Filosofia 1ª série Prova
Platão: teoria das ideias e alegoria da caverna
Prova com 10 questões sobre Platão: mundo sensível e inteligível, alegoria da caverna, reminiscência, doxa e episteme, a cidade justa e o rei-filósofo.
- 10 questões
- cerca de 55 minutos
Filosofia, 1ª série: Platão: teoria das ideias e alegoria da caverna
Para Platão, a realidade se divide em dois planos. Qual alternativa caracteriza corretamente essa divisão?
- O mundo sensível é eterno e perfeito; o inteligível é o reino das opiniões passageiras.
- Os dois mundos são idênticos, pois as Ideias são apenas nomes que damos às coisas percebidas pelos sentidos.
- O mundo inteligível é formado por átomos, e o mundo sensível, pelo vazio entre eles.
- O mundo sensível é mutável e é cópia imperfeita; o inteligível reúne as Ideias eternas e imutáveis.
- O mundo sensível é conhecido pela razão, e o inteligível, apenas pelos cinco sentidos.
Uma professora desenha vários triângulos no quadro. Nenhum deles é perfeito: as linhas têm espessura e os lados não são exatamente retos. Ainda assim, os alunos sabem o que é um triângulo e demonstram propriedades válidas para todos eles. Segundo Platão, isso ocorre porque:
- o conceito de triângulo é criado pela própria professora e muda conforme cada desenho que ela faz no quadro
- os sentidos captam com perfeição os triângulos, e a razão apenas confirma o que se vê
- cada aluno define triângulo a seu modo, pois não existe um conceito comum a todos
- os triângulos desenhados são mais reais que a Ideia, pois podem ser tocados e medidos
- os triângulos desenhados participam imperfeitamente da Ideia de triângulo, que só a razão apreende
Na alegoria da caverna, prisioneiros acorrentados desde a infância veem apenas sombras projetadas na parede e acreditam que elas são a realidade. Na interpretação mais aceita, essas sombras representam:
- as aparências do mundo sensível, tomadas como verdade por quem vive na opinião
- as Ideias eternas, que os prisioneiros contemplam com perfeita clareza racional
- os deuses do Olimpo, que se manifestam aos homens por meio de sinais e sonhos
- os conhecimentos matemáticos, que são o grau mais alto do saber filosófico
- as leis da cidade, que os prisioneiros obedecem por temor dos governantes
Na alegoria, o prisioneiro libertado sai da caverna, acostuma aos poucos os olhos à luz e contempla o sol. Depois volta para libertar os companheiros, mas é ridicularizado e ameaçado de morte. Esse retorno representa:
- o arrependimento do filósofo, que prefere a vida confortável das sombras à verdade
- a missão educativa do filósofo e a resistência de quem está acostumado às aparências
- a vitória da opinião da maioria, que Platão considerava o critério da verdade
- o desejo do filósofo de governar pela força, impondo suas ideias aos prisioneiros
- o fim do conhecimento, pois quem viu o sol não consegue mais pensar
No diálogo Mênon, Sócrates faz perguntas a um jovem escravo sem estudo de geometria, e o jovem chega sozinho à solução de um problema geométrico. Platão usa esse episódio para ilustrar a teoria da reminiscência, segundo a qual:
- todo conhecimento vem da experiência sensível acumulada desde o nascimento
- a mente é uma folha em branco preenchida pelas sensações ao longo da vida
- conhecer é recordar o que a alma contemplou antes de se unir ao corpo
- o conhecimento é transmitido pelos mais velhos e aceito sem questionamento
- só aprendem geometria aqueles que nasceram em famílias de cidadãos livres
Platão distingue doxa (opinião) de episteme (ciência, conhecimento verdadeiro). Qual afirmação está de acordo com essa distinção?
- A opinião é sempre falsa, e o conhecimento é a opinião defendida pela maioria dos cidadãos.
- A opinião se apoia nas aparências e pode mudar; o conhecimento verdadeiro é justificado e estável.
- O conhecimento vem dos sentidos, enquanto a opinião é produzida exclusivamente pela razão.
- Não há diferença entre opinião e conhecimento, pois cada pessoa tem a sua verdade.
- O conhecimento é privilégio dos poetas, inspirados pelas Musas, e não dos filósofos.
Na República, Platão propõe uma cidade organizada em três grupos (governantes, guardiões e produtores), correspondentes às três partes da alma (racional, irascível e concupiscível). Para ele, a justiça na cidade ocorre quando:
- todos os cidadãos exercem todas as funções, revezando-se no governo a cada ano
- os produtores governam, pois são os responsáveis pela riqueza material da cidade
- os guardiões dominam pela força, pois a coragem é a virtude mais elevada
- não há divisão de funções, já que todos nascem com as mesmas aptidões
- cada parte cumpre sua função própria, com a razão governando, como na alma bem ordenada
Platão defende que os filósofos governem a cidade ou que os governantes se tornem filósofos. O argumento central dessa proposta é que:
- os filósofos são os cidadãos mais ricos e, por isso, podem financiar sozinhos as obras públicas da cidade
- os filósofos são escolhidos pelo voto da maioria, critério que garante a justiça
- os filósofos conhecem o Bem e não se guiam apenas pelas aparências ou pelos próprios interesses
- os filósofos são os melhores guerreiros e defendem a cidade em tempos de guerra
- os filósofos recebem dos deuses o direito hereditário de governar seus descendentes
Leia o texto.
Plataformas digitais usam algoritmos que selecionam o que cada usuário vê, priorizando conteúdos semelhantes aos que ele já curtiu. Com o tempo, a pessoa pode passar a receber apenas versões do mundo que confirmam o que ela já pensa.
Usando a alegoria da caverna como chave de leitura para essa situação atual, é coerente afirmar que:
- quem toma como realidade apenas o que o feed exibe se parece com os prisioneiros diante das sombras
- Platão previu as redes sociais e escreveu a alegoria para descrever os algoritmos
- o usuário que recebe só o que confirma suas ideias é como o filósofo que contempla o sol
- a alegoria mostra que a maioria dos usuários conhece a verdade e que, por isso, o feed é sempre confiável
- a solução platônica seria deixar de pensar e aceitar as imagens projetadas na tela
Explique a alegoria da caverna relacionando cada um destes elementos a um conceito da filosofia de Platão: a caverna, as sombras, a saída da caverna, o sol e o retorno do libertado.
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