Química 1ª série Atividade
Poluentes químicos e conservação da biodiversidade
Atividade com 10 questões sobre como poluentes químicos afetam a biodiversidade: petróleo no mar, chumbo, dióxido de enxofre, rejeitos de mineração, metais na água e o caso de Minamata.
- 10 questões
- cerca de 50 minutos
Química, 1ª série: Poluentes químicos e conservação da biodiversidade
Quando ocorre um derramamento de petróleo no mar, forma-se uma mancha escura na superfície da água, que pode se espalhar por quilômetros e atingir praias, mangues e recifes de coral. Duas propriedades do petróleo que explicam a formação dessa mancha na superfície são
- densidade igual à da água do mar e moléculas que formam ligações de hidrogênio com a água
- densidade menor que a da água do mar e moléculas predominantemente apolares, que não se misturam à água
- temperatura de ebulição baixa e compostos iônicos, que reagem com o sal dissolvido no mar
- densidade maior que a da água do mar e moléculas polares, que se dissolvem facilmente na água
- densidade menor que a da água do mar e moléculas polares, que se dissolvem lentamente nela
No combate a derramamentos de óleo no mar, podem ser usadas barreiras flutuantes, que cercam a mancha para que o óleo seja recolhido, ou dispersantes químicos, substâncias com uma parte polar e outra apolar que quebram a mancha em gotículas espalhadas na água. Uma preocupação ambiental com o uso de dispersantes é que eles
- transformam o óleo em água pura e eliminam de forma instantânea toda a poluição causada pelo derramamento
- aumentam a densidade do óleo, que passa a flutuar com mais facilidade e forma uma mancha mais espessa
- deixam o óleo mais apolar e mais concentrado, de modo que a mancha cresce e cobre uma área maior
- tiram o óleo da superfície, mas espalham as gotículas na coluna de água, expondo peixes, corais e larvas
- reagem com o sal do mar e formam grandes quantidades de gás carbônico, que agravam o efeito estufa
Em várias regiões do mundo, aves aquáticas morreram intoxicadas após engolir pequenas esferas de chumbo de munição de caça espalhadas em áreas alagadas, confundindo-as com as pedrinhas que ajudam na digestão. No estômago, o meio ácido converte parte do metal em íons Pb2+, que são absorvidos. Por isso, muitos países passaram a exigir munição de aço nessas áreas. Do ponto de vista químico, a troca é adequada porque
- o aço é mais reativo que o chumbo e, por isso, não reage de forma alguma com o ácido do estômago das aves
- o aço é uma substância pura, e as substâncias puras nunca causam intoxicação em seres vivos
- os íons de chumbo são tóxicos e se acumulam no organismo, enquanto o ferro do aço não tem essa toxicidade nas quantidades ingeridas
- o chumbo é um não metal, e os não metais são sempre mais tóxicos para as aves do que os metais
- o chumbo é menos denso que o aço e, por isso, as aves conseguem engolir as esferas com mais facilidade
Liquens são associações entre fungos e algas que absorvem água e nutrientes diretamente do ar e da chuva. Em cidades com muitas indústrias e veículos, os liquens desaparecem das árvores das áreas em que há mais dióxido de enxofre (SO2) no ar. Por isso, a diversidade de liquens é usada como indicador da qualidade do ar. O SO2 prejudica esses organismos porque
- é um óxido básico e, ao reagir com a água, forma bases fortes que corroem os liquens
- é um sal que se deposita sobre os liquens e impede a fotossíntese das algas por sombreamento
- é um óxido neutro que não reage com a água, mas bloqueia a luz do sol sobre os liquens
- é um gás nobre que ocupa o lugar do oxigênio dentro das células dos liquens
- é um óxido ácido e, em contato com a água, forma ácidos que danificam as células dos liquens
Em novembro de 2015, o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração de ferro em Mariana (MG) lançou dezenas de milhões de metros cúbicos de lama no rio Doce, que levou o material até o oceano. A lama era formada principalmente por partículas muito finas de óxidos de ferro e de areia (sílica). Um efeito imediato dessa lama sobre a vida aquática foi
- o aumento da turbidez, que reduziu a entrada de luz e a fotossíntese, e o recobrimento do fundo do rio
- a evaporação rápida da água do rio, provocada pelo calor liberado pelos óxidos de ferro
- o aumento da quantidade de oxigênio dissolvido, liberado pela reação dos óxidos com a água
- a transformação da água doce do rio em água salgada ao longo de toda a sua extensão
- a diminuição da densidade da água do rio, que fez peixes e algas afundarem até o leito
Em um estudo sobre um rio que abastece uma reserva ambiental, foram medidas as concentrações de alguns metais na água e comparadas com os valores máximos que a Resolução CONAMA nº 357/2005 estabelece para rios de classe 1, cujas águas devem permitir a proteção das comunidades aquáticas.
