Pular para o conteúdo

Avaliação

Como evitar cola na prova: versões A e B e outras estratégias

Veja como evitar cola na prova com versões A e B sem mudar a dificuldade, disposição das carteiras, questões difíceis de copiar e o que fazer ao flagrar.

Por Albert. Publicado em . Leitura de 9 min.

Como evitar cola na prova: versões A e B e outras estratégias

Para saber como evitar cola na prova, pense em três frentes: uma prova que exige raciocínio e por isso é difícil de copiar, uma aplicação organizada (versões A e B, carteiras bem distribuídas, professor circulando) e um clima em que o aluno não sinta que precisa colar. Só as versões A e B, com as mesmas questões em ordem diferente e alternativas embaralhadas, já eliminam boa parte da cola por espiar o colega, sem mudar a dificuldade da prova.

A seguir estão o passo a passo das versões A e B, nove estratégias para a aplicação, exemplos de questões difíceis de copiar e o que fazer quando você flagra uma cola.

Por que os alunos colam

Entender o motivo ajuda a escolher a estratégia. Na rotina da sala, quatro situações aparecem com frequência:

  • Pressão de uma nota única. Quando uma prova decide o bimestre, o risco de colar parece compensar.
  • Prova de memorização. Se a resposta é uma data ou uma definição, um papelzinho resolve.
  • Sensação de despreparo. O aluno que não entendeu o conteúdo e não vê outra saída.
  • Oportunidade. Carteiras coladas, professor sentado corrigindo outra coisa, celular no bolso.

As duas primeiras se resolvem no planejamento da avaliação; a terceira, no ensino e na recuperação; a quarta, na aplicação. A LDB pede que os resultados ao longo do período prevaleçam sobre os de eventuais provas finais, e distribuir a nota entre vários instrumentos é, também, uma forma de reduzir o incentivo à cola.

E nos anos iniciais?

No 1º, 2º e 3º ano, o que parece cola muitas vezes é ajuda: a criança passa a resposta ao colega porque, no resto da rotina, é incentivada a cooperar. Antes de falar em regra, explique a diferença com exemplos concretos: “Nas atividades do dia a dia, vocês podem se ajudar. Hoje, eu preciso ver o que cada um consegue fazer sozinho, para saber como ajudar depois”. Divisórias de papelão sobre a mesa, que as crianças podem decorar na aula anterior, transformam a separação numa brincadeira e funcionam melhor do que a bronca. E, nessa faixa, avaliações curtas e frequentes, com observação do professor durante a tarefa, revelam mais do que uma prova longa.

Versões A e B: como fazer sem mudar a dificuldade

A regra de ouro: as duas versões têm exatamente as mesmas questões. Versões com questões diferentes parecem mais seguras, mas criam um problema de justiça, porque é quase impossível garantir que duas questões diferentes tenham a mesma dificuldade.

O que muda entre A e B:

  1. A ordem das questões. Embaralhe por blocos: se a prova tem três blocos (frações, divisão, problemas), a ordem dentro de cada bloco muda, e o texto-base continua junto das questões que dependem dele.
  2. A ordem das alternativas. A resposta da questão 1 é a letra C na versão A e a letra A na versão B, por exemplo.
  3. O gabarito. Cada versão tem o seu. Identifique a versão no cabeçalho e no cartão-resposta.

O que não deve mudar: enunciados, textos-base, valores, número de questões, layout geral. Se a versão B ficou com uma página a mais, os alunos que a receberam perdem tempo virando folhas.

Como distribuir na sala

Alterne as versões em xadrez, de modo que nenhum aluno tenha ao lado, à frente ou atrás alguém com a mesma versão:

Coluna 1 Coluna 2 Coluna 3 Coluna 4 Coluna 5
Fila 1 A B A B A
Fila 2 B A B A B
Fila 3 A B A B A
Fila 4 B A B A B

Entregue as provas já organizadas em pilhas intercaladas (A, B, A, B) por fila, para não perder tempo na distribuição. Fazer o embaralhamento à mão é trabalhoso e sujeito a erro no gabarito; ferramentas que geram a versão B automaticamente, com o gabarito correspondente, economizam esse tempo.

Como evitar cola na prova: 9 estratégias para a aplicação

  1. Versões A e B, como descrito acima.
  2. Carteiras afastadas e em fileiras. Se a sala permite, desfaça os grupos e as duplas antes da prova. Peça ajuda à turma na aula anterior para não gastar tempo no dia.
  3. Mochilas na frente da sala ou fechadas embaixo da carteira, com estojo transparente ou só o material necessário sobre a mesa.
  4. Celular guardado, desligado, dentro da mochila ou numa caixa sobre a mesa do professor, conforme a regra da escola.
  5. Professor em movimento. Circule pela sala, em especial pelos fundos. Corrigir trabalhos na mesa durante a prova é o convite mais comum à cola.
  6. Regras combinadas antes. Leia em voz alta o que pode e o que não pode (levantar, emprestar borracha, pedir para ir ao banheiro) e qual será a consequência se houver cola, de acordo com o regimento.
  7. Tempo suficiente. Prova que não cabe no tempo gera pressa, e a pressa gera olhares para o lado. Calcule o tempo como mostra o guia de como elaborar uma prova.
  8. Questões que pedem raciocínio. Justificar, comparar, explicar uma estratégia, aplicar a um caso novo. Veja exemplos na próxima seção.
  9. Avaliação diversificada. Quando a nota do bimestre vem de várias fontes, uma única prova pesa menos. A combinação de instrumentos está no guia de avaliação formativa e somativa.

