Filosofia 2ª série Prova
Kant: crítica da razão e esclarecimento
Prova com 11 questões sobre Kant: a síntese entre racionalismo e empirismo, os juízos, espaço e tempo, fenômeno e númeno e o texto sobre o Esclarecimento.
- 11 questões
- cerca de 60 minutos
Filosofia, 2ª série: Kant: crítica da razão e esclarecimento
Na introdução da Crítica da razão pura (na 2ª edição, de 1787; a 1ª é de 1781), Kant afirma que todo nosso conhecimento começa com a experiência, mas nem por isso todo ele se origina da experiência. Com essa tese, Kant:
- adere ao empirismo de Hume, para quem toda ideia é cópia de uma impressão sensível
- retoma o inatismo de Descartes, para quem as ideias mais seguras independem totalmente dos sentidos
- nega que a experiência tenha qualquer papel na construção do conhecimento humano
- afirma que o conhecimento é impossível, já que razão e experiência se contradizem
- aproveita e critica o racionalismo e o empirismo, pois o sujeito contribui com formas a priori
Kant comparou sua mudança de perspectiva à de Copérnico, que passou a explicar o movimento dos astros supondo que o observador é que se move. Na filosofia, essa "revolução copernicana" consiste em afirmar que:
- o sujeito deve se regular passivamente pelos objetos, recebendo-os como realmente são
- a Terra gira em torno do Sol, o que prova que a astronomia é a base de toda filosofia
- o conhecimento humano é imperfeito, pois os objetos mudam de lugar o tempo todo
- os objetos, tal como os conhecemos, regulam-se pelas formas do sujeito, e não o contrário
- a razão deve ser substituída pela observação astronômica em todos os campos do saber
Para Kant, espaço e tempo não são propriedades das coisas em si nem conceitos tirados da experiência. Eles são:
- formas puras da sensibilidade, pelas quais organizamos tudo o que percebemos
- substâncias materiais que existem fora de nós, mesmo sem nenhum observador
- ideias inventadas pela imaginação, sem qualquer papel no conhecimento científico
- categorias do entendimento, como a causalidade e a unidade, usadas para julgar
- ilusões dos sentidos que a ciência deve eliminar para conhecer a realidade
Kant classifica os juízos em analíticos (o predicado já está contido no conceito do sujeito) e sintéticos (o predicado acrescenta algo novo); e em a priori (independentes da experiência) e a posteriori (dependentes dela). Para ele, qual juízo é sintético a priori?
- Todo corpo é extenso.
- 7 + 5 = 12
- Esta parede é branca.
- Choveu ontem em Belém.
- Nenhum solteiro é casado.
Kant distingue fenômeno (a coisa tal como aparece para nós) e númeno, ou coisa em si. Uma consequência dessa distinção é que:
- conhecemos perfeitamente as coisas em si, desde que usemos instrumentos científicos
- os fenômenos são ilusões, e só o númeno pode ser objeto da ciência e da matemática
- não podemos conhecer teoricamente objetos que ultrapassam a experiência, como a alma e Deus
- a metafísica é a ciência mais segura, pois trata do que está além de toda experiência
- não existe diferença entre o que as coisas são e o modo como elas nos aparecem
Kant escreveu que pensamentos sem conteúdo são vazios e intuições sem conceitos são cegas. Essa frase expressa a tese de que:
- os sentidos bastam para conhecer, e os conceitos apenas complicam e deformam a percepção que temos do mundo
- o pensamento puro, sem nenhuma intuição, é a forma mais elevada de conhecimento
- os cegos não podem conhecer, porque o conhecimento depende exclusivamente da visão
- intuição e conceito são a mesma coisa, chamada por nomes diferentes pelos filósofos
- o conhecimento exige a união da sensibilidade, que dá os dados, e do entendimento, que os organiza
No texto Resposta à pergunta: o que é o Esclarecimento? (1784), Kant define o Esclarecimento como a saída do ser humano de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. Para Kant, essa menoridade é:
- a condição de quem ainda não completou 21 anos e, por isso, não pode votar nem assinar contratos
- a falta de inteligência natural, que impede algumas pessoas de compreender a filosofia
- a incapacidade de usar o próprio entendimento sem a direção de outro, por falta de coragem
- a ignorância dos povos que não conheceram a escrita, considerados incapazes de pensar
- a obediência às leis do Estado, que deve ser abolida para que todos sejam livres
Kant observa que é cômodo ser menor: se tenho um livro que pensa por mim, um conselheiro que tem consciência por mim e alguém que decide minha dieta, não preciso me esforçar. Qual situação atual ilustra melhor essa ideia?
- Uma estudante que consulta várias fontes antes de escrever sua redação sobre um tema.
- Um médico que estuda pesquisas recentes antes de recomendar um tratamento ao paciente.
- Um eleitor que compara as propostas de candidatos e assiste a debates antes de votar.
- Um grupo de alunos que discute um texto e apresenta argumentos contrários entre si.
- Uma pessoa que adota todas as opiniões de um influenciador sem examinar as razões dele.
Kant distingue o uso público e o uso privado da razão. Um oficial do exército, em serviço, deve cumprir as ordens recebidas; mas, como estudioso, pode publicar um texto criticando erros no serviço militar. Segundo Kant:
- o uso privado da razão deve ser totalmente livre, inclusive durante o serviço
- o oficial não deve publicar críticas, pois isso destrói a ordem do Estado
- o uso público é o que se faz dentro de casa, com a família e os amigos
- o uso público da razão, diante do público leitor, deve ser sempre livre
- a liberdade de pensamento só é permitida aos filósofos de profissão
Leia o texto.
Os pensadores do século XVIII costumavam descrever sua época como a das "luzes", em oposição às "trevas" do passado. No século XX, porém, historiadores mostraram a riqueza da produção intelectual medieval, e filósofos como Adorno e Horkheimer argumentaram que a própria razão moderna também gerou formas de dominação.
A partir do texto, é correto afirmar que:
- a oposição entre luzes e trevas expressa uma autoimagem moderna que hoje é relativizada
- a Idade Média foi um período sem produção de conhecimento, como afirmavam os iluministas
- a razão moderna eliminou todas as formas de dominação e de desigualdade entre os povos
- Adorno e Horkheimer defenderam o abandono da razão e o retorno à sociedade medieval
- o Esclarecimento foi um movimento exclusivamente religioso, contrário ao uso da razão
Explique, com um exemplo do mundo atual (escola, redes sociais, trabalho ou política), o que Kant chama de menoridade. Em seguida, explique por que, para ele, essa menoridade é "culpa" da própria pessoa e o que significa o lema Sapere aude!.
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