes entre si.

    A situação descrita pode ser relacionada ao conceito de indústria cultural, formulado por Adorno e Horkheimer, na medida em que evidencia:

    1. a padronização dos bens culturais, produzidos como mercadorias em série para o consumo
    2. a autonomia total dos artistas, que criam livremente sem considerar o mercado consumidor
    3. o fim da cultura de massa, substituída por obras únicas apreciadas por pequenos grupos
    4. a valorização da aura das obras de arte, preservada pela reprodução técnica digital
    5. a eliminação do lucro na produção cultural, graças às plataformas de acesso gratuito
  2. Para Adorno e Horkheimer, a indústria cultural oferece ao consumidor a sensação de escolher livremente entre muitos produtos, enquanto as opções seguem os mesmos padrões. Os autores chamam esse efeito de pseudoindividualidade. Uma consequência apontada por eles é:

    1. o fortalecimento do pensamento crítico, pois a diversidade de produtos estimula sempre a reflexão e o debate
    2. a formação de consumidores passivos, que tomam como necessidades próprias as criadas pelo mercado
    3. a eliminação das desigualdades sociais, já que todos passam a consumir os mesmos produtos
    4. o fim da publicidade, desnecessária quando os produtos atendem a desejos naturais
    5. a superação do capitalismo, substituído por uma economia de trocas culturais gratuitas
  3. Leia o texto.

    Diante de uma pintura famosa, visitantes de um museu passam mais tempo fotografando a obra com o celular do que olhando para ela. A imagem é compartilhada milhares de vezes e aparece em camisetas, canecas e capas de celular.

    Walter Benjamin, no ensaio A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, oferece uma chave de leitura para a situação ao afirmar que a reprodução técnica:

    1. aumenta a aura da obra, pois cada cópia é tão única e original quanto o próprio quadro exposto no museu
    2. é irrelevante para a arte, pois as obras sempre foram reproduzidas da mesma maneira
    3. abala a aura da obra, sua existência única no tempo e no espaço, e muda a relação do público com a arte
    4. impede qualquer uso político da arte, que passa a ser exclusivamente decorativa
    5. torna a arte inacessível às massas, que passam a não ter contato com nenhuma imagem
  4. Em O homem unidimensional (1964), Herbert Marcuse afirma que a sociedade industrial avançada cria "falsas necessidades", que integram os indivíduos ao sistema e reduzem sua capacidade de imaginar alternativas. Segundo essa análise:

    1. o consumo de bens materiais é sempre uma escolha livre e consciente, sem nenhuma influência externa da publicidade
    2. as sociedades industriais eliminaram toda forma de controle social sobre os indivíduos
    3. a tecnologia, por ser neutra, não tem relação com as formas de dominação política
    4. o conforto e o consumo podem neutralizar a crítica, fazendo a ordem existente parecer a única possível
    5. a oposição política cresce na mesma medida em que aumenta o consumo de mercadorias
  5. Jürgen Habermas, ligado à segunda geração da Escola de Frankfurt, propõe a noção de razão comunicativa. Para ele, normas legítimas são aquelas que poderiam ser aceitas por todos os afetados em um diálogo livre de coerção. Essa concepção valoriza:

    1. a decisão de especialistas, que dispensam a participação dos cidadãos comuns
    2. a vontade do governante, que pode impor normas sem justificá-las publicamente
    3. o cálculo de meios para atingir fins, sem discutir se os próprios fins são justos
    4. a obediência à tradição, que dispensa qualquer justificação racional das normas
    5. a argumentação pública, em que vale a força do melhor argumento, e não a coerção
  6. Leia o texto.

    Ao acompanhar, em 1961, o julgamento de Adolf Eichmann, funcionário nazista responsável pela logística da deportação de milhões de judeus para os campos de extermínio, Hannah Arendt esperava encontrar um monstro. Encontrou um burocrata comum, que repetia clichês e dizia apenas ter cumprido ordens.

    A partir dessa experiência, Arendt formulou a expressão "banalidade do mal", que significa que:

    1. males extremos podem ser cometidos por pessoas comuns, pela incapacidade de pensar e julgar
    2. o mal praticado pelos nazistas foi pequeno e não merecia ser julgado pelos tribunais
    3. todo mal tem origem em pessoas monstruosas, de caráter excepcionalmente perverso
    4. o cumprimento de ordens isenta o funcionário de qualquer responsabilidade moral
    5. a burocracia é a única responsável pelos crimes, e nenhum indivíduo pode ser culpado
  7. Em Sobre a violência (1970), Hannah Arendt distingue poder e violência. Para ela, o poder corresponde à capacidade humana de agir em conjunto, enquanto a violência é instrumental. Daí decorre que:

    1. o poder e a violência são sinônimos, pois todo governo se baseia na força
    2. a violência pode destruir o poder, mas é incapaz de criá-lo
    3. quanto mais violência um governo usa, mais poder legítimo ele possui
    4. a violência é a forma mais elevada de ação política em uma democracia
    5. o poder pertence a um indivíduo isolado, e não a um grupo de pessoas
  8. Em A condição humana (1958), Hannah Arendt distingue três atividades: o labor, ligado à manutenção biológica da vida; o trabalho, que fabrica objetos duráveis; e a ação. A ação é a atividade que:

    1. produz alimentos e bens de consumo que se esgotam rapidamente no processo vital
    2. fabrica ferramentas, casas e obras de arte, que permanecem no mundo por muito tempo depois de feitas
    3. ocorre entre as pessoas, por palavras e atos, e constitui a esfera política da pluralidade
    4. é realizada em isolamento, longe dos outros, por meio da contemplação filosófica
    5. repete ciclos naturais, como dormir e alimentar-se, sem deixar marcas no mundo
  9. Leia o texto.