Questões difíceis de copiar: exemplos

Uma questão que exige raciocínio próprio é difícil de colar porque a resposta do colega não serve. Compare:

Fácil de colar Difícil de colar
“Em que ano foi proclamada a República no Brasil?” “Leia os dois trechos de jornal de 1889. Que mudança na forma de governo eles anunciam? Que diferença há entre a visão dos dois jornais?”
“Qual é o resultado de 3/4 + 1/8?” “Joana disse que 3/4 + 1/8 = 4/12. Explique o erro dela e mostre a resposta correta com um desenho.”
“O que é fotossíntese?” “Uma planta foi colocada num armário escuro por duas semanas. Explique o que deve acontecer com ela e por quê.”

Questões de múltipla escolha também podem exigir raciocínio quando os distratores são bem construídos; o guia de como elaborar questões de múltipla escolha mostra como. Para corrigir as discursivas com rapidez e critério, use uma rubrica de avaliação simples.

Cola digital: celular, fotos e inteligência artificial

Com o celular, a cola mudou: fotos da prova circulam entre turmas que fazem a avaliação em horários diferentes, e trabalhos feitos em casa podem ser gerados por ferramentas de inteligência artificial. Três medidas ajudam:

  • Versões A e B também entre turmas. Se o 7º A e o 7º B fazem a prova em dias diferentes, troque a ordem das questões e dos valores numéricos entre as turmas.
  • Prova feita em sala para o que é essencial. Reserve as tarefas de casa para prática, com peso menor.
  • Explicação oral. Num trabalho feito em casa, peça que o aluno explique em dois minutos uma parte do que escreveu. Quem fez, explica; quem copiou, trava.

O que fazer quando você flagra uma cola

A reação do professor ensina tanto quanto a regra. Um roteiro que preserva a turma e o aluno:

  1. Mantenha a calma e a discrição. Aproxime-se, recolha o material da cola sem comentário público e deixe o aluno terminar, se o regimento permitir.
  2. Registre o que aconteceu, com hora e descrição objetiva, logo depois da prova.
  3. Converse individualmente, longe da turma. Pergunte o que levou à cola antes de falar da consequência.
  4. Aplique a consequência prevista no regimento e combinada com a turma, sem improvisar uma punição mais dura no calor do momento.
  5. Ofereça um caminho. Uma nova avaliação, com outra versão, mostra que o objetivo é saber o que o aluno aprendeu. Se a cola revelou despreparo, a recuperação paralela é o próximo passo.

A cola também é uma oportunidade de conversa sobre ética. A BNCC, na competência geral 10, fala em “agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade”, tomando decisões “com base em princípios éticos”. Uma conversa franca com a turma sobre por que a prova existe, e o que se perde quando alguém cola, costuma ter mais efeito do que qualquer vigilância.

Erros comuns ao combater a cola

  • Versões com questões diferentes. Geram reclamação justa de quem recebeu a versão mais difícil.
  • Vigiar só alguns alunos. A desconfiança seletiva é percebida pela turma e prejudica a relação com o professor.
  • Ameaçar em vez de combinar. Regras claras, ditas antes, funcionam melhor do que avisos em tom de ameaça no meio da prova.
  • Humilhação pública. Expor o aluno flagrado não reduz a cola da turma e pode gerar conflito com a família.

Para aplicar a estratégia sem gastar a noite embaralhando questões, parta de uma prova pronta, como as provas de Matemática do 7º ano do acervo, e gere a versão B com as alternativas embaralhadas e o gabarito de cada versão.

Perguntas frequentes

Cola é motivo para zerar a prova?

Depende do regimento da escola, que deve prever as consequências. Zerar sem oferecer nova oportunidade transforma a nota em punição e não informa o que o aluno sabe. Muitas escolas preferem registrar a ocorrência e aplicar uma nova avaliação.

Prova com consulta acaba com a cola?

Reduz o incentivo, porque o material permitido já está na mesa, mas não elimina a cópia entre colegas. Ela funciona quando as questões exigem aplicar a informação, e não localizá-la. Combine prova com consulta e versões A e B.

Fazer três ou quatro versões é melhor que duas?

Em salas muito cheias ou com carteiras próximas, uma terceira versão ajuda nas diagonais. Mais do que isso aumenta o trabalho de correção e o risco de erro no gabarito, sem ganho proporcional. Duas versões bem distribuídas resolvem a maior parte dos casos.

aplicação de prova · cola · ética · gestão de sala · versões a e b

Continue lendo