Metal Valor de referência (mg/L) Valor medido (mg/L) Chumbo 0,010 0,030 Mercúrio 0,0002 0,0010 Cádmio 0,0010 0,0008 Cobre 0,009 0,018 Zinco 0,18 0,09 Os metais acima do valor de referência e aquele que mais o ultrapassa, proporcionalmente, são
- chumbo, mercúrio e cobre; o chumbo, cujo valor medido é 3 vezes o de referência
- apenas o chumbo; os demais estão abaixo dos valores de referência
- mercúrio e cádmio; o cádmio, com valor 8 vezes o de referência
- chumbo, mercúrio e cobre; o mercúrio, com valor 5 vezes o de referência
- chumbo, cobre e zinco; o zinco, que tem o maior valor medido
Durante décadas, tintas com compostos orgânicos de estanho, como o tributilestanho (TBT), foram aplicadas em cascos de navios para impedir a fixação de cracas e algas. Depois, descobriu-se que, mesmo em concentrações baixíssimas na água, o TBT provocava alterações no sistema reprodutor de caramujos marinhos, com queda de suas populações perto de portos. O uso desse composto em tintas navais acabou proibido por um acordo internacional. Esse episódio mostra que
- o estanho metálico puro é sempre mais tóxico do que qualquer composto químico formado a partir dele
- uma substância eficaz para um uso pode afetar organismos que não eram o alvo, o que exige avaliar riscos e monitorar o ambiente
- compostos que contêm metais são sempre inofensivos quando estão em concentrações muito baixas na água do mar
- acordos e políticas ambientais não têm efeito sobre a recuperação de populações de animais marinhos
- a proibição foi desnecessária, pois caramujos marinhos não participam das cadeias alimentares dos oceanos
Uma substância só oferece risco à biodiversidade se for lançada no ambiente em grandes quantidades; em concentrações muito pequenas, nenhum poluente causa efeitos sobre os seres vivos.
( ) Verdadeiro ( ) Falso
Pesquisadores compararam dois trechos de um riacho, antes e depois do ponto em que é lançado esgoto doméstico sem tratamento.
Trecho Oxigênio dissolvido (mg/L) Espécies de invertebrados aquáticos Grupo predominante Antes do lançamento 8,0 24 larvas de insetos sensíveis à poluição Depois do lançamento 2,5 6 vermes tolerantes a pouco oxigênio A interpretação mais adequada dos dados é que
- o esgoto aumentou a quantidade de oxigênio dissolvido, o que favoreceu os vermes tolerantes
- as larvas de insetos consumiram o oxigênio da água e se transformaram em vermes no trecho poluído
- a decomposição da matéria orgânica do esgoto consumiu oxigênio, eliminou espécies sensíveis e reduziu a biodiversidade
- o número de espécies não depende da poluição, que altera apenas o tipo de organismo predominante
- a perda de espécies se deve só à temperatura da água, já que o oxigênio quase não mudou entre os trechos
Nos anos 1950, na cidade de Minamata, no Japão, uma indústria despejou no mar efluentes com compostos de mercúrio. Moradores que se alimentavam de peixes da baía sofreram graves danos neurológicos, e gatos e aves também foram afetados. Em memória das vítimas, um acordo internacional assinado em 2013 para reduzir o uso de mercúrio recebeu o nome de Convenção de Minamata.
a) Explique por que a concentração de mercúrio nos peixes predadores pode ser muito maior que a da água do mar.
b) No Brasil, comunidades indígenas e ribeirinhas que vivem perto de áreas de garimpo de ouro estão entre as mais expostas ao mercúrio. Explique por quê.
c) Cite duas ações que reduzam o impacto do mercúrio sobre a biodiversidade e as pessoas.
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