    O panóptico, projeto arquitetônico do filósofo Jeremy Bentham, previa uma torre central de onde um vigia poderia observar todas as celas, sem ser visto. Os presos, sem saber se estavam sendo observados, passariam a vigiar a si mesmos.

    Michel Foucault, em Vigiar e punir (1975), usou o panóptico como modelo do poder disciplinar. Aplicada ao mundo atual, essa análise permite compreender:

    1. por que as prisões modernas deixaram de existir e foram substituídas pela vigilância digital
    2. como câmeras e o registro de dados podem levar as pessoas a regular o próprio comportamento
    3. que o poder existe apenas no Estado e é exercido somente por meio da força física
    4. que a vigilância sempre garante a segurança e nunca afeta a liberdade das pessoas
    5. por que Bentham é considerado o fundador da Escola de Frankfurt e da teoria crítica
  10. Leia o texto.

    Um sistema de inteligência artificial usado para pré-selecionar currículos foi treinado com dados de contratações passadas de uma empresa, que contratava majoritariamente homens para cargos técnicos. O sistema passou a dar notas menores a currículos de mulheres.

    Do ponto de vista da ética da tecnologia, o caso evidencia que:

    1. as máquinas são sempre neutras, e os resultados injustos se explicam apenas por coincidência estatística
    2. a inteligência artificial deve ser proibida em todas as áreas, pois sempre produz discriminação
    3. a responsabilidade pelas decisões automatizadas é exclusivamente das próprias máquinas
    4. algoritmos podem reproduzir desigualdades presentes nos dados, o que exige supervisão e responsabilidade humanas
    5. as desigualdades no mercado de trabalho foram criadas pela inteligência artificial
  11. Leia o texto.

    Muitos serviços digitais são oferecidos gratuitamente. Em troca, as empresas coletam dados sobre o que os usuários buscam, onde estão e com quem conversam, e usam essas informações para prever e influenciar comportamentos, inclusive de consumo.

    Uma reflexão ética coerente com o texto é a de que:

    1. os serviços gratuitos não envolvem nenhuma troca, pois os usuários não pagam nada para usá-los
    2. a coleta de dados é sempre ilegal no Brasil, por isso não há nenhum dilema ético envolvido
    3. o usuário que aceita os termos de uso perde automaticamente todos os seus direitos
    4. a influência sobre comportamentos é impossível, já que cada pessoa decide sempre sozinha o que vai consumir
    5. a privacidade e o consentimento informado se tornam questões centrais quando os dados viram mercadoria
  12. Leia o texto.

    Na sociedade do desempenho, já não é preciso que alguém nos obrigue a trabalhar sem parar: nós mesmos nos cobramos metas, produtividade e sucesso. O sujeito se torna empresário de si mesmo e se explora acreditando que está se realizando.

    O texto parafraseia ideias do filósofo Byung-Chul Han, em Sociedade do cansaço. Segundo essa análise, o esgotamento contemporâneo está relacionado:

    1. à autoexploração, em que a cobrança de desempenho é interiorizada como liberdade
    2. à proibição do trabalho, imposta por governos autoritários a toda a população
    3. à falta de estímulos, em uma sociedade que oferece poucas informações e opções
    4. à disciplina das fábricas do século XIX, que continua idêntica nos dias de hoje
    5. à preguiça natural dos jovens, que rejeitam qualquer forma de esforço pessoal
  13. Em Origens do totalitarismo (1951), Hannah Arendt analisa o nazismo e o stalinismo como uma forma nova de dominação. Para ela, os regimes totalitários se caracterizam por:

    1. respeito às liberdades individuais e à pluralidade de partidos e de opiniões políticas
    2. governo limitado por uma constituição, com separação e equilíbrio entre os poderes
    3. uso do terror e de uma ideologia total, que isolam os indivíduos e destroem o espaço público
    4. ausência de propaganda e de polícia política, já que o apoio popular é espontâneo
    5. defesa da autonomia das pessoas e incentivo ao pensamento crítico nas escolas
  14. Leia o texto.

    Um carro autônomo percebe que vai colidir inevitavelmente. O programa precisa decidir entre desviar para a calçada, onde há um pedestre, ou manter a trajetória e atingir outro veículo com três passageiros.

    Esse tipo de situação, discutido na ética da tecnologia, retoma o debate entre:

    1. o racionalismo de Descartes e o empirismo de Locke sobre a origem das ideias humanas e do saber
    2. o mito e o logos, como formas de explicar a origem do universo e dos deuses
    3. a teoria das Ideias de Platão e a teoria das quatro causas de Aristóteles
    4. o heliocentrismo de Copérnico e o geocentrismo de Ptolomeu na astronomia
    5. éticas consequencialistas, que avaliam resultados, e deontológicas, que impõem limites
  15. Leia o texto.

    Mensagens de ódio contra um grupo minoritário se espalham rapidamente em uma rede social. Alguns usuários afirmam que apenas "compartilharam" o que receberam e que não são responsáveis pelo que outras pessoas fizeram depois.

    Com base na reflexão de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal e na de Hans Jonas sobre a responsabilidade, é correto afirmar que:

    1. quem apenas compartilha um conteúdo nunca tem qualquer responsabilidade sobre ele
    2. a responsabilidade cabe só ao autor da primeira mensagem, e não aos demais usuários
    3. a ausência de reflexão sobre os efeitos dos próprios atos não elimina a responsabilidade
    4. a violência simbólica nas redes não tem nenhum efeito real sobre a vida das pessoas atingidas
    5. o ódio nas redes é inevitável e, por isso, não deve ser objeto de reflexão ética